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CEO do Uber sugere criação de fundo de benefícios para trabalhadores informais de aplicativos

Dara Khosrowshahi, CEO do Uber, sugere que empresas que dependem de trabalhos informais ou temporários sejam obrigadas a criar um fundo de benefícios aos trabalhadores. Em artigo assinado pelo executivo, publicado no New York Times nesta segunda-feira, Khosrowshahi diz que se um fundo como esse já existisse, gig companies (empresas que usam aplicativo para intermediar clientes e prestadores de serviços) poderiam já ter destinado milhões de dólares aos trabalhadores.

O Uber, segundo ele, poderia ter contribuído com US$ 655 milhões para os fundos de benefícios no ano passado se tal lei existisse em todos os 50 estados dos Estados Unidos.

“Tomando um exemplo, estimamos que um motorista no Colorado com média de mais de 35 horas por semana teria acumulado aproximadamente US$ 1.350 em fundos de benefícios em 2019. Isso é o suficiente para cobrir duas semanas de folga remunerada ou o pagamento de prêmio anual médio para seguro saúde subsidiado disponível por meio de uma parceria Uber existente”, explica no artigo.

De acordo com o site da CNBC, o procurador-geral da Califórnia, Xavier Becerra, e os procuradores da cidade de Los Angeles, San Diego e San Francisco entraram com uma ação contra o Uber e seu rival Lyft em maio, alegando que eles infringiram a nova lei do estado, que visava reclassificar os trabalhadores de gig companies como empregados, em vez de contratados.

Grandes empresas que dependem dos trabalhadores informais se opuseram à lei e apoiaram uma iniciativa de votação visando reverter a exigência.

No artigo, Khosrowshahi diz que é preciso uma “terceira via”, mas que é necessário ser específico, para que novas ideias se tornem, de fato, novas leis.

Para o executivo, as empresas da gig economy deveriam ser obrigadas a fornecer cobertura médica e de invalidez para quando os trabalhadores se machucarem no trabalho, porém, atualmente não podem oferecer tais benefícios “sem arriscar sua condição de independência perante a lei”.

Além disso, as novas leis também devem impedir que as empresas neguem oportunidades a trabalhadores independentes com base em classificações como raça e gênero, argumentou.

“Nosso sistema atual é binário, o que significa que cada vez que uma empresa oferece benefícios adicionais aos trabalhadores independentes, menos independentes eles se tornam. Isso cria mais incerteza e risco para a empresa, que é um dos principais motivos pelos quais precisamos de novas leis e não podemos agir inteiramente por conta própria. É hora de ir além dessa falsa escolha. Para começar, todas as empresas da gig economy precisam pagar pelos benefícios, devem ser mais honestas sobre a realidade do trabalho e devem fortalecer os direitos e a voz dos trabalhadores”, diz no artigo.

O CEO sugere que as empresas que dependem do trabalho temporário ou de “não contratados” (freelancers) sejam obrigadas a criar fundos de benefícios que possam ser usados pelos trabalhadores para qualquer coisa, desde seguro saúde até folga remunerada.

A movimentação do fundo seria baseada no número de horas de trabalho dedicadas. Como todas as gig companies teriam que contribuir para o fundo, os trabalhadores seriam capazes de acumular benefícios mesmo alternando entre os aplicativos que usam para ganhar dinheiro. Os trabalhadores também teriam permissão para escolher os benefícios que desejam.

Khosrowshahi disse que o Uber se propõe a ser mais transparente sobre o que os motoristas fazem e a realidade do trabalho.

“Comprometemo-nos a pesquisar cada um dos motoristas ativos no país sobre o que está funcionando e o que não está e a divulgar publicamente os resultados, não importa o que digam. Com as próximas eleições, nos comprometemos a ajudar todos os motoristas a se registrar para votar, para que os trabalhadores independentes tenham uma voz mais forte em nossa democracia”.

O CEO contou que a empresa lançou um novo estimador de ganhos para tornar a relação com o motorista também mais transparente. O estimador usa dados históricos para dar aos motoristas uma visão mais clara do que eles podem esperar ganhar em sua área, antes mesmo de se inscrever, de acordo com seu artigo.

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