O versátil e poderoso Snapdragon 820 – o novo motor do seu smartphone

PCs) e smartphones. São mundos distintos, mas, verdade seja dita, há uma zona
de uso comum e até substituição para algumas funções. Mas jamais um pode ser
totalmente usado no lugar do outro. Isso acontece também na engenharia de cada
um deles. Por motivos óbvios o grau de integração e miniaturização das
plataformas para smartphones é muito mais intensa.
Está para chegar ao mercado uma leva de dispositivos que usam o Snapdragon 820,
uma solução muito elaborada e sofisticada feita pela tradicional empresa
Qualcomm. Sendo breve, se você não sabe quem é Qualcomm, eu te digo apenas uma
coisa. É a empresa que detém as patentes da tecnologia 3G e 4G entre centenas
de outras. Fantástico.
No universo da computação móvel a busca desenfreada é sempre fazer muito mais
por muito menos, ou seja, mais funcionalidades e velocidade consumindo cada vez
menos energia. Essa é para mim a grande beleza de toda a indústria de tecnologia.
Neste contexto e com essa ideia em mente a Qualcomm desenvolveu sua plataforma
Smartdragon 820, evolução de uma já competente família.
Smartdragon 820
O caminho para trazer melhor desempenho e eficiência energética para o mundo da
mobilidade passa obrigatoriamente por concentrar muitas funcionalidade em um
único elemento, muito bem arquitetado. Este é o conceito do SoC, ou seja,
“system on a chip”. A Qualcomm vem aprimorando sua família de soluções para
dispositivos móveis e com a chegada do Snapdragon 820 pretende surpreender o
mercado com destacados resultados.
DSP, ISP, GPU, X12, LTE, 802.11ad são apenas algumas siglas que os iniciados no
assunto de SoC entendem, mas que resumem apenas algumas das tecnologias
embarcadas no 820. A ideia de aproximar todos os subsistemas que compõem uma
plataforma para dispositivos móveis, construindo todos eles dentro do mesmo
chip, tem como grande vantagem a proximidade. Não falo de algumas frações de
milímetros. Soluções mais antigas tinham cada um destes sistemas residindo em
diferentes chips, cada um deles com uma interface, conexões, etc. Quando está
tudo integrado de imediato há grande economia de energia e cada um dos
elementos podem cooperar com o sistema final de maneira mais intensa (e mais
rápida).
Isso é análogo a uma equipe de trabalho em uma empresa que cada grupo fica em
uma sala diferente, sendo necessário se deslocar para outros ambientes para
interagir e solicitar execução de tarefas. Se todos estão na mesma sala a
comunicação é direta e imediata. Desde que não falem todos ao mesmo tempo
(função essa que um coordenador ou bom gerenciador resolve). De uma forma
simples, isso é o SoC Snapdragon 820, a evolução de uma família que vem sendo
aprimorada ao longo do tempo, geração a geração.
Os processadores (SoC) da Qualcomm ganharam importante espaço entre os
dispositivos móveis. Dados indicam que sua participação no mercado é acima de
40%, um número muito expressivo. Mas o mercado é dinâmico e um grande
fabricante, Samsung, recentemente optou por usar um processador próprio em seu
lançamento da família S6. A Qualcomm com o 820 mostra para o mercado que trouxe
um salto substancial de tecnologia e que dispositivos que visam o mercado high
end poderão com sua adoção o conquistar excelência em qualidade que se espera
destes produtos.
Segundo a Qualcomm há cerca de 60 modelos de dispositivos já em fase final de
projeto que usarão a plataforma 820. Muito possivelmente estes produtos serão
apresentados em primeira mão na CES 2016 em Las Vegas e chegarão às prateleiras
para o consumidores ao longo do primeiro quadrimestre de 2016.
