Em umas cenas de um capítulo da série norte-americana Mr. Robot, hackers passam a ter controle de uma casa totalmente conectada. Eles mudam a temperatura do ar-condicionado, ligam a TV e piscam as luzes. Com o avanço da internet das coisas (IoT) cenários como esse podem sair da ficção e se tornar realidade.
“Estamos construindo um mundo muito conectado. De certa forma, isso é muito positivo, mas é um risco grande. Uma porta para cibercriminosos”, alerta Roberto Martinéz, analista sênior de segurança do Grupo de Investigação e Análises da Kaspersky Lab.
Com mais de 6 bilhões de coisas conectadas, segundo o instituto de pesquisas Gartner, como será possível fortalecer a segurança digital? Uma das respostas, de acordo com Martinéz, está no conceito emergente de blockchain of things.
O blockchain é conhecido por sua forte criptografia e descentralização. “Por suas características, ele fará o intercâmbio de dados de forma segura, reforçando a autenticação e a validação das informações para que dispositivos sejam mais seguros, criando, assim o blockchain das coisas”, explica ele.
De acordo com o executivo, a aplicação da tecnologia nessa vertente está em fase de investigação e experimentação. O desafio atual está em entender se seu uso aumentariam os custos de infraestrutura e de consumo de energia.
Martinéz lembra o que acontecerá se cibercriminosos apostarem cada vez mais no ataque a coisas conectadas. “Dispositivos conectados à web geralmente têm baixo custo e são de fácil acesso. É a verdadeira Internet of Evil Things”, alerta.
Em 2020, uma a cada cinco transações será realidade por meio de relógios inteligentes, movimentando cerca de US$ 500 bilhões ao ano em todo o mundo. Compras por meio de coisas, como geladeiras e carros, serão comuns. “É por isso que esse é o momento ideal para a indústria pensar em tecnologias e segurança by design”, assinala ele.
*A jornalista viajou a Buenos Aires, na Argentina, a convite da Kaspersky
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