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Como a independência geográfica pode contribuir para solucionar a falta de profissionais de TI

O momento nunca foi tão propício para profissionais da área de Tecnologia da Informação. As vagas no setor cresceram 63% em um ano, de acordo com um levantamento do Banco Nacional de Empregos (bne). A grande demanda por profissionais de TI é sentida por empresas de diversos estados, que encontram dificuldades para preencher as vagas abertas.

Santa Catarina é o segundo estado com a maior quantidade de vagas abertas para os profissionais de TI. Segundo levantamento do BNE, entre janeiro e setembro deste ano foram abertas 1.378 vagas no Estado, ficando atrás apenas de São Paulo, com 5.793 vagas. Só em São Paulo a oferta de vagas mais do que dobrou (138%).

Parte dessa alta oferta de vagas se deve ao aumento de serviços de delivery, internet e e-commerce durante a pandemia. Essas áreas demandam soluções, sistemas e suporte técnico. As empresas foram forçadas a se adaptar ao novo cenário, que tornou essencial o uso de tecnologia para chegar até os clientes e ajudá-las a sobreviver.

Uma pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), apontava no início deste ano 845 mil empregos no setor em todo o Brasil – 56 mil deles em Santa Catarina.

A projeção é de que a procura por novos talentos até 2024 chegue a 70 mil profissionais por ano. Porém, para o mesmo ano, a perspectiva é de que haja um déficit de mão de obra na área, em mais de 290 mil profissionais.

Os 46 mil profissionais que se formam anualmente em cursos superiores para atender este mercado não são suficientes. Já vemos uma escassez em especialidades na linha de desenvolvimento, análise, arquitetura, agilidade, qualidade e infraestrutura entre outras.

A valorização de temas como segurança de dados pode aumentar ainda mais esta procura por profissionais.

Independência geográfica é uma tendência

Por outro lado, uma das soluções para esta falta de profissionais para atender as vagas está na adoção do home office ou trabalho remoto, que rompeu as fronteiras físicas e ampliou a possibilidade de trazer profissionais de outros estados e até países para suprir uma parte desta demanda.

Os desafios que surgiram em 2020 exigiram que as organizações se tornassem mais flexíveis em diversos processos e forçaram setores a inovarem, não sendo diferente com as empresas de tecnologia.

As lideranças das empresas de diversos setores, incluindo TI, precisaram se concentrar e focar nas pessoas, tanto internas quanto externas, fornecendo serviços independentes de localização, enquanto operam com modelos de entrega que se adaptam à nova realidade.

A independência geográfica ou independência de localização, que já era uma tendência, foi um movimento ampliado e acelerado pela pandemia. As barreiras físicas deixaram de ser um problema e as empresas hoje buscam profissionais em qualquer cidade, estado e até em outros países.

O cenário que ainda estamos vivendo tornou mais evidente a necessidade de independência geográfica e em alguns casos antecipou o calendário em relação à adoção desse modelo.

Isso porque a pandemia resultou em adaptações e novas formas de trabalhar, seja para colaboradores, clientes ou fornecedores, que agora podem estar em qualquer lugar do mundo. Isso significa mais oportunidades – tanto para colaboradores como para as próprias empresas.

A tendência de estratégia é defendida justamente porque a independência geográfica necessita de mudanças tecnológicas que estão, consequentemente, conduzindo as empresas a uma estrutura de nuvem distribuída, que facilita e permite manter operações em qualquer lugar, tanto de negócios quanto de TI.

Essas nuvens distribuídas serão responsáveis por acoplar diversos recursos. E aqui temos mais um avanço em relação ao cenário anterior: não se trata apenas de utilizar a nuvem para acesso remoto, mas sim, uma nuvem inteligente, distribuída, multi-cloud e provida de muitos recursos.

Essa independência também aborda a necessidade de uma malha de segurança cibernética, uma vez que muda o perímetro de segurança para abranger também o indivíduo.

As tendências apontadas deixam ainda mais evidentes o campo fértil de trabalho para os profissionais de TI e o quanto será cada vez mais necessário investirmos em qualificação e retenção destes talentos nas organizações, independente de sua localização.

*Rodrigo Strey é Diretor de Serviços e Operações na AMcom Sistemas de Informação

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