Para Francisco Augusto Dias Neto, CIO do Armazém Paraíba, a loja física não está com seus dias contados. A afirmação vai ao encontro de uma realidade na qual as vendas no e-commerce deslancham e propostas como a da “loja do futuro” da Amazon reduzem todo o fluxo da operação humana a um aplicativo de celular. “No varejo, existe uma negociação com o cliente. Às vezes, a gente tem que ter o calor humano”, resume Neto, um dos palestrantes da 20ª edição do IT Forum.
Mas apesar de toda tradição e cultura do varejo tradicional, as lojas de departamento do Armazém Paraíba, populares na região Norte e Nordeste, também têm vivenciado um processo de transformação. E para entregar valor não só para o cliente – como também para o vendedor – a companhia recorreu ao uso de machine learning.
“O vendedor hoje acabou sendo um tirador de pedido. Porque o cliente chega na loja já sabendo o que comprar”, pontua o CIO. Afinal, munido de todas as informações e comparativos encontrados na internet, sobram poucas dúvidas para tirar com o vendedor. Neto reforça: “A tecnologia não vai substituir o humano, mas sim agregar. Por que, então, não trazer conceitos do e-commerce para o mundo físico?”.
Se é o vendedor que recepciona e cativa o cliente, são os algoritmos agora que entendem melhor o comportamento daquele que vai comprar nas lojas Armazém Paraíba. De forma geral, com as informações e histórico de compras do cliente, o sistema alimentado com AI oferece para o vendedor uma ferramenta com sugestões mais assertivas. “A máquina foi ensinada a fazer vendas complementares e o vendedor aprende a fazer essas sugestões”, diz Neto.
Segundo o CIO, a base de dados é atualizada com novas informações frequentemente. Dados que também respeitam a sazonalidade da região são alimentados, já que influenciam diretamente no varejo. Iniciado há cerca de oito meses, o projeto já rende 0,5% do faturamento total da companhia.
“A loja física precisa do vendedor para recepcionar o cliente, mas a máquina pode oferecer algo de valor a partir do contexto dele”, resume o executivo.
Neto aconselha que equipes de TI das empresas também conheçam todas as outras áreas do negócio, inclusive, defende uma aproximação do cliente final.
“Se queremos inovar, gerar, de fato, uma transformação nas empresas, precisamos tirar o crachá e ir a campo. Precisamos nos colocar no lugar do cliente”, reforça.
Em meio a uma onda de projetos que defendem uso de realidade virtual e aumentada e para além da automação, Neto defende que os projetos se alinhem ao negócio: “Não podemos seguir moda, se queremos seguir como TI de negócios”.
Para ele, antes de iniciar um projeto em TI é preciso, inicialmente, responder a uma pergunta básica e essencial: “O que eu preciso fazer do ponto de vista de tecnologia para melhorar a vida do cliente e do colaborador? Existe realmente um fato para poder aplicar a AI? Senão, não faz sentido e não conseguimos ajudar”, conclui.
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