Baixa maturidade digital das empresas fomenta uso de análise de dados

O relatório “Guardiões da confiança” (Guardians of Trust, em inglês), realizado pela Forrester a pedido da KPMG, aponta que 85% dos executivos brasileiros confiam nos recursos de análises de dados utilizados por eles. Tais dados se mostram mais relevantes se comparados com outras nações, como Estados Unidos e o Reino Unido que apresentam baixa probabilidade de confiar em dados, alcançando 42% e 43%, respectivamente.

Para chegar a essa conclusão, o levantamento ouviu 2.190 executivos seniores localizados em nove países — Austrália, Brasil, China, França, Alemanha, Índia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

Na análise do sócio da área da análise de dados da KPMG no Brasil, Ricardo Santana, essa variação é ocasionada pelos diferentes estágios de transformação digital que os países se encontram. “Empresas localizadas nos EUA e UK já estão mais orientadas ao uso dos dados na tomada de decisões estratégicas, utilizando informações geradas por algoritmos avançados de redes neurais. Muitos executivos desconhecem o seu funcionamento e sua precisão, criando uma maior desconfiança. Considerando que a maturidade digital da maioria das empresas brasileiras ainda é baixa, com ferramentas apenas apresentando uma descrição dos fatos ocorridos no período, a confiança é maior nos dados”, afirma.

Outra constatação da pesquisa é que a maioria dos entrevistados (62%) afirma que as áreas de tecnologia, e não os executivos de nível de diretoria ou os setores funcionais, são os responsáveis quando há alguma falha em uma máquina ou um algoritmo.

“Existe uma tendência de isentar o negócio principal de tomar decisões relacionadas a máquinas, o que é compreensível devido ao legado da tecnologia ser considerado um serviço de suporte e aos chamados “especialistas” em todas as questões técnicas”, comenta o sócio da KPMG.

Segundo o levantamento, a incerteza dos entrevistados acerca de quem é o responsável gera questionamentos sobre que tipo de governança deveria ser estabelecida para garantir e proteger o uso de análise de dados. Com base nas respostas dos participantes, as cinco recomendações para o desenvolvimento da confiança em uma organização são: desenvolver normas visando a elaborar políticas e procedimentos eficazes para as organizações; aprimorar e adaptar as regulamentações para desenvolver a confiança em análise de dados; aumentar a transparência de algoritmos e metodologias; criar códigos profissionais para cientistas de dados; e reforçar os mecanismos de asseguração internos e externos que validam e identificam as áreas onde existem deficiências.

“Assim que a análise de dados e a inteligência artificial se tornarem onipresentes, será extremamente necessário e mais difícil gerenciar os níveis de confiança. Com a rápida retomada da análise preditiva, devemos nos preparar agora para estabelecer a governança apropriada nesse ambiente ainda sem regras dos algoritmos. A governança de máquinas deve passar a ser o elemento central da governança de toda a organização e o objetivo deverá ser casar o poder e o risco de D&A com a sabedoria para usá-los da forma certa”, completa Santana.

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