Uma informação errada, uma vida humana!

Considerando toda a situação da morte do jornalista Gelson Domingos da TV Bandeirantes quando da cobertura de uma ação policial contra traficantes na Cidade do Rio de Janeiro, um fato tem sido esquecido: uma informação.
Tem se falado, com toda a razão, da questão do colete que o jornalista estava usando, inadequado para um tiro de fuzil, porém o melhor dentro do que a legislação permitia, da proteção que o policial estava dando ao jornalista e da forma como os policiais e jornalistas estavam se movimentando. Mas teve uma informação que foi definitiva. Eu acredito que por erro, foi dada a informação que o segundo bloco (onde estavam os jornalistas), poderia avançar já que o pessoal especializado da polícia tinha eliminado ou colocado em retirada os traficantes que estavam atirando.
Informação falsa. E da mesma maneira que assistimos aos filmes americanos sobre o Vietnã, eis que surge escondido em arvores e na vegetação, um grupo de traficantes que começam a atirar. A guerrilha (os traficantes) tem um fator que sobrepõe ao exercito mais forte (a Polícia): eles conhecem melhor o local. O segundo grupo não poderia ter avançado. Um soldado e o jornalista ficam em um local foco de ataque e em questão de minutos o jornalista é atingido. Pela experiência do jornalista ele deve ter avaliado a criticidade da situação, mas com uma busca pela reportagem continuou filmando e querendo mostrar de onde viam os tiros. O problema é que se ele via de onde os tiros eram dados, de lá também se via onde o jornalista estava.
Uma informação, uma vida.
Um minuto de silencio em homenagem ao Gelson Domingos.
Edison Fontes, CISM, CISA, CRISC
Núcleo Consultoria em Segurança

