Após dois anos em queda, 2017 pode ser retomada para mercado de TVs

O ano era 2014. Euforia pela Copa do Mundo no Brasil e uma profunda recessão econômica não parecia ser algo tão iminente. Esses são apenas dois motivos que impulsionaram o mercado de TVs, que, aliado aos atrativos novos modelos de aparelhos, atingiu número recorde de vendas no Brasil naquele ano: 14,9 milhões de unidades. O número seguia uma tendência de crescimento desde 2010, quando foram vendidas 12,1 milhões.

Um ano depois, fatores como desafios econômicos, aumento do desemprego e retração dos investimentos começaram a virar realidade. O resultado: em 2015 o número caiu drasticamente para 9,5 milhões e, no ano passado, o cenário foi ainda pior: 8,4 milhões. Mas 2017 pode representar um novo fôlego para este mercado.

“Vivemos um momento em que todo mundo está muito preocupado com a manutenção do emprego, mas vai melhorar daqui para frente”, disse o otimista Lourival Kiçula, presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), durante a Eletrolar Show, principal evento voltado ao setor de bens de consumo do país.

Kiçula espera que o mercado atinja a marca de pelo menos 9,5 milhões, com esperança de chegar a casa de 10 milhões, o que colocaria o setor de volta no patamar de 2015. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o avanço em relação a 2016 foi de 30%: 5,22 milhões nos seis primeiros meses de 2017 contra 4 milhões no mesmo período do ano anterior.

O bom resultado do primeiro semestre, para Kiçula, pode ser explicado por fatores como a chegada da TV digital (o sinal analógico já foi migrado para o digital em cidades como Brasília, São Paulo e Recife), além da liberação de recursos de contas do FGTS inativas, que aumentou o poder de compra dos consumidores. Agora, a esperança é nos resultados do segundo semestre, tradicionalmente melhores do que o primeiro, impulsionados pelas vendas de fim de ano.

“A televisão teve um momento fantástico em que mudou, se aperfeiçoou e começamos a ter imagens muito melhores, programas melhores etc. Agora temos tecnologias maravilhosas, mas o custo dos novos produtos com grandes novidades ainda é uma dificuldade para alavancar”, destacou.

Carlos Clur, diretor do grupo Eletrolar, cita outro motivo que tem sido essencial para as vendas de TVs: a Netflix e outros serviços de streaming on-line. “O boom da Netflix foi importante, pois o consumidor pode ter acesso direto às programações. Por ser a empresa de conteúdo que mais cresce no mundo, esse é um fator que ajuda a procura por SmarTVs”, afirmou.

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