Brasil Digital: ‘há muito trabalho a ser feito’

O que torna um país digital, amigável para o crescimento do ecossistema de startups? Segundo Franklin M. Luzes Jr., COO da Microsoft Participações, empresa de investimentos de capital de risco associada à gigante de informática, são cinco fatores: performance, financiamento, alcance de mercado, talento e experiência.

O executivo, que esteve no palco Nação Digital do IT Forum Expo nesta quinta-feira (18/10), ressaltou que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer se quiser alcançar gigantes como os EUA, por exemplo. Se aqui temos apenas um unicórnio (startup avaliada em mais de U$ 1 bilhão), o Nubank, os americanos contam com 121 dessas empresas.

“Aqui há muito trabalho para ser feito. Para avançar nesse ecossistema vamos ter que criar saídas”, disse à plateia.

Outra comparação: em 2017, o Brasil não chegou a um bilhão de dólares investidos em startups, enquanto os EUA alcançou US$ 87 bilhões. “Embora a economia americana seja 10 vezes a brasileira, o financiamento é 87 vezes maior. Tem alguma coisa errada.”

Segundo o executivo, é preciso atrair muito dinheiro para o Brasil, e a falta de capital disponível (ou o custo dele) afeta a performance da economia. Outro fator importante é preparar melhor os empreendedores não só com conhecimentos técnicos e de mercado, mas com atributos básicos como a língua inglesa fluente.

“Eu vi um exemplo essa semana mesmo. Investidores internacionais pedindo para pararem uma apresentação porque não entendiam o inglês falado pelos empreendedores”, contou.

Capital de risco

A contribuição da Microsoft para o ecossistema brasileiro é o Fundo BR Startups. Formado por grandes corporações – Microsoft, Banco Votorantim, Monsanto, Grupo Algar, Banco do Brasil Seguros e outras – o fundo investe entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões em startups. O objetivo é incentivar as empresas brasileiras a apoiar novos empreendedores.

Em 2017 foram três rodadas de investimentos nos segmentos de agritech, fintech e insurtech. As startups incentivadas recebem desde orientação ao aprimoramento da tecnologia, acesso à rede comercial e criação de condições necessárias para as futuras rodadas de investimento.

Segundo Luzes Jr., o fundo aposta em startups que demonstrem forte potencial de inovação. “O foco é promover a transformação digital em empresas de setores estratégicos”, disse.

Criado em 2014, o fundo captou mais de R$ 27 milhões e investiu em empresas como a TBIT, QueroQuitar e Car10, entre outras.

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