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Blockchain faz a gestão de lixo para descarte politicamente correto

O Brasil produz anualmente mais de 78 milhões de toneladas de lixo, segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb). Desse total, menos da metade (40,9%) é descartado de forma correta. Sistemas de blockchain, combinados com internet das coisas (IoT) e outras tecnologias digitais têm a proposta de ajudar o país a reciclar mais e reduzir impactos no meio ambiente.

Desde 2010, o Brasil conta com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei federal que estabelece uma série de diretrizes e metas de gerenciamento ambiental que devem ser cumpridas em todo o território nacional. Entretanto, a gestão do lixo no país ainda é um grande desafio.

Durante o IT Forum X, realizado na semana passada, a empresa Green Platforms apresentou uma solução para melhorar a gestão do lixo no mercado brasileiro. Trata-se da PlataformaVerde, sistema de blockchain, fornecido em nuvem, com capacidade para monitorar em tempo real ações de todos envolvidos na cadeia de tratamento de resíduos sólidos, desde a coleta, passando pelo transporte, até a sua destinação final.

“Nossa ideia é ir além da parte legal e fornecer aos clientes indicadores sobre a gestão do lixo”, informa William Gerst, fundador da PlataformaVerde. Ele explica que um dos problemas enfrentados atualmente pelas indústrias é que elas contratam uma empresa para transportar seus resíduos sólidos e não sabem se o descarte foi realizado adequadamente.

A tecnologia de blockchain nasceu para fazer transações financeiras com segurança das criptomoedas. Depois, seu uso se estendeu para outros segmentos da economia. Hoje, esses sistemas estão entrando em cadeias produtivas, que precisam ter certeza de que as operações foram realizadas em todas as etapas.

“Estamos trabalhando para diminuir a desconfiança e garantir que o lixo saiu da empresa, chegou ao centro de resíduos e que será descartado de forma inteligente”, ressalta o executivo. Para garantir a rastreabilidade de ponta a ponta, a companhia desenvolveu lixeiras com sensor de IoT.

De acordo com Gerst, “o sistema dispara um alarme quando a lixeira está quase cheia para que a coleta seja realizada, evitando que o lixo se espalhe pelo chão, com risco de aparecimento de ratos e insetos”.  Ele conta que há situações em que os resíduos são recolhidos quando a lixeira está pela metade, tornando o trabalho ineficiente.

Com ajuda de uma prensa, a PlataformaVerde identifica também os tipos de lixo recolhidos, fornecendo dados sobre a quantidade, por exemplo, de plástico ou de alumínio processados. “As empresas precisam desse número certo para obter créditos. Às vezes, esses materiais são desviados, principalmente os de alumínio que são de alto valor agregado, diz Gerst, destacando que a tecnologia de blockchain traz mais transparência para as operações.

Atualmente, a PlataformaVerde está sendo utilizada pela por empresas como Riachuelo, Carrefour, Renault, Scania e Gerdau. A tecnologia também foi adotada pela prefeitura de São Paulo para controlar o lixo gerado pela pelas empresas da capital paulista e saber se o descarte está sendo adequado realizado adequadamente.  Desta forma, o município espera aumentar os índices de reciclagem.

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