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Ainda falta padrão para construir infraestrutura móvel

O iPhone é chique, relevante e inovador – tudo o que a Kraft Foods quer ser. Então quando a Apple negou o pedido da Kraft de se juntar ao programa piloto do novo iPhone 3G no ano passado, dizendo que eles já tinha participantes o suficiente, “nós não aceitamos não como resposta”, diz Dave Diedrich, VP de sistemas da informação da Kraft.

Mais ou menos 1.800 empregados da Kraft decidiram gastar sua parte destinada para celulares nos iPhones. Eles têm acesso a email e contatos no Microsoft Oulook. E mais, o time de Diedrich está trabalhando com as questões de segurança de rede para que os usuários do iPhone acessem o servidor SharePoint da Microsoft da empresa, onde os empregados gerenciam documentos e projetos e colaboram com wikis internos e blogs. Além disso, buscam conectar aos clientes móveis via aplicativos como o  iFood Assistant, um download do  iPhone para pesquisa de receitas e ingredientes que a Kraft postou na  Apple App Store em dezembro de 2008.  

O que os empregados da Kraft não podem fazer é acessar quaisquer BlackBerry da Research In Motion (RIM). Eles podem gastar seus orçamentos apenas em um dispositivo que funcione com a sincronia do software ActiveSync da Microsoft – e o BlackBerry não é um deles. A Kraft apenas não tem a estrutura para dar suporte a outra suíte de software de servidor, diz Diedrich.

A maioria das empresas já não questiona se dão pelo menos algum acesso aos empregados via smartphones e outro com dispositivos handheld. Dois terços das empresas utilizam ou planejam utilizar aplicativos móveis, segundo uma pesquisa recente da InformatioWeek EUA com 412 profissionais de tecnologia. As questões que eles encontram são em como prover acesso ao, como fazer isso, de quem deveriam conseguir acesso, e quais tipos de dispositivos.  

No cerne desta complexidade está o software – programas que estão nos dispositivos, nos servidores que eles acessam e direcionam o trafego entre os dois. No lado do sistema operacional, o iPhone OS, o Android do Google e o Palm WebOS se juntam a um mercado já saturado que inclui o BlackBerry OS, Windows Mobile, Symbian, Palm OS, e variadas ofertas do Linux. Fabricantes de dispositivos lutam para impressionar os consumidores ávidos por características novas, e não para oferecer um upgrade de preferência para os melhores caminhos da empresa –  a Apple já está no iPhone 3.0 OS em menos de dois anos. Mudança que pode rapidamente tornar obsoleto os aplicativos que foram desenvolvidos para funcionar com um sistema de rolagem em vez de um touchscreen.

Também não há padrão para construir uma infraestrutura móvel. Deveria o acesso ser baseado em browser, para se chegar à complexidade específica por dispositivo? Seria ideal, sim – mas este método raramente funciona porque as pessoas precisam de acesso offline, se caso estiverem em um avião ou em um ponto sem cobertura. 

Quais aplicativos empresariais devem ser mobilizados primeiro? RH, colaboração, CRM, supply-chain?

Alguns fabricantes prometem aplicativos móveis fora da caixa, mas a maioria das empresas devem trazer o middleware para que eles funcionem. Finalmente, existe uma questão de hardware: É possível bancar o suporte a vários dispositivos para uma dada aplicação de negócios? Um mundo multi-dispositivo  parece cada vez mais inevitável.

O mercado consumidor está direcionando a demanda para que os dispositivos com iPhone sejam bacanas, a mesma pressão acontecerá com o software. Lojas de aplicativos online como a BlackBerry App World e a Windows Marketplace For Mobile esperam conseguir o mesmo sucesso da  App Store da Apple.  

A Oracle, por exemplo, diz que seu aplicativo Business Indicators app, que permite os usuários de iPhone acessar seu software de business intelligence (BI), teve o download feito por mais de 44 mil vezes desde julho.

O software é grátis, mas as lojas de TI devem para a Oracle milhares de dólares pelos conectores aos sistemas de back-end. Tem ainda a crescente linha de empregados pedindo TI para suportar os aplicativos móveis de várias lojas online.

Quinta-feira (25/06), na segunda parte da reportagem, veja o caso da Jazz Farmacêutica, que adotou dois aparelhos para suportar equipe comercial.

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