Não quero ser detalhista ou técnico demais, mas algumas das características
dessa família merecem destaque. A começar pela arquitetura escolhida. O
processador tem 4 núcleos. Muitos processadores do mercado têm 8 e isso pode
causar alguma confusão. Em princípio quanto mais “motores” tem o smartphone
mais rápido ele pode ser. Desde que a frequência de operação seja compatível e
que o gerenciamento destes núcleos todos seja primoroso. A Qualcomm optou por 4
núcleos nesse projeto que rodam em alta frequência, 2.2 Ghz e a “orquestração”
de tarefas entre os núcleos é muito otimizada. Dessa forma se obtém o dobro do
desempenho quando comparado com a geração anterior (810) e ao mesmo tempo
consumindo 30% menos de energia. São dados ambiciosos que precisam ser
confirmados na prática, mas é fantástico.
Há evolução em várias outras áreas. Por exemplo, além do WiFi padrão “ac” (que
é retro compatível com todos os outros padrões b, g, n e a), operando em 2.4
Ghz e 5.0 Ghz, o 820 traz o novíssimo padrão “ad”, que opera a 60 Mhz,
prometendo velocidades nominais maiores que 3 Gbps e mais que suficiente para
receber transmissão de vídeo 4K (3840 x 2160 pixels – 8 megapixel) com sobra de
capacidade.
Enquanto 2020 não chega, e com ele o novo padrão de comunicação 5G, o LTE (4G)
segue sendo aperfeiçoado e o Snapdragon tem a capacidade de trabalhar com
agregação de sinal e assim chegar a teóricos 600 Mbps de velocidade de download
(33% mais que Snapdragon 810) e 150 Mbps de upload (200% mais que Snapdragon
810). Para isso usa o 4G em mais de uma frequência, que não é ainda o
caso do Brasil (teremos mais frequências disponíveis em 2017 com o final das transmissões
de TV analógica). De toda forma notável evolução.
O Snapdragon 820 integra no seu hardware um subsistema de segurança, que
auxiliado por uma simples camada de software tem a capacidade de realizar
análises comportamentais de aplicativos ou módulos de software de forma a
identificar ações consideradas suspeitas e assim proteger o dispositivo
principalmente das ameaças “0 day”, ou seja, aquelas que acabaram de ganhar as
ruas e não têm ainda “rastro genético” (assinatura da ameaça no software de
segurança). Há sistemas que podem fazer isso usando recursos na nuvem, mas são
mais demoradas e exigem conexão de dados para uma análise.
Confesso que eu não sabia que seria possível embutir funcionalidades usadas por
câmeras, tratamento de imagens, captura em situação de baixa luminosidade, alta
resolução, etc. dentro do processador. É o que o módulo ISP (Image Signal
Processing) faz. E o ISP do 820 traz evolução grande neste sentido visando
melhor captura de fotos e vídeos em todas as situações. Estou muito curioso em
relação a isso, pois tirar fotos com smartphone em ambiente externo e bem
iluminado, quase todos são bem competentes, mas em situação de baixa
luminosidade, é tarefa que muito poucos fazem bem feito! Vou precisar esperar
chegar em minhas mãos um dispositivo que use o Snapdragon 820 (e que tenha
também tenha uma boa lente) para dar esta resposta. Mas há grande potencial
segundo a evolução da plataforma.
Exemplificando o meu ponto de vista, o módulo DSP (Digital Signal Processor) é
responsável pelo processamento avançado das imagens. Segundo a Qualcomm “em situações de baixa luminosidade, o
Snapdragon 820 usará o ISP e DSP de forma a adaptar o brilho das áreas da
imagem que normalmente ficariam escuras demais. Isso foi projetado para
acontecer 3 vezes mais rápido e gastando apenas 10% da energia quando comparado
com a geração anterior”. Um exemplo disso pode ser visto na imagem abaixo.
Avaliando o desempenho do Snapdragon 820
– benchmarks
Tive a grata oportunidade de testar por duas horas um dispositivo construído
usando o Snapdragon 820. Era um modelo de referência da Qualcomm, não um
produto final de mercado. Mas isso já foi suficientemente bom para realizar uma sessão de benchmarks e poder
emitir minhas primeiras impressões.
