A cultura digital

A proporção do investimento entre tecnologia e pessoas depende do estágio de transformação digital de cada empresa

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11:21 am - 03 de abril de 2023
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A tecnologia faz parte do negócio de todas as empresas no mundo. A sua utilização correta é um dos fatores que definem o sucesso ou o fracasso das organizações novas e das tradicionais.

Visto a velocidade com que os processos digitais passaram a controlar os negócios, podemos fazer alguns exercícios de cenários futuros.

As empresas bem-sucedidas terão, em 10 anos no máximo, suas estruturas organizacionais compostas por somente dois grandes blocos. No primeiro bloco estarão todos os API´s. São as iniciais de Application Programming Interface que significam aplicativos que conectam aplicativos. Ou seja através desses API´s uma empresa pode interagir digitalmente com seus clientes, seus fornecedores, seus colaboradores, seus canais de venda, órgãos de governo e a sociedade como um todo. Tudo isso de forma instantânea, sem a intervenção humana e portanto sem erros, de forma auditável e gerando dados estruturados fundamentais para a aplicação de algoritmos de BI e de Inteligência artificial. Tudo isso 24 X 7 X 365.

O outro bloco será formado pelas pessoas, e delas dependerá o sucesso do bloco dos API´s. Serão as pessoas que definirão como os sistemas dos stakeholders citados anteriormente se conectarão com os sistemas da empresa. As pessoas farão uma análise das informações geradas pelas aplicações de BI e IA e darão subsídios para otimizar os API´s, trazendo cada vez mais valor para todos os envolvidos no ecossistema do qual a empresa faz parte.

O quanto de investimentos serão aplicados nos dois blocos dependerá do estágio da transformação digital em que a empresa se encontra. Se a transformação está no estágio inicial os investimentos no bloco 2 serão maioritários. Caso o estágio de digitalização esteja já avançado, o bloco 1 receberá o maior percentual dos recursos.

Cabe ao CEO, à diretoria e aos Conselhos de Administração e Consultivo conduzir essa jornada rumo à digitalização. De todos esses elementos de gestão, principalmente aos Conselhos, cada vez mais exige-se uma razoável cultura digital para definir com ousadia e inteligência os investimentos em TI, mas de forma a estarem sempre alinhados com os objetivos da empresa.

Há uma clara tendência mundial de termos os investimentos no Bloco 1 muito maiores do que no 2. Fazendo uma extrapolação, podemos dizer que o Bloco 2 a longo prazo desaparecerá? Contava-se a piada, nos primórdios da TI no mundo, que a empresa do futuro teria dois empregados: um cachorro para não deixar ninguém mexer nas máquinas e um homem para alimentar o cão. Hoje a piada mudou. Em empresas de serviço nenhum dos dois serão necessários. O futuro dirá.

Sergio Basilio é Conselheiro Consultivo em empresas públicas e privadas

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