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Pix trará revolução para os pagamentos digitais no Brasil

O Pix é uma nova modalidade de pagamentos instantâneos que pode mudar os relacionamentos comerciais de todos os brasileiros num futuro próximo

Por  Wander Cunha

11:41 - 2 de outubro de 2020
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Businessman touching icon online banking and icon network connection, online payments, shopping and digital technology business on virtual screen dark blue background

Nas últimas quatro décadas o mercado financeiro brasileiro evoluiu muito, desde a automação de processos à disponibilidade de novos canais, tais como: ATMs (Caixas Eletrônicos), atendimento 24h por telefone, Internet e, mais recentemente, o mobile banking. Em todos estes movimentos, os produtos e serviços financeiros foram adaptados, e, embora a criação do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB tenha trazido um ótimo avanço, ainda foi insuficiente para provocar grandes alterações às estruturas do mercado financeiro nacional.

No entanto, com o progresso acelerado da tecnologia e as novas formas de pensar, temos conceitos realmente diferentes despontando, e que podem direcionar à criação de novos negócios; inovadores, descentralizados, alguns até com mais riscos, mas também com ferramentas que propiciam muito mais controle e segurança que antes.

No dia 16 de novembro deste ano, o Banco Central vai começar a operar o Pix, modo de pagamento que permitirá o envio de dinheiro em qualquer dia, a qualquer hora e com compensação imediata—isso sem falar nos custos, zerados para as pessoas físicas. Com essas características, o Pix é uma plataforma instantânea para pagamentos e um concorrente de peso para TED, DOC, cartão de débito, papel moeda, boletos e, a depender, até mesmo para o cartão de crédito.

Em um primeiro momento, o Pix pode ser visto como um simples substituto para o TED, contudo, há muito mais por trás deste novo produto.

Para entender um pouco destes efeitos vamos analisar o caso da Índia, que implantou o UPI (Unified Payments Interface) há quatro anos, em conjunto com uma nova moeda digital. O UPI permitia a realização de transações de pagamento em tempo real a um custo muito baixo, assim como o Pix. Isso gerou uma revolução em termos de inclusão financeira digital, o que refletiu na criação de centenas de milhões de novas contas digitais.

Ao contrário do que se esperava, o UPI não veio junto com um crescimento do número de Wallets, uma vez que o comércio não precisava mais criar wallets próprias para baixar o custo das transações. O que ocorreu foi a concentração de usuários nas Wallets com melhor experiência e maior abrangência, como o Google e a Apple.

Também foram criados novos modelos de negócios de pagamentos, agregando mais dados analíticos e simplificando a vida, além de gerar boas economias para os usuários.

No Brasil, com 45 milhões de adultos desbancarizados e mais de 90 milhões de usuários de smartphone, espera-se que o Pix gere um efeito inclusivo, assim como ocorreu na Índia. No nosso caso, apesar de ainda não termos a moeda digital, também é esperada uma redução do número de transações com dinheiro em espécie, uma vez que compras de valores muito baixos poderão ser feitas com segurança de maneira digital.

Por fim, há empresas testando o Pix agendado como um mecanismo de substituição do cartão de crédito convencional, mas com um custo transacional muito mais baixo. Este método pode vir junto com diferentes novos produtos de crédito focados em atender diferentes setores do mercado.

Ainda é difícil prever, mas é certo que mudanças vão acontecer e novas oportunidades surgirão. Creio que essas novas possibilidades de negócios vão aflorar pelo Brasil nos próximos anos. A criatividade do brasileiro deve impulsionar ideias para nichos específicos de clientes ou mesmo negócios totalmente inovadores envolvendo micro pagamentos ou microcrédito.  Tudo isso permitirá revoluções em certos setores, e, quem sabe, o surgimento de outros baseados nesse mesmo modelo.

 

*Wander Cunha é Diretor Executivo e Head de Digital Business na TIVIT

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