Estudo do laboratório de cibersegurança da Psafe, empresa brasileira de cibersegurança, aponta que, entre janeiro e agosto deste ano, foram detectados 920 mil golpes no mundo virtual com foco em roubo de dados financeiros de consumidores para clonar cartões de crédito. São 3,6 fraudes por minuto, segundo o levantamento.
Emílio Simoni, diretor do laboratório da Psafe, acredita que vivemos uma “explosão em fraudes com cartão de crédito no Brasil”. “E a ação de criminosos tende a se intensificar no fim do ano”, afirmou, ao jornal O Estado de S. Paulo.
O estudo não permite uma comparação com ano anterior, já que os dados começaram a ser coletados em setembro de 2017. No entanto, apesar do crescimento registrado nos últimos meses, a clonagem de cartões de crédito já não é novidade no Brasil.
A ACI Wordwide indicou, há dois anos, em um relatório, que o Brasil tinha, ao lado dos EUA, ao segunda maior incidência em fraudes com cartão de crédito, envolvendo 48% dos usuários. A liderança global era do México, com 51% dos usuários relatando fraudes deste tipo.
Recentemente, Ministério Público e Polícia Civil criaram uma força-tarefa, tocada de maneira sigilosa, para mapear a origem dos estelionatários, que aparentemente têm ramificações em todo o País e até no exterior.
O combate, no entanto, é prejudicado pelo fato de poucas pessoas procurarem a polícia para denunciar. É o que lamenta o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo.
O diretor do comitê de segurança da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de crédito (Abecs), Moisés dos Santos, por sua vez, afirma que os bancos e as operadores de cartão de crédito não têm o menor interesse em falar sobre o assunto. “As empresas do setor não precisam provisionar as fraudes com cartão, já que os custos não ficam com eles (ficam com as seguradoras, o varejo e os próprios consumidores). E assumir essas fraudes prejudicaria a eficiência das operações”, disse.
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