Categories: Notícias

Bancos são alvos de novos ataques, incluindo golpes do cartão com saldo infinito

Cibercriminosos estão adotando táticas e ferramentas das APTs apoiadas por governos para roubar bancos, de acordo com a Kaspersky Lab. Há um ano, a empresa de segurança identificou uma campanha chamada de Carbanak e, agora, ela possui a versão 2.0.
O alvo principal dos cibercriminosos são instituições financeiras e eles utilizam de malware oculto e personalizado, de reconhecimento no estilo das APTs, em conjunto com softwares legítimos e esquemas novos e inovadores para sacar dinheiro em caixa eletrônico. Outras duas ameaças foram detectadas pela companhia e utilizam o mesmo método de ataque: Metel e o GCMAN.

Golpe do cartão com saldo infinito
O grupo de criminosos virtuais Metel tem diversos truques em seu repertório, mas chama a atenção um esquema muito inteligente: eles tomam o controle de computadores do banco com acesso a transações financeiras (como os computadores da central de atendimento/suporte) e, assim, conseguem automatizar a reversão de transações em caixas eletrônicos.
Isso garante que saldos dos cartões de débito permaneçam inalterados, independentemente do número de transações realizadas em caixas eletrônicos. Nos casos observados até o momento, o grupo criminoso roubou valores percorrendo cidades da Rússia durante a noite e esvaziando os caixas eletrônicos de diversos bancos, repetidamente, usando os mesmos cartões de débito emitidos pelo banco comprometido. Em apenas uma noite, conseguiram fazer as retiradas.
Durante a investigação da perícia, os especialistas da Kaspersky descobriram que os operadores do Metel conseguem realizar a infecção inicial por meio de e-mails de phishing criados especialmente com anexos maliciosos e do pacote de exploits Niteris, que visa vulnerabilidades no navegador da vítima.
Depois de entrar na rede, os criminosos virtuais usam ferramentas legítimas e de testes de penetração para se movimentar lateralmente, sequestrando o controlador de domínio local. Em seguida, localizam e obtêm o controle dos computadores usados pelos funcionários do banco responsáveis pelo processamento de cartões de pagamento.
O grupo Metel continua ativo, e estão em andamento investigações sobre suas atividades. Até agora não foram identificados ataques fora da Rússia. Mesmo assim, há motivos para suspeitar que a infecção já esteja muito mais disseminada, e os bancos de todo o mundo foram orientados a verificar infecções de forma proativa.
Porém, em termos de invisibilidade, o GCMAN vai além: às vezes, consegue atacar uma organização sem usar nenhum malware, executando apenas ferramentas legítimas e de testes de penetração.
Em um ataque observado pela Kaspersky, os criminosos virtuais permaneceram na rede por um ano e meio antes de efetivar o roubo. O dinheiro era transferido em somas de aproximadamente US$ 200, o limite máximo para pagamentos anônimos na Rússia. A cada minuto, o agendador CRON disparava um script malicioso e mais uma quantia era transferida para uma conta de dinheiro eletrônico pertencente a uma “mula” de dinheiro. As ordens de transação eram enviadas diretamente para a porta de pagamento posterior do banco, sem aparecer em qualquer ponto de seus sistemas internos.
Carbanak 2.0
E, por fim, o Carbanak 2.0 marca a reaparição da APT (ameaça persistente avançada) Carbanak, com as mesmas ferramentas e técnica, mas um perfil de vítimas diferente e maneiras inovadoras de retirar o dinheiro.
Em 2015, os alvos da ameaça não foram apenas bancos, mas também os departamentos de planejamento financeiro e contabilidade de organizações de interesse.
Em um exemplo observado pela Kaspersky , o grupo do Carbanak 2.0 acessou uma instituição financeira e começou a alterar as credenciais de propriedade de uma grande empresa. As informações foram modificadas para indicar uma “mula” de dinheiro como acionista da empresa, exibindo suas informações de identidade.
“Os ataques a instituições financeiras descobertos em 2015 indicam uma tendência preocupante dos criminosos virtuais de adotar agressivamente ataques no estilo das APTs. O grupo do Carbanak foi apenas o primeiro de muitos: os criminosos virtuais estão aprendendo rapidamente como usar novas técnicas em suas operações, e temos visto um número maior deles deixando de atacar usuários para visar diretamente os bancos. A lógica é simples: é ali que está o dinheiro”, adverte Sergey Golovanov, pesquisador principal de segurança da Kaspersky.

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

12 horas ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

13 horas ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

13 horas ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

13 horas ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

14 horas ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

15 horas ago