Mas preciso primeiro tecer algumas considerações sobre softwares de benchmark. Por
mais que tentem, nunca são capazes de simular perfeitamente um padrão de uso
natural do dia a dia. Também porque cada pessoa tem o seu próprio perfil de
uso. Sempre chamo a atenção disso quando testo durabilidade e bateria de
smartphones. Um benchmark consiste em uma sucessão de medidas de ações isoladas
que irão ser compostas por algum critério de ponderação e resultarão em um
índice. Isso é bom? É uma boa referência. Mas não é perfeito.
Imagine que um atleta fosse submetido a testes e se descobrisse qual sua
capacidade muscular, sua força da perna fosse capaz de levantar 50 quilos de
peso. Consegue mover a perna para cima em 0.7 segundos. Consegue voltar a perna
para a posição original em 0.5 segundos. Seu passo tem 116 centímetros… Estes
dados biomecânicos podem indicar se são comparáveis aos dados de um atleta
vencedor. Mas se todas as ações serão executadas com harmonia e precisão, se
este atleta poderá desafiar o Usain Bolt, isso nunca poderemos saber com
certeza, mesmo que este supere individualmente os valores do jamaicano voador!
O teste de conjunto, o uso real, é no fundo o que mais importa. Os testes
individuais, mesmo que inteligentemente associados e ponderados podem não nos
dar esta certeza. Por isso eu vejo os benchmarks com ressalvas. Mas a despeito
disso têm grande valia no sentido de indicar características potencialmente
muito desejáveis. Ressalva feita, vamos conhecer alguns dos dados do Snapdragon
820.
polegadas no qual havia alguns softwares populares de benchmark instalados como
AnTuTu, Geekbench 3, GFXBench, Octane 2.0 e Kraken. Por minha própria conta
instalei mais alguns como o CF-Bench, o Vellamo e o 3DMark.
Não existe motivo algum para a Qualcomm divulgar resultados positivos que não
sejam a pura expressão da verdade. Mas quis usar outros benchmarks para fazer a
contra prova, certificar-me de que o impacto positivo é mesmo do tamanho que
vem sendo anunciado.
Comparo os resultados do Snapdragon 820
com outras duas plataformas. Um MediaTek
MT6735 (1.30 Ghz 8 núcleos ARM Cortex A53 fabricado em 28 nm) presente em
um Lenovo Vibe A7010 e um Snapdragon
615 (até 1.7 GHz 8 núcleos ARM® Cortex A53 fabricado em 28 nm) presente em
um Asus Zenfone Selfie. Estas bases de comparação foram estrategicamente escolhidas?
Não, apenas eram os smartphones que eu tinha disponíveis no momento do teste. Smartphones
com o Snapdragon 615 chegaram ao varejo em meados de 2014 e com o MediaTek MT6735
no começo de 2015. O Snapdragon 820 chegará ao varejo no começo de 2016.
Compararei diretamente com o MediaTek, que é mais recente e no final
apresentarei os dados completos com as 3 plataformas.
No teste GeekBench 3 obtive o índice 2261 para o teste de apenas UM núcleo e
4975 para todos os núcleos (neste caso 4). No Mediatek MT6735 obtive nos mesmos
testes, 610 e 2635. O Snapdragon 820 é respectivamente 270% e 90% mais rápido.
Os resultados mostram o 820 intensamente mais veloz.
Convém citar que estou bastante satisfeito com o desempenho do Lenovo Vibe no
dia a dia. E se um smartphone com o 820 pode ser entre 90% e 270% mais veloz, é
garantia de sossego no uso de uma ou muitas aplicações ao mesmo tempo. Baixe o
GeekBench 3 em seu Android e compare, possivelmente vai obter resultado
semelhantes ao meu.
No GFXBench, um teste mais voltado em aferir o desempenho do sistema gráfico (GPU),
os dados falam por si. Dividem-se em testes de alto nível e baixo nível. São
muitos números, nem vale a pena entrar em detalhes, mas vou me concentrar nos
seguintes resultados “Manhattan” e “Texturing”. Comparando os mesmos índices
obtidos no Lenovo Vibe temos diferenças gigantescas a favor do 820 de 599% e
799% (127 x 887 e 856 x 7702)!!!!!
índices nele obtidos não podem ser comparados diretamente, pois a versão usada
é nova, ainda não disponível (beta) e como as bases de análise foram alteradas,
não adianta confrontar com teste feito em outro smartphone com a versão atual.
