As 5 principais dores do C-level de TI — e o que cada uma custa juridicamente

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Imagem: Shutterstock
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Há mais de duas décadas atendo C-level: diretores de TI, CISOs, CTOs. Um padrão se repete em empresa grande, média e startup com dinheiro de fundo: o diretor de TI está sofrendo — e a liderança acima dele não faz ideia do porquê.

Existem cinco dores que esse profissional carrega. Todas conhecidas. Todas ignoradas. E todas com algo que raramente aparece na pauta executiva: um custo jurídico concreto. Não é metáfora. É risco real de passivo, de multa, de responsabilidade pessoal.

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  1. Mão de obra que não pensa no futuro

O mercado de TI tem muita gente boa resolvendo o que quebrou ontem. Tem pouquíssima gente estruturando o que vai quebrar amanhã. O diretor sabe disso — e não consegue mudar porque o processo seletivo não valoriza essa visão. A vaga pede “experiência comprovada”, não “capacidade de antecipar”.

Quando a empresa sofre um incidente e não demonstra que adotou medidas técnicas preventivas adequadas, ela responde sob a LGPD. A ANPD não aceita “não tínhamos profissional qualificado” como excludente de responsabilidade.

  1. O executivo que não entende o papel de TI

Nenhum CEO ou CFO estuda seriamente o papel de TI nos negócios. Sabem que existe. Sabem que custa caro. Mas não sabem o que TI protege, o que viabiliza, o que deveria impedir. O resultado: TI não senta à mesa estratégica. A empresa fecha contratos sem envolver a área técnica, assina termos que criam obrigações impossíveis de cumprir — e o jurídico valida algo que operacionalmente não funciona. Integração entre TI, jurídico e estratégia não é burocracia. É prevenção de contencioso.

Leia também: STF mudou a régua da responsabilidade das plataformas. Sua empresa já ajustou os processos?

  1. Governança de TI desconectada do negócio

TI é convocada para resolver problemas pontuais. Não existe planejamento estrutural nem política de tecnologia ligada à estratégia de crescimento. Quando muda o gestor — e gestores mudam —, muda tudo: fornecedor, sistema, processo. Sem documentação, sem critério, sem continuidade.

As consequências jurídicas são diretas: contratos rescindidos sem justificativa adequada geram passivos trabalhistas e cíveis; migrações sem due diligence podem resultar em quebra de sigilo de dados; e a ausência de política documentada é o primeiro item que a ANPD solicita numa investigação.

  1. Ausência de canal de ética e gestão de contratos

Fornecedor entra por amizade com o gestor. Sai quando o gestor muda. Compras olha só para preço — não para histórico, compliance ou o que está escrito no contrato. O resultado: recursos desperdiçados e contratos sem SLA, sem cláusulas de proteção, sem responsabilização em caso de incidente. Um contrato de TI mal feito não é apenas um contrato ruim. É evidência de que a empresa não tem governança sobre o que está comprando — e isso pesa em disputas contratuais e processos regulatórios.

  1. Jurídico que não fala a língua de TI

O advogado interno não entende o que é um data center. O externo, tampouco. Quando surge uma questão de privacidade de dados ou contrato com fornecedor SaaS internacional, ninguém tem vocabulário para tratar o tema com precisão. TI não entende o “juridiquês”. Os advogados, em geral, não compreendem o “bit-bytês”. As questões se acumulam. Algumas somem. Outras explodem — e só então a empresa descobre que carregava um passivo há anos porque ninguém o identificou como problema jurídico. Falta de alinhamento entre jurídico e TI não é gap de comunicação. É risco sistêmico.

O que essas cinco dores têm em comum

Nenhuma delas é um problema de TI. Todas são problemas de governança, contrato e responsabilidade jurídica que se manifestam dentro da área de tecnologia porque é lá que o impacto aparece primeiro. O diretor de TI não resolve isso sozinho — e não deveria ter que resolver. A solução está na forma como a empresa estrutura a relação entre tecnologia, direito e estratégia. Enquanto essas três dimensões operarem em silos, as dores continuam.

E o passivo cresce.

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Sobre o Autor

Advogada especialista em Direito Digital e Segurança da Informação. CEO e sócia-fundadora de Gisele Truzzi Tech Legal Advisory.

Experiência de 20 anos na área do Direito Digital, dos quais 15 são à frente de seu próprio escritório, assessorando empresas e startups a alavancarem seus negócios neste mundo digital, com segurança jurídica, agilidade e inovação

Graduada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP, com pós-graduação em Segurança da Informação, e especialização em Direito Eletrônico pela FGV/RJ. Certificada em Direitos Autorais para a Internet pela Harvard Law School (parceria ITS-RJ).

Pós-graduanda em Neurociências, Comunicação e Desenvolvimento Humano (Centro de Mediadores, Brasília/DF).

Colunista do portal ITForum, para o qual escreve periodicamente sobre Direito e Tecnologia.

Autora de diversos artigos sobre temáticas relacionadas a Direito e Tecnologia, publicados em vários portais, sites, revistas e livros, tais como IstoÉ Dinheiro, Conjur, Galileu, IBDI/IOB, entre outros.

Coautora das obras jurídicas “Direito Digital: Debates Contemporâneos” (Org.: Ana Paula Canto de Lima e outras. RT, 2019) e “Manual de educação digital, cibercidadania e prevenção de crimes cibernéticos” (Org.: Higor Vinícius Nogueira Jorge. Juspodium; 2019)

Professora convidada em cursos de Pós-graduação e MBA, para lecionar disciplinas relacionadas ao Direito Digital, Proteção de Dados e Privacidade,  Compliance e Segurança da Informação (EPD/SP, PUC – Campinas, ESA/OAB, UNINASSAU, entre outras instituições).

Condecorada com a medalha Tobias Barreto, pela UNINASSAU/PE, pela qualidade dos serviços jurídicos prestados e compartilhamento de conhecimento com a sociedade.

Ministrou palestras e treinamentos sobre as temáticas nas quais atua, em diversas empresas, órgãos públicos e eventos, tais como: Exército, Tribunal Superior do Trabalho (TST), Escola de Magistratura (EMATRA), PRODAM, PRODESP, FENALAW, CNASI, ICCyber, entre outros.

Responsável pela coordenação de projetos de Compliance em várias empresas, em temáticas relacionadas à Proteção de Dados e Privacidade, Governança Corporativa e Segurança da Informação, entre outros assuntos.

Atualmente assessora diversas empresas que necessitam de suporte jurídico especializado em demandas relacionadas à Tecnologia. Ministra palestras e treinamentos in company.

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