Vinton Gray Cerf é conhecido como o “pai da internet” e, como todo bom pai, ele se preocupa com sua cria. Mais recentemente, um assunto que tem lhe despertado preocupação é a Internet das Coisas. “Às vezes fico aterrorizado com IoT”, comentou, para adicionar: “Trata-se da combinação de softwares e utensílios, e fico sempre nervoso quando tem software envolvido – pois software significa bugs”.
A Internet das Coisas oferece ao mundo a habilidade de gerenciar muitos aparelhos dos quais dependemos em nosso dia a dia. Com essa capacidade de monitorar continuamente dispositivos e recursos vem a promessa de adicionar inteligência ao uso desses mecanismos, afirmou.
Equipamentos como o termostato Nest, por exemplo, podem “ajudar a decidir quão bem consigo minimizar custos e utilizar recursos disponíveis. Essa pode ser uma ferramenta importante”, avaliou. Com outras tecnologias, porém, ele acredita que haverá um enorme potencial de dor de cabeça.
Cerf atualmente atua como vice-presidente e evangelista do Google. Contudo, você não irá vê-lo curtindo as cadeiras de massagem que a companhia disponibiliza para seus empregados. “Sei que elas possuem software embarcado. Meu medo é que elas se dobrem e esmaguem meu corpo”, brincou, sinalizando questões relativas à segurança física.
A medida que mais sistemas são embarcados em dispositivos diversos do cotidiano, aumenta a responsabilidade de programadores conseguirem escrever bons códigos, apontou. “Há pontos delicados, alguns técnicos e alguns legais”, adicionou. “Que será responsabilidade quando uma dessas máquinas não funcionar como deveria se o problema estiver no software?”, indagou.
Ele acrescentou ainda a possibilidade de a informação coletada a partir da IoT cair nas mãos erradas. Dados de dispositivos como o Nest podem ser aplicados para propósitos indevidos por criminosos que usariam, por exemplo, registros do termostato para saber quantas pessoas vivem em uma casa e quando estariam na residência.
Protocolos de comunicação reforçados serão essenciais para manter um ambiente de segurança nesse cenário emergente, da mesma maneira que será importante dar aos usuários a flexibilidade de compartilhar acessos se quiserem para empresas ou organizações que podem melhorar alguns aspectos de segurança e de suas vidas.
Cerf acredita que o controle para fornecer acesso desses dados deveria sempre estar sob controle dos usuários. “Mas vamos supor que uma casa está pegando fogo. Seria interessante se os bombeiros pudessem saber quantas pessoas há lá dentro e em quais cômodos estão presos”, ilustrou.
Padrões são outro componente fundamental no mundo da Internet das Coisas. “Caso tudo fique separado e não haja padronização, precisaremos de diferentes recursos para controle e sistemas que monitorem cada um das peças desse ambiente”, explicou. “Não quero sete diferentes hubs e sistemas de controle para cada parte da minha casa”.
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