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Brasil segue com gargalos em inovação

Diversos elementos, como demora para obtenção de patentes e baixo índice de substituição de tecnologias obsoletas, retardam a inovação no Brasil. A conclusão é do estudo Índice Qualcomm de Inovação da Sociedade (QuISI) realizado pela consultoria IDC, a pedido da Qualcomm.

O levantamento, realizado na Argentina, Brasil, Colômbia, México e Peru, analisou a adoção de novas tecnologias para entender se pessoas, empresas e governos estão preparados para compor uma sociedade tecnologicamente inovadora. Quatro elementos foram avaliados: fundamentos para inovação, ou seja, o papel das startups, aceleradoras, universidades e empresas de pesquisa e desenvolvimento; pessoas, para entender o consumo de tecnologia; negócios para mapear como as empresas fomentam a inovação; e, por fim, o governo, para entender o papel incentivador do governo.

Cada item apresenta um peso, gerando a nota final. O Brasil ficou com 15,67, um pouco melhor do que em 2015, quando registrou 14,77, mas com poucas evoluções. Na América Latina, Argentina, México e Colômbia estão à frente, com 17,23, 16,51 e 15,05,  respectivamente. Globalmente, lideram Singapura e Suíça.

“O Brasil mostra relevância no quesito pessoas, com forte adoção de celulares e alto número de download de aplicativos”, observou Reinaldo Sarkis, gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil. Contudo, disse, o consumo de smartphones está baixo, a substituição lenta e ainda existe oportunidade de troca de tecnologias obsoletas. Além disso, destacou, o consumo de dados tem aumentado, mas a migração para 4G e a produção local de apps precisam ser incentivadas.

Em fundamentos para inovação, que passou a ser computado neste ano, Sarkis assinalou que o capital disponível para inovar aumentou nos últimos anos, mas ainda está aquém das necessidades brasileiras. Sobre as startups, ele lembrou que 30% não passam do primeiro ano de vida e o ideal nesse caso é que as empresas nascentes tenham um bom planejamento e plano de negócios. “O empreendedor deve entender que a startup é uma empresa em toda sua complexidade de pagamentos de impostos, mão de obra e busca de lucratividade”, alertou.

Sobre o registro de patentes, Sakis comentou que o processo no Brasil está muito longo do ideal. Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para América Latina, relatou, por exemplo, que a última patente da fabricante aprovada em solo nacional foi em 2003. “Esse é um forte problema de estímulo à inovação, já que o registro significa a proteção do trabalho”, comentou. “Um país inovador é mais eficiente na criação e proteção da inovação”, completou Sakis.

Empresas e governo
Do lado das companhias, o especialista da IDC apontou que o estudo revela que organizações ainda não entenderam a relação do investimento em inovação, da transformação digital e das tecnologias da terceira plataforma – que engloba mobilidade, big data, social e cloud – com o sucesso.

Já em relação ao governo, o estudo apontou que, de fato, a agenda pública inclui investimento em Smart grid e Smart City, mas em um País com dimensões continentais e com problemas econômicos, esse temas têm sido um desafio.

A evolução do setor público nos últimos meses na questão de levar serviços para o cidadão por meio da internet foi importante, mas também precisa avançar, observou Sakis. Outra conclusão do estudo nesse item foi a de que o investimento em educação está abaixo do ideal e precisa melhorar para impulsionar o País.

“Buscamos sempre executar ações para eliminar gargalos de inovação e promover maior uso da tecnologia. Estamos em contatos contato com universidades e governo. Contudo, essa é a uma tarefa de todo o mercado. É do governo, indústria e pessoas”, finalizou o presidente da Qualcomm para América Latina, promovendo uma reflexão sobre o tema.

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