A história indica que o futuro do trabalho ainda será humano 

Da máquina a vapor à IA, a História mostra que a tecnologia redefine o trabalho, mas continua dependente do discernimento humano

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O professor é um agente exposto às mais diversas questões no seu dia a dia, independentemente da área de atuação, sempre é visto como um “guru”, que tem as respostas mágicas para as mais difíceis perguntas. Uma dessas perguntas é: as máquinas vão substituir os humanos? Sem muita técnica e sem muita reflexão eu sempre respondo: nós já passamos por isso, então digo que não, elas não vão nos substituir. É claro que segundo os mais nerds da Inteligência Artificial, o certo é jamais dizer nunca, mas aqui eu arrisco um jamais o humano será substituído. O que não significa ausência de grandes desafios para a nossa espécie.

Na primeira revolução industrial, os trabalhadores das manufaturas artesanais, tiveram que aprender a trabalhar com as máquinas a vapor. Na segunda revolução industrial, os trabalhadores que operavam as máquinas a vapor precisaram aprender a trabalhar com os paineis elétricos. Na terceira revolução industrial, os trabalhadores que comandavam os paineis elétricos precisaram aprender a programar os microcontroladores e a integrar os microcomputadores aos processos industriais. E, agora, na quarta revolução industrial, na qual a tecnologia habilitadora protagonista é a Inteligência Artificial, estamos aprendendo a colaborar com a máquina, nossa copilota.

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Em 1958, Gilbert Simondon, Filósofo e Tecnólogo Francês, notável por seus estudos sobre a tecnologia e a ontologia das máquinas, no seu livro Do Modo de Existência dos Objetos Técnicos disse que as máquinas existem para realizar tarefas repetitivas e puramente funcionais, libertando o ser humano do trabalho mecânico. A partir dessa reflexão de Simondon é possível ler com um otimismo ainda maior os dados apresentados no relatório Future of Jobs 2025 do Fórum Econômico Mundial (WEF), que projeta a criação de 170 milhões de novos postos de trabalho contra a extinção de 92 milhões de funções, ou seja, um saldo líquido positivo de 78 milhões de vagas.

O Mapa Futuro da Indústria 2026 a 2035, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta que o movimento pela adoção de tecnologias de ponta remete à necessidade de mão de obra altamente especializada. A automação e processos inteligentes geram a demanda para que os trabalhadores consigam abstrair padrões operacionais úteis que as máquinas não resolvem sozinhas. Sim, o desafio da formação está posto. O upskilling é imprescindível, mas, como foi dito no início deste artigo, já passamos por isso.

E o que fazer para seguir em direção a esse futuro ainda humano? Para trilhar os caminhos indicados pela OCDE no Digital Education Outlook 2026, o primeiro passo fundamental é a requalificação. Além disso, é preciso mudar a mentalidade de modo a migrar da mera execução para a orquestração de tecnologias. Merece destaque também o uso das ferramentas digitais para apoiar o processo de raciocínio passo a passo no aprendizado. A lógica consiste em capacitar os indivíduos para assumirem o papel de supervisores críticos, estratégicos e éticos, garantindo que a tecnologia sirva para ampliar as capacidades intelectuais humanas, em vez de as substituir.

Perfil 2025.JPG 1 1Weysller Matuzinhos é pesquisador do Think Tank da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e Diretor da Faculdade SENAI Fatesg, Líder das Ações do Núcleo de Inteligência Artificial Aplicada do SENAI Goiás, doutorando pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e vem trabalhando o tema Regulamentação da IA sob a perspectiva da Ética e do impacto no Futuro do Trabalho. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

 

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Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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