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CEO da Kaspersky diz que sairia da Rússia se governo pedisse para espionar EUA

O fundador e CEO da Kaspersky Lab, Eugene Kaspersky, afirmou nesta semana que a empresa deixaria a Rússia caso o governo pedisse para espionar países do Ocidente, mais precisamente os Estados Unidos. Segundo declarações de Eugene dadas a jornalistas em encontro realizado em Londres, a Kaspersky Lab nunca recebeu nenhuma solicitação por parte dos serviços russos de inteligência. 

A suspeita dos laços entre a inteligência russa e a Kaspersky Lab levantou preocupações das autoridades norte-americanas já em 2016. Em outubro deste ano, o The New York Times noticiou que o software de antivírus da Kaspersky, usado por várias agências dos EUA, havia sido supostamente explorado por hackers russos como uma espécie de ferramenta de buscas para acessar informações sensíveis do governo americano. Outras reportagens também questionavam o relacionamento do software da empresa russa e o Kremlin. As suspeitas culminaram com o governo norte-americano banindo todas as agências federais de usar os programas da empresa.

Kaspersky se defendeu e disse que as acusações não são verdadeiras. “Nós nunca ajudamos a espionar agências. Não importa se elas são russas ou de qualquer outro país. Nós fazemos o melhor com os nossos produtos e serviços”, disse. 

“Eles foram desenhados para impedir ataques, para reconhecer código malicioso e não para espionar nossos clientes”, acrescentou. Perguntado se o Kremlin alguma vez pediu à companhia para espionar governos, Kaspersky disse aos repórteres que isso nunca aconteceu e que se acontecesse, ele tiraria a companhia de sua base, Moscou. “Se o governo russo chegar até mim e me pedir para fazer qualquer coisa errada – ou aos meus funcionários – eu tiraria o negócio da Rússia”, ressaltou. 

Apesar do governo dos EUA ter banido o software da Kaspersky, o executivo disse aos jornalistas que tal perda não o preocupa, uma vez que seus produtos não eram usados extensivamente pelo governo norte-americano. Segundo ele, a receita nos Estados Unidos será em torno de 5% a 8% menor no ano fiscal atual quando comparado ao ano anterior. Em compensação, disse Kaspersky, a receita na Europa deve se manter estável e no resto do mundo continuará a crescer dois dígitos. 

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