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Cartilha defende que o fluxo de dados entre fronteira deve ser livre de amarras

O fluxo de dados transfronteira, que durante o governo militar chegou a ser considerado questão de segurança nacional, hoje é essencial para serviços que aquecem o comércio global, melhoram a saúde e a segurança, promovem bem-estar social e viabilizam tecnologias do futuro. Quem afirma é a BSA|The Software Alliance, que acaba de publicar uma cartilha – “Cross-border data flows” – mapeando as principais atividades que dependem da livre circulação de informações e dados no mundo.

“Dados
precisam circular livremente para que, não importa onde você esteja,
você tenha acesso às informações e aos serviços que precisa”,
explica o country manager da BSA no Brasil, Antônio Eduardo Mendes da
Silva, conhecido como Pitanga. “Todos, desde empresas até indivíduos,
dependem da transferência de dados. Ela leva negócios de todos os
tamanhos a aumentar sua eficiência e competitividade
e abre caminho para um mundo mais seguro e saudável”, completa.
Conforme um relatório recente do World Economic Forum, “O livre fluxo de dados … permite o compartilhamento de ideias e informações e a disseminação de conhecimento, assim como a colaboração entre indivíduos e empresas. A inovação capacitada pela Internet exige um ambiente que encoraje os indivíduos a experimentarem os novos usos da internet. Em locais com severas restrições que inibam a colaboração digital, as pessoas estarão menos propensas a experimentar e, como resultado, a inovação dificilmente emergirá”.
A cartilha da BSA lista setores e negócios que dependem diretamente do fluxo de dados entre países:

1. Comércio Global

Comércios
online precisam manter e transferir dados pessoais e comerciais por
fronteiras para monitorar pedidos e estoque, especialmente quando contam
com vendedores terceirizados para comercializar seus produtos. Além do
varejo, negócios que operam globalmente, como hotéis, montadoras de
carros e empresas de logística, se beneficiam quando usam análise de
dados provenientes de todos os países onde atuam
para alcançar mais consumidores, melhorar a experiência do cliente e
trabalhar de maneira mais eficiente.

2. Cibersegurança

A
possibilidade de coletar e analisar dados provenientes de escritórios
de diferentes países é essencial para que multinacionais reforcem sua
cibersegurança,
especialmente quando se trata de grandes provedores de serviços, como
e-mail. Além disso, a prevenção contra ciberataques requer não apenas
análise interna, mas também colaboração com stakeholders externos. Vale
adicionar que o armazenamento de dados de maneira
centralizada é menos seguro do que distribui-lo ao longo de diversas
centrais. Assim, caso uma localidade seja comprometida, o vazamento é
contido e não deixa todo o sistema vulnerável.

3. Recursos Humanos

Graças
ao fluxo de dados, empresas multinacionais fazem a gestão de
escritórios e plantas em diversos pontos do mundo, o que possibilita
que funcionários e prestadores de serviços trabalhem remotamente a
partir de qualquer localização. Desta maneira, as empresas têm à
disposição um banco de talentos cada vez mais global.


4. Cartões de crédito
O
computador do seu banco consegue analisar sua compra e sua localização
em segundos quando você usa o seu cartão de crédito, não importa em qual
ponto
do mundo você esteja. Baseado nessa análise, o sistema pode autorizar a
operação ou identificá-la como uma fraude e impedi-la.
5. Saúde
A
transferência de dados de pacientes entre fronteiras permite que
hospitais aproveitem todos os benefícios de softwares de suporte.
Eles analisam os históricos dos pacientes e detalhes de seus planos de
saúde para ajudar médicos a escolherem tratamentos mais eficazes,
reduzindo riscos. Também existem criam uma rede de discussão para que
médicos consultem outros profissionais antes de dar
um diagnóstico e ainda há outros que ajudam a prever o comportamento dos
pacientes, dando espaço para ações preventivas.
6. Ajuda humanitária
Agências
de ajuda humanitária usam padrões de mobilidade para decidir onde agir
após desastres naturais, por exemplo. Também avaliam
taxas de retorno para identificar áreas onde a reconstrução pode não
estar progredindo.
A publicação ressalta ainda que a livre circulação de dados é fundamental para o desenvolvimento tecnológico. O mundo está cada vez mais conectado por meio do compartilhamento de dados a partir do surgimento da Inteligência Artificial e do Blockchain. Os dados devem ser livres para se moverem entre as fronteiras a fim de continuar como crescimento global da economia e promover a inovação.

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