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CIO Insight: Gestão do faturamento e comercialização de energia elétrica

No setor de utilities, o sistema de faturamento e comercialização exerce papel estratégico nas corporações. A Eletronorte, há mais de 20 anos, vem trabalhando na construção e evolução do sistema de billing. Denominado Ajuri, nasceu na plataforma mainframe, passou para cliente-servidor – já orientada a objetos – e, atualmente, encontra-se em processo de adaptação para o ambiente web (Java). E o módulo que atende aos consumidores finais via internet está no ar. 

O desenvolvimento em plataforma aberta foi iniciado em 1996 e vem sendo utilizado pelas subsidiarias integrais da Eletronorte. Em 2004, a holding Eletrobrás, a partir da federalização de quatro empresas estaduais, assumiu o controle da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), do Piauí (Cepisa), de Rondônia (Ceron) e do Acre (Eletroacre), sendo que cada uma tinha seu sistema específico de billing.

  Esse fato passou a representar um dos aspectos importantes a serem avaliados na gestão centralizada pela Eletrobrás, uma vez que, para isto, os processos deveriam ser padronizados e unificados, respeitando-se as legislações estaduais e características específicas de cada empresa. Após avaliar as soluções de mercado, a Eletrobrás optou por utilizar o Ajuri.

 Coordenado pela Eletrobrás junto com a Eletronorte, o projeto resultou na implantação de 19 grandes melhorias no sistema, as quais permitiram a operação unificada na Cepisa, Ceal e Ceron. Resta ainda a implantação na Eletroacre. O sistema conta com as funcionalidades do billing tradicional, porém, totalmente desenvolvido e customizado para o setor elétrico.  

 Além do grande sucesso do projeto, obtido com a padronização e simplificação da plataforma tecnológica do Ajuri, ele representou uma enorme economia de recursos financeiros para a Eletrobrás, uma vez que se evitou a contratação e aquisição de licenças com suporte e manutenção de soluções de faturamento do mercado. Outro aspecto importante, que também representou grande redução de custos, foi a condução interna do projeto, evitando a contratação de uma consultoria.

 O projeto Ajuri mostrou que com o esforço conjunto, desprendimento e cooperação das empresas é possível construir soluções baratas e altamente eficientes na esfera pública. Dentre os fatores críticos de sucesso destacam-se a gestão conjunta e online de todas as empresas de distribuição; a criação do subcomitê gestor do Ajuri voltado para as ações de negócio (usuários) e de TI (informática); as funcionalidades permitiram a padronização e normatização dos processos comerciais de todas as empresas; e o intercâmbio de experiências promovido por aproximadamente 25 profissionais de TI e de comercialização de energia.

  Em breve, as empresas poderão contar com o novo Ajuri, todo desenvolvido para o ambiente web e em plataforma open source, tornando disponíveis facilidades de integração e evolução por meio de web services e SOA, garantindo assim uma maior robustez, escalabilidade e baixo custo total de propriedade.

* Eduardo de Oliveira Lima é superintendente de TI das centrais elétricas da Eletronorte e escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil.

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