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Com loja conceito, Oracle reforça aposta em pequenos varejos

Lançada nessa terça-feira (22) em São Paulo, capital, a Loja Conceito da Oracle tem um objetivo bastante claro: servir de laboratório para o varejo, setor que já é, per si, um grande laboratório para novas tecnologias. Segundo Marcelo Pivovar, Chief of Technology and Business Transformation da filial brasileira da Oracle, o setor alcançou tamanha maturidade, principalmente após a pandemia, que se tornou vitrine para as capacidades da TI no atendimento ao consumidor.

Resta, no entanto, a missão de democratizar o acesso aos pequenos e médios (PMEs) – e é essa a maior função da loja recém-inaugurada.

“É um espaço colaborativo, de inovação aberta, que serve para fazer demonstrações de produtos. [A Loja Conceito] é um hub de criação aberto para clientes e parceiros”, explica Pivovar, durante visita do IT Forum ao espaço um dia antes da inauguração. “Mais do que uma loja conceitual, é uma loja conceito.”

O que Pivovar sugere é que as tecnologias ali demonstradas são não só acessíveis do ponto de vista financeiro, mas também já observáveis no mundo real. Totens de compras e caixas automáticos, por exemplo. Outras soluções são mais futuristas, como uma réplica de loja no metaverso – em que os produtos de vestuário são inclusive passíveis de experimentação por meio de uma webcam.

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Mas, segundo a Oracle, a grande vantagem do espaço é demonstrar a capacidade de integração entre as diferentes soluções, tornando a experiência do consumidor mais fluída, não importando em que parte da jornada de compra o indivíduo decida ingressar. É o chamado phygital – conceito que combina características de uma experiência digital e física.

Todas as soluções ali demonstradas foram construídas com participação de parceiros, incluindo especialistas consagrados em automação – como a Zebra e a Samsung – e startups, algumas delas aceleradas no passado pela própria Oracle. São quase 20 empresas envolvidas na iniciativa.

Momento propício

Pivovar admite que a estratégia de trabalhar com parceiros, particularmente startups, somada à possibilidade de entregar boa parte das soluções por meio da nuvem, tornaram o mercado de PMEs atrativo para a Oracle – tradicionalmente conhecida pelas soluções voltadas para o mercado enterprise (o que para um pequeno negócio é sinônimo de caro).

Marcelo Pivovar, Chief of Technology and Business Transformation da Oracle Brasil. (Foto: Divulgação)

Também contribui o fortalecimento dos pequenos comércios locais, que ganharam representatividade dentro dos novos hábitos de consumo – e que impulsionaram inclusive a entrada de grandes redes multinacionais varejistas, que agora apostam em “portinhas” de bairro. “Os americanos chamam de ‘power of the neighborhood’ [poder da vizinhança, em tradução livre]”, diz o executivo. “E há muitos [varejos] pequenos fazendo coisas geniais.”

Segundo o executivo, esse novo momento faz com que a Oracle esteja crescendo três dígitos quando se trata do número de clientes classificáveis como PMEs. E eles consomem não só soluções de automação ou transformação digital, mas também soluções tradicionais de ERP e serviços de experiência do consumidor (CX).

Claro que isso não vem sem desafios. “PMEs tem espírito de startup. Elas não são apegadas às marcas, e [no processo de venda] é preciso conversar direto com o tomador de decisão”, explica Pivovar, quando perguntando sobre a competição no segmento, que reúne grande número de fornecedores de tecnologia nichados e atentos às comunidades locais. “O que nos diferencia dos players de nicho é a capacidade de pesquisa e investimento”, ressalta.

Objetivos do espaço

A Loja Conceito da Oracle terá uma equipe dedicada para atender clientes e parceiros da companhia no Brasil. A ideia é que ele seja perene e que também sirva ao propósito de fomentar vendas e novos negócios, mas que também facilite parcerias com outros players e = “eduque o setor”, no sentido de demonstrar potenciais da TI no varejo, diz Pivovar.

Não por acaso a Oracle já planeja iniciativa semelhantes no setor financeiro, com um banco conceito – programado para ser lançado em seis meses – e, depois, uma “telco conceito”, essa ainda sem data de lançamento. No primeiro caso seriam demonstradas soluções de “invisible bank”, ou banco invisível, em que os atritos dos serviços financeiros sejam reduzidos.

Segundo o executivo da Oracle, os espaços são não só uma retomada de formas pré-pandêmicas de fazer vendas, mas também reflexo de um novo ano fiscal, com uma força de vendas mais verticalizada. A Oracle Brasil tem concentrado esforços em quatro “pilares”: varejo, telecom e mídia, serviços financeiros e multi-indústria. O modelo deve inclusive ser replicado em outros países da América Latina em breve.

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