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Como escalar a adoção de IoT no Brasil

A partir de uma conectividade fim a fim como “operadora móvel virtual credenciada” (MVNO), provedores especializados têm criado modelos de negócio que maximizam vantagens aos seus clientes, gerando novas fontes de receita, além de competitividade no mercado de serviços de telecomunicações e internet das coisas.

Conforme dados da consultoria Teleco, os provedores regionais (ISPs) respondem por 28% das conexões de internet de banda larga no país, atrás apenas da operadora líder que tem 30%. Na banda larga móvel, todavia, as MVNOs (operadoras móveis virtuais) ficam em 0,01% do total. Em contrapartida, no segmento M2M (conexão entre máquinas), a participação das MVNOs chega a 5%.

Os SIM cards das MVNOs embarcados em dispositivos conectados das indústrias automotiva, de utilities, segurança, meios de pagamento, logística ou agronegócio estão na base de grandes cases relacionados a redução de custos de atividades já existentes, e abrem espaço para a criação de serviços de valor agregado a diversos segmentos. Ao meu ver, isso é só o começo do que as MVNOs podem fazer junto às indústrias, startups, gestores urbanos e outros criadores de serviços, como é o caso dos ISPs.

A MVNO (Mobile Virtual Network Operator) se caracteriza por ser uma operação que utiliza a rede de acesso (antenas) da rede móvel de terceiros e, no caso das MVNOs autorizadas, possuem toda a capacidade de elementos de rede e sistemas para prestação do serviço móvel do ponto de vista técnico e regulatório. Normalmente as MVNOs possuem como fator de diferenciação a atuação em nichos de mercado específicos para oferecerem serviços altamente segmentados ou especializados. As MVNOs autorizadas podem atender a MVNOs credenciadas, que embutem o serviço móvel em seus produtos e soluções.

Segundo a Anatel, 78,2% dos municípios possuem cinco ou mais ISPs ativos, criando um mercado competitivo de serviços convergentes (Internet, TV, voz e serviços adicionados). Nos Serviços Móveis, contudo, a teledensidade (com mais linhas ativas do que a população adulta) deixa pouca oportunidade para uma oferta restrita à conectividade.

Por outro lado, o Plano Nacional de IoT prevê uma movimentação em torno de R$ 400 bilhões até 2025 de recursos relacionados a interconexão de máquinas e dispositivos. Mais do que prover a rede para tudo isso, o grande filão está nas aplicações e nos dados.

Começo pragmático e futuro criativo

É interessante destacar que o primeiro grande argumento para adoção de serviços M2M e IoT é reduzir custos, resolver grandes problemas operacionais ou questões urgentes de segurança, gestão de frotas e cidades inteligentes. Por exemplo, para clientes com operação de frotas, se começa pelo rastreamento, rapidamente se percebem os benefícios de usar telemetria para gestão de frotas, e a tendência é usar cada vez mais os dados, gerados em tempo real, para decisões gerenciais ou de negócio.

Os provedores regionais de conectividade – muitos dos quais se originaram por revendas de informática – têm como vantagem o relacionamento com os clientes e o conhecimento do mercado. Quem conhece a infraestrutura local, os arranjos produtivos e as peculiaridades do público-alvo sabe como resolver as dores mais sentidas, empreender as iniciativas de retorno mais visíveis e, então, liberar recursos para escalar. Para tirar vantagem disso no mundo de mobilidade e IoT, onde estão as melhores expectativas de diferenciação e rentabilidade, considero importante as seguintes ações: estreitar os laços na outra ponta; desenvolver um ecossistema de parceiros capazes de agregar infraestrutura, oferecer serviços profissionais; e trazer as mais inovadoras soluções de indústrias e startups para acelerar a criação de serviços.

A parceria de MVNOs Autorizadas com provedores regionais como MVNOs Credenciadas ainda é bastante inovador em nosso mercado, mas tudo indica que seja uma grande oportunidade para as empresas e seus clientes, que têm acesso mais ágil às inovações com fornecedores que conhecem suas demandas.

As novas soluções de monitoramento, automação e dispositivos conectados fazem circular imensos volumes de informação, cujo valor depende do que se é capaz de fazer com elas. À medida que os Mbps e outros indicadores técnicos perdem relevância, o cliente vai olhar as facilidades e os serviços de valor agregado. É isso que retém e rentabiliza.

*Por Eduardo Resende, diretor executivo da Arqia

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