Afinal, quem é o mais estúpido?

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11:23 pm - 08 de agosto de 2011

Como saber que era uma empulhação?

O primeiro a divulgar que o relatório era falso foi a seção sobre a Microsoft do sítio TNW (e que, sendo ligados à MS, muito provavelmente usam o IE, demonstrando que afinal não são assim tão estúpidos).

E não foi muito complicado descobrir. Bastou fazer uma pesquisa para identificar o proprietário do domínio (“whois“) em um sítio especializado. Para comprovar, aqui vai, na Figura 9, o resultado de uma destas pesquisas que acabei de fazer.

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Nela se percebe que o domínio da AptiQuant não existia até 14 de julho passado, dias antes de ela divulgar seu estudo na rede. Considerando que no relatório ela informa que foi estabelecida em 2005 e vem fazendo este tipo de pesquisa desde 2006, bastava isto para deixar claro que alguma coisa estava errada.

Mas não é só isto. O próprio Gill fornece outras pistas. O teste de aferição de aptidão que alegadamente foi usado na pesquisa, o “Wechsler Adult Intelligence Scale (IV) test”, tem direitos autorais que proíbem que seja administrado via Internet. O número de telefone da AptiQuant é o mesmo da firma do próprio Gill (e ninguém ligou para confirmar os dados do relatório) e o endereço é inexistente. Havia diversos erros de ortografia no “relatório” e, no pé do comunicado à imprensa, um atalho (“link“) para um sítio desenvolvido pelo próprio Gill.

Como sabem os que costumam ler minhas colunas, eu não sou jornalista. Sou um mero engenheiro ambiental que um dia se apaixonou por computadores e decidiu dedicar uma parte substancial de seu tempo ao conhecimento e, