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Apple Pay: o impulso que os pagamentos móveis precisavam?

A Apple está atrasada no mundo de pagamentos móveis. Outras
empresas já atuam nesse mercado há anos, embora com níveis variados de sucesso.
Muitas pessoas esperam que o Apple Pay, novo serviço da fabricante do IPhone
que deve ser lançado ainda este mês, seja o catalisador necessário para
impulsionar efetivamente o uso de sistemas de pagamentos móveis. Mas nem todo
mundo está convencido disso, incluindo executivos de parceiros comerciais da
Apple.

O vice-presidente de experiência digital global da Pizza Hut,
Danny Sullivan, é um deles. “Sou mais pessimista sobre o impacto da
Apple Pay do que a maioria das pessoas”, afirmou recentemente, durante o Mobile
Shopping Summit, realizado nos EUA. O executivo contou que em conversa com a
fabricante, ficou claro que até agora o Apple Pay é apenas um sistema de
pagamento para apps, ou seja, ele não está ligado ao sistema web móvel, “que representa
a maior parte dos negócios em dispositivos móveis. Além disso, ele praticamente não tem nenhuma integração com o Android”, disse.

As reservas de Sullivan incidem sobre o fato do Apple Pay
ser apenas um recurso para pontos de venda. Em outras palavras, pode ser usado
em lojas e restaurantes para fazer compras, mas não será ligado a outros apps –
como o da Pizza Hut – para a realização de compras on-line. O que ainda não sabemos
sobre o Apple Pay, no entanto, é se/como ele irá interagir com a aplicação
Passbook da Apple. O Passbook é um aplicativo para o gerenciamento de contas de
clientes e programas de fidelidade com várias empresas. Muitas companhias
aéreas, por exemplo, integram com o Passbook para gerenciar bilhetes digitais.

A simples substituição dos cartões de crédito, argumentou
Sullivan, não é suficiente. “A indústria tem falado disso há anos, mas
acho que isso só vai acontecer quando as empresas de cartão de crédito pararem
de enviar cartões de plástico, o que não será muito em breve”, afirmou. Do ponto
de vista da experiência do cliente, os cartões de crédito continuam funcionando
muito bem – eles são pequenos, fáceis de serem transportados e rápidos de serem
utilizados. O Apple Pay será lançado inicialmente nos Estados Unidos, e estará
disponível em mais de 20 mil locais do país.

Por outro lado, o VP de e-commerce da Calvin Klein, Brett Miller, apresenta
uma visão diferente. “Meu instinto aponta que será uma virada no jogo. Esse
vai ser o ponto de inflexão em todo o processo porque existem 500 milhões de titulares
de contas no iTunes. Acho que o Apple Pay vem para remover diversos atritos,
mudar todo o cenário dos processos de pagamento e melhorar a conversão de
taxas, especialmente para os varejistas”, expôs em sua palestra no mesmo
evento.

Isso é perfeitamente possível. O Android pode ser a
plataforma de smartphone mais utilizada no mundo, mas os EUA continuam a ser um
reduto da Apple. Os consumidores norte-americanos adoram o iPhone. Por alguma
razão, a Apple Pay tem despertado o interesse desses consumidores que possuem o
celular da Apple de uma forma que outros serviços de pagamento móvel não conseguiram
até agora. O Google Wallet e Softcard (antigo Isis), por exemplo, ainda não são
utilizados massivamente.  

O Apple Pay será ativado por meio de uma atualização de
sistema para o iPhone 6 and 6 Plus, lançados no mês passado. Uma vez ativo, os usuários
desses smartphones poderão encostar os aparelhos nos terminais de pagamento de
diversos varejistas americanos. Uma coisa é certa: a partir do momento que o
consumidor passa a realizar pagamentos por tecnologia Near-Field Communciation
(NFC) com mais frequência, a possibilidade da adoção em massa surge. 

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