Entrevista: empresa francesa conquista espaço no mercado brasileiro com jogos retrô

Dotemu cria experiências “neo-retro” buscando abocanhar novas gerações de jogadores, além de usar nostalgia como estratégia de negócio

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11:54 pm - 25 de setembro de 2023

O mercado global de jogos deve atingir, no final de 2023, a impressionante marca de US$ 187,7 bilhões em receitas  e com aproximadamente 3,3 bilhões de jogadores – o que significa um incremento anual de cerca de 6,3%  no número de pessoas jogando algum tipo de game – de acordo com pesquisa recente da Newzoo.

Bem, e se de um lado existe fortes tendências do uso de tecnologias como IA generativa na produção de novos jogos, por outro, um nicho se fortalece colocando a nostalgia como estratégia de negócio – trazendo jogos retro com uma nova roupagem, mas sem, claro, tirar a essência do sucesso deles de décadas atrás. É desafiador estimar o tamanho desse nicho de mercado, mas pelo sucesso de algumas produtoras, é fácil entender que se trata de um caminho bem interessante em que sem dúvida o Brasil é rota a ser muito bem explorada.

É o caso da Dotemu, uma empresa de videogames francesa nascida em 2007 especializada em trazer de volta ao mercado games e licenças já aclamadas de outras décadas, criando experiências “neo-retro” com foco nos públicos do passado mas, claro, buscando conquistar a nova geração. A empresa tem surfado recentemente no mercado brasileiro, com jogos premiados como o Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge (Tartarugas Ninja), Streets of Rage 4, entre outros. “Estamos trabalhando com o Brasil em mente há muito tempo… É um mercado interessante e está crescendo”, ressalta Arnaud de Sousa, head de Marketing da Dotemu, com oito anos de experiência na indústria de games.

Direto de Paris, ele conversou com a coluna Além do Gameplay para explicar um pouco mais das estratégias da Dotemu neste mercado e como enxerga a boa recepção dos lançamentos da empresa aqui no País. Confira o bate-papo completo!

Quando a Dotemu percebeu que trabalhar franquias antigas, já conhecidas, como também essa linha de desenvolvimento retrô seria um nicho importante para ter bons resultados nos negócios como desenvolvedora e publisher? 

Trabalhar com jogos retrô clássicos e IPs sempre esteve no centro do que fazemos na Dotemu, desde que a empresa começou, em 2007. É claro que nosso trabalho evoluiu desde então, mas nosso DNA não mudou: trazer de volta joias do passado. Nunca pensamos que nosso trabalho era voltado para o nicho “retrogamer” ou pensamos que os retrogamers eram um único nicho: cada jogo é diferente e fala para públicos diferentes, e um fã de shmup não vai gostar de um jogo de futebol retrô só porque é antigo, por exemplo. Além disso, parte da nossa missão é levar esses jogos para um público mais jovem, para dar acesso a esses jogos e IPs incríveis do passado.

 

mugshot arnaud de sousa 1 Entrevista: empresa francesa conquista espaço no mercado brasileiro com jogos retrô

 “O Brasil e a América Latina são definitivamente um mercado interessante que

é muito apaixonado por retrogaming”, ressalta Arnaud de Sousa

 

O Brasil é um mercado em que os retrô games são aclamados e jogos beat n’up, RPG classico, side scrolling são muito amados. Quanto o mercado brasileiro é importante para vocês? Podem dar algum número de negócio de como tem sido a recepção por aqui nos últimos anos com games como Tartatugas Ninjas, SoR4, entre outros?

Infelizmente não posso dar números, mas o Brasil e a América Latina são definitivamente um mercado interessante que é muito apaixonado por retrogaming e games em geral. É também um mercado que está ficando maior com os consumidores tendo um acesso mais fácil aos jogos graças a lojas digitais como o Steam. Estamos trabalhando com o Brasil em mente há muito tempo, começando com as localizações PT-BR para nossos títulos, mas temos dado cada vez mais atenção a ele ao longo dos anos. Títulos como Streets of Rage 4 ou TMNT: Shredder’s Revenge são muito populares no Brasil e temos visto muito amor e apoio, e tentamos retribuir com comunicações e presença mais dedicadas. Tenho uma conexão pessoal com o Brasil, então fico sempre feliz em incluí-lo em nosso trabalho!

 

A Dotemu acredita que este mercado que não foca em gráficos, mas sim nostalgia e história, se sustenta por mais anos em todo o mundo? Qual é a linha do planejamento de negócios de vocês? Seguir com dessa forma ou quem sabe atuar em outras linhas?

Acredito que o Brasil é um mercado interessante que está crescendo, mas infelizmente não posso dizer se vai continuar fazendo isso no longo prazo ou não. Do nosso lado, continuaremos trabalhando com o País em mente e continuaremos nossos esforços para agradar os jogadores brasileiros com títulos legais.

 

A Dotemu realmente trabalhou em franquias muito amadas pelos jogadores em todo o mundo. Isso fez com que houvesse um crescimento como negócio de vocês nos últimos anos?

Com certeza. IPs como Streets of Rage e TMNT têm um grande alcance global e são altamente considerados por jogadores e fãs. Temos muita sorte de poder trabalhar em tais licenças e poder fazer os jogos com os quais sonhamos quando crianças. Porque fora a pura nostalgia, o importante para nós é fazer bons jogos, aqueles que gostaríamos de ter jogado na época, os jogos que os fãs merecem.

 

Podem nos contar um pouco sobre as expectativas de vocês para os próximos anos em relação a novos projetos? Estão de olho em franquias antigas populares para trazer de volta ao mercado?

Não posso dizer muito, mas temos algumas coisas legais chegando no futuro! Acabamos de lançar o DLC Dimension Shellshock para TMNT: Shredder’s Revenge e atualmente estamos trabalhando duro em Metal Slug Tactics e em Cross Blitz, uma incrível aventura /roguelite TCG publicado pela The Arcade Crew (publisher de jogos indies da Dotemu). Poder fazer nossos jogos dos sonhos é incrível, mas trabalhar com desenvolvedores independentes e publicar seus títulos é algo que amamos e que também continuaremos fazendo.

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A coluna Além do Gameplay é escrita pelo jornalista Victor Lopes e traz abordagem B2B sobre o mercado dos games, com entrevistas, análises de pesquisas, aquisições, e novidades sobre investimentos que estão acontecendo no Brasil e no mundo. A ideia é mostrar como ano após ano os jogos eletrônicos ganham cada vez mais espaço em diferentes empresas, e não apenas nas especializadas do setor. Pautas para [email protected].

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