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Apenas 0,74% dos sites brasileiros são completamente acessíveis

Segundo o IBGE, mais de 45 milhões de cidadão brasileiros hoje possuem algum tipo de deficiência, sendo cerca de 6,5 milhões deficientes visuais. Com o isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus veio também a necessidade de realizar tarefas cotidianas exclusivamente pela internet, o que faz com que a acessibilidade digital seja um tema ainda mais urgente.

Na véspera do Dia Mundial da Conscientização sobre a Acessibilidade, o Movimento Web para Todos e a BigData Corp anunciaram os resultados da segunda pesquisa sobre a experiência de navegação na web de pessoas com algum tipo de deficiência. O estudo levou em consideração os 14,5 milhões de domínios ativos no Brasil. 

“Acessibilidade é um tema que sempre foi essencial, mas nesse momento é extremamente estratégico. A web se transformou no principal meio de comunicação da gente com o mundo externo, especialmente depois da pandemia. A gente estuda, trabalha, se informa, compra, assiste séries, tudo pela internet. Pra quem não tem deficiência, são atividades realizadas facilmente, mas essa não é a realidade de milhões de brasileiros”, diz Simone Freire, idealizadora do Movimento.

Em coletiva de imprensa para o lançamento do estudo, Diniz Cândido, embaixador do Movimento Web para Todos, falou sobre sua experiência como deficiente visual durante o período de isolamento social. “É lamentável que a gente fique feliz quando consegue interagir com um aplicativo ou site, porque mostra que isso se trata de uma exceção, não da regra. Dependemos de aplicativos diariamente para pedir comida e remédio. Vários deles não tem acessibilidade, e é algo bem triste, porque são ações cotidianas e corriqueiras que a gente precisa fazer e não consegue.”

Acessibilidade

No Brasil, existem 28 milhões de domínios. Destes, pouco mais de 50% estão ativos, o que representa 14,5 milhões. O estudo do Movimento e da empresa de tecnologia levou em consideração todos os sites ativos que estejam em português do Brasil, com informações de contato brasileiras ou com domínios nacionais.

Testes em quatro pontos principais de acessibilidade foram levados em consideração no estudo: formulários, imagens, links e conformidade com padrões W3C. Quando em conformidade com critérios de acessibilidade, estes pilares garantem aos usuários uma experiência fácil de navegação, o que garante que todos os usuários – com ou sem algum tipo de deficiência – consigam consumir conteúdo, produtos e serviços pela plataforma.

“Muitos sites, especialmente de comércio, têm um formulário pra o usuário preencher com informações. Existem padrões que estes sites precisam seguir para que estes formulários sejam acessíveis, como um leitor de tela para o deficiente ler e identificar os campos que devem ser preenchidos. Se esses formulários não estiverem bem estruturados, um leitor de tela não consegue ler a página e a pessoa não consegue interagir com o site”, explica Thoran Rodrigues, fundador e CEO da BigData Corp.

De acordo com Thoran, as imagens são o elemento mais importante dentro da interação com sites. “Hoje, por ter cada vez mais elementos de imagens, elas precisam estar rotuladas, com um descritivo para que o leitor de tela saiba descrever elas. Quanto mais descritivo você for no texto, melhor fica a acessibilidade do site”, garante.

O W3C é um consórcio internacional cuja finalidade é estabelecer padrões para a criação e a interpretação de conteúdos para a Web. Sites que não seguem este padrão não são necessariamente inacessíveis, mas a conformidade com as regras acima garante um site que oferece melhores experiências para deficientes.

Thoran garante que nem todos os sites analisados são passíveis de serem testados, uma vez que muitos deles apresentam apenas texto, por exemplo. “Esse ano, foi cerca de 30% dos sites que não foram aplicáveis porque não tinham conteúdo que justificasse a aplicação de testes”, explica.

Dados

Os dados divulgados em 2020 apresentam uma melhora para o ano anterior. No ano passado, 5,6% dos sites do estudo falharam em todos os testes de acessibilidade; este ano, apenas 0,01%. Ainda assim, a quantidade de sites brasileiros que são completamente acessíveis ainda é muito baixa. Apenas 0,74% dos sites analisados passou em todos os testes aplicados.

Problemas de formulário somam 55,19% das falhas dos sites, enquanto problema nos links chegam a 93,65%. Mais de 83% dos sites tem problemas de acessibilidade com imagens; 30% problemas de frames e 97% apresentaram problemas no teste do W3C.

Segmentos

Em 2019, eram 99,66% de sites governamentais brasileiros apresentaram algum tipo de dificuldade para acessbilidade. Este ano, são 96,71%. Os setores menos acessíveis são blogs (98,76%), e-commerce (98,70%), corporativos (97,19%), notícias (96,97%), e educacionais (96,12%).

“Não é porque o site apresenta falhas que ele é totalmente inacessível. Mas é um indicador de diferença de experiência, e pode ser um indicador de impeditivo. Mas, em comparação ao ano passado, estamos vendo melhorias. Mas a única forma para melhorarmos esse cenário de perseguição pela acessibilidade é ter mais conhecimento. A gente precisa cobrar para que isso seja feito. As empresas têm que entender o quanto elas estão perdendo por não ter acessibilidade como critério central de sua estratégia online”, explica Thoran.

Vale lembrar que no Brasil está em vigor, desde 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146), que torna obrigatória a acessibilidade nos sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no Brasil ou por órgãos de governo.

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