Já no teste com o Vellamo percebi fatos bem interessantes. Ele afere 3 índices
e áreas distintas, eficiência Multicore, Metal (teste de apenas um núcleo) e
Browser (no caso Chrome) que indica eficiência no uso de navegação e
renderização de páginas. O 820 foi respectivamente 127%, 230% e 115% mais
rápido.
O Vellamo dá uma informação a mais muito interessante, uma
visão comparativa com outros smartphones de mercado, em cada uma das áreas.
Vejam as telas abaixo.
Apenas me fixando em um modelo, o ótimo Samsung Galaxy S6 está
presente nos 3 testes entre os mais rápidos (mais rápido em duas categorias). O
nosso modelo de referência contendo o Snapdragon 820 foi nas categorias
Multicore, Metal e Browser respectivamente 22%, 39% e 67% mais rápido!!! O S6 é
um dos smartphones de referência do mercado por sua agilidade, performance e
também qualidade da sua câmera. Vale ressaltar que cada fabricante ainda poderá
fazer as suas próprias otimizações e obter ainda melhores resultados.
Por fim, a Qualcomm nos disse que um browser ainda mais aperfeiçoado que o
Chrome foi desenvolvido para ser usado nos smartphones com o 820. Fui conferir
este outro browser no teste do Vellamo, vejam na imagem abaixo.
quase 13% mais rápido que o Chrome (5952) e 27% mais rápido que o browser
nativo do Android. Todos rodando no mesmo dispositivo com o Smartdragon 820.
Isso mostra como algumas otimizações podem fazer diferença no dia a dia.
Segue abaixo a visão comparativa dos testes realizados. Na segunda coluna da
tabela existe o valor observado no teste e na última coluna um comparativo “base
100” sendo que o valor 100 foi atribuído ao Snapdragon 615.
Embora relativamente injusta a comparação direta entre estas 3 plataformas,
devido às idades de cada uma delas, o 820 está nascendo e as outras têm
presença no varejo há 8 e 16 meses, faz sentido para mim. Estes meses de
diferença são responsáveis por um incremento entre 3 e quase 6 vezes em alguns
testes. Esta evolução é fantástica.
Ressalvas que já fiz ao uso de benchmarks, explicado alguns parágrafos acima,
estou confiante em afirmar que o salto de eficiência e desempenho do 820 é mesmo
de grande intensidade. Retomando a minha metáfora do “atleta”, as medidas de
força e tempo dos “movimentos das pernas” me fazem pensar que Usain Bolt que se
cuide! Quando chegarem às ruas os dispositivos com o Snapdragon 820 a “corrida
de 100 metros” poderá ser de fato realizada e todas as virtudes pontuais do 820
poderão ser confirmadas!
Convém relembrar que as inovações não são apenas quantitativas (desempenho
puro), mas também qualitativas. Estão também presentes recursos novos, suporte
a padrões de comunicação mais avançados, maior eficiência energética (economia
de energia), etc.
Citei no começo da sessão de benchmark deste texto que o smartphone que estou
testando neste momento, um Lenovo Vibe A7010, que usa o Mediateck MT6753 está 100%
adequado, bom desempenho, tarefas executadas com fluência, etc. Mas destaco que
um carro com motor 1.0 também me leva por toda a cidade, posso viajar para o
Rio de Janeiro com ele. Vou chegar lá sem o menor problema. Mas se eu
transportar 5 pessoas, estiver em uma íngreme subida ou se precisar acelerar
vigorosamente para realizar uma ultrapassagem, vou ficar sem resposta!! Por
isso a sensação de “satisfação momentânea” é perigosa. Vai acontecer um dia de você precisar de uma
boa dose de potência extra (aplicativos mais pesados, jogos, muitos apps
abertos ao mesmo tempo, etc.) que apenas uma plataforma robusta e evoluída como,
por exemplo, o Snapdragon 820, poderá atender. Estou ansioso para correr os 100
metros (e quem sabe até uma maratona) com um smartphone contendo o 820!!











