Se num passado recente os executivos de TI estavam isolados no departamento de tecnologia e eram raros os casos de profissionais que ultrapassavam essa barreira e migravam de área ou mesmo acumulavam novas funções, esse cenário tem mudado. Tem sido cada vez mais comum CIOs agregarem novas áreas, assumirem outros desafios ou darem um salto maior, convertendo-se em CEOs.
Claro que não podemos dizer que a maioria dos executivos já está nesse patamar. Até por isso, o tema que a IT Mídia tratará no IT Forum 2013, que acontecerá entre 1 e 5 de maio, na Bahia, será o ?CIO que você precisa ser?, que nada mais é que chamar esses gestores para uma reflexão sobre o papel que eles têm desempenhado nos últimos anos e o que as empresas de fato esperam deles. Para discutir o assunto, o coordenador do Programa de Liderança em TI, da Universidade da Santa Clara, Pete DeLisi, foi convidado para a sessão de keynote. Ele abordará as habilidades executivas que os CIOs precisam desenvolver para, não só assumirem novos desafios, como, também, garantirem um futuro de destaque na carreira.
É verdade, no entanto, que temos no Brasil nomes que fizeram uma evolução interessante e, ao longo da experiência, assumiram diversos papeis, chegando até à cadeira de CEO. Dorival Dourado, da Boa Vista Serviços, é um exemplo. Antes de alçar a presidência da companhia, ele havia sido CIO da Serasa Experian. Outro que passou por situação similar é Emílio Vieira, que antes de liderar a BizTalking, empresa que ele mesmo fundou, passou por empresas como Porto Seguro e Allianz, nas funções de CIO e COO.
Mais recentemente, podemos citar Paulo Guzzo, que liderou a TI da Cielo, acumulou operações e hoje está nos Estados Unidos, como CEO da Merchant e-Solutions, empresa adquirida pela própria Cielo. No quesito de acúmulo de funções, Tânia Nossa, líder da TI da Alcoa para América Latina, é também um exemplo interessante. Em conversa recente com InformationWeek Brasil, ela confidenciou ter herdado toda a área de serviços compartilhados da companhia e, além de prestar os serviços de tecnologia, ela responde pela oferta de serviços financeiros, recursos humanos, saúde, meio ambiente e segurança, dentro de uma estrutura com 350 funcionários.
Independentemente de acumular áreas, entretanto, é consenso entre especialistas, como Pete DeLisi, que o perfil do CIO tem passado por uma grande mudança recentemente e os executivos precisam estar atentos a essa virada. O momento é de estar cada vez mais integrado ao negócio, a ponto de poder discutir a estratégia corporativa global, mas isso só é possível a partir do aprimoramento profissional e do desenvolvimento de habilidades como as citadas pelo professor. De outra forma, o diálogo com as demais áreas fica mais complexo. É notório que os gestores de TI de maior destaque são aqueles que conseguem desenvolver projetos pensando o negócio fim, demonstrando grande conhecimento de causa e intimidade com as necessidades reais das áreas de negócio.
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