As máquinas dominarão o mundo?

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3:55 pm - 07 de novembro de 2011

A antevisão de Dawkins sobre vírus

O interessante em tudo isto ? e que me levou a abordar o assunto aqui ? é que o próprio Dawkins, cuja foto obtida na Wikipedia aparece abaixo, percebeu uma forte analogia entre os memes e os vírus de computador. Segundo ele os vírus são uma forma de memes. E deixou isto claro não apenas na edição original do “The Selfish Gene” como também em um comentário na segunda edição.

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Vamos a eles. Porém sempre tendo em mente que a primeira edição foi escrita em 1976, pelo menos um ano antes do lançamento dos primeiros computadores pessoais “de oito bits” e cinco anos antes do PC da IBM. E considerando que o comentário seguinte foi acrescentado à segunda edição, em 1989, antes da disseminação das interfaces gráficas, muito antes que a Internet começasse a se popularizar e em uma época em que o intercâmbio de informações entre computadores se dava através da troca de disquetes.

Então vamos aos textos de Dawkins em uma tradução mais ou menos livre feita por este escrevinhador que vos fala.

Citação da primeira edição de “The Selfish Gene” (1976):

Todo usuário de computador sabe como o tempo de utilização da máquina e espaço de armazenamento na memória são preciosos… Os computadores em que os memes vivem são os cérebros humanos“.

Comentário de Dawkins sobre o trecho acima, inserido na segunda edição (1989):

Era obviamente previsível que computadores eletrônicos fabricados pelo homem também pudessem eventualmente abrigar padrões autorreplicastes de informação ? memes. Computadores estão cada vez mais conectados em intrincadas redes de informações compartilhadas. Muitos deles estão literalmente ligados entre si trocando mensagens de correio eletrônico. Outros compartilham informações quando seus usuários trocam disquetes. Este é um ambiente perfeito para programas autorreplicastes prosperarem e se disseminarem. Quando escrevi a primeira edição deste livro eu fui suficientemente ingênuo para supor que um indesejável meme de computador fosse gerado por um erro espontâneo no processo de cópia de um programa legítimo e imaginei que isto fosse um evento improvável. Ai de mim, aqueles foram tempos de inocência. Epidemias de “vírus” e “vermes” deliberadamente gerados por programadores mal intencionados são hoje riscos comuns para os usuários de computadores em todo o mundo. Que eu saiba, meu próprio disco rígido foi infectado em duas distintas epidemias de vírus durante o ano passado e esta é uma experiência bastante comum entre os usuários habituais de computadores. Eu não citarei os nomes de vírus em particular por receio de propiciar qualquer pequena e sórdida satisfação a seus pequenos e sórdidos perpetradores. “Sórdido” porque seu comportamento me parece moralmente indistinguível daquele de um técnico de laboratório de microbiologia que deliberadamente contamina a água potável e dissemina uma epidemia apenas para rir às escondidas das pessoas que adoeceram. E “pequeno” porque estes indivíduos são mentalmente pequenos. Nenhuma engenhosidade é necessária para criar um vírus de computador. Qualquer programador medíocre pode fazê-lo e hoje em dia programadores medíocres existem a dar com o pau. Eu mesmo sou um deles. E nem mesmo me darei ao trabalho de explicar como funcionam os vírus. É demasiadamente óbvio.

“O que é mais difícil de descobrir é como combatê-los. Infelizmente alguns programadores de alto gabarito são obrigados a desperdiçar seu tempo valioso desenvolvendo programas para detectar vírus, imunizar computadores e assim por diante (a analogia com vacinas no campo da medicina, por falar nisso, é espantosamente estreita, até o ponto da injeção de uma ?cepa atenuada? do vírus). O perigo é que uma corrida armamentista venha a se desenvolver, com cada avanço na prevenção dos vírus se contrapondo a iguais avanços nos novos programas de vírus. Até o momento a maior parte dos programas antivírus são criados por programadores altruístas e oferecidos como um serviço gratuito. Mas eu antevejo o surgimento de uma nova profissão ? subdividida em lucrativas especializações, como qualquer outra profissão ? de ?médicos de software? que atenderiam com suas maletas pretas cheias de disquetes para diagnosticar e curar viroses. Eu usei o termo ?médicos?, mas os médicos verdadeiros se dedicam a resolver problemas naturais que não foram concebidos deliberadamente pela maldade humana. Meus médicos de software, por outro lado, como os advogados, estarão resolvendo problemas criados pelo homem e que, para começar, jamais deveriam ter existido. “Enquanto os criadores de vírus não tiverem qualquer motivação discernível, eles presumivelmente se sentem vagamente anarquistas. A eles eu apelo: vocês realmente desejam criar as bases de uma nova profissão de aproveitadores? Se não, parem de brincar com memes tolos e façam melhor uso de seus modestos talentos de programadores“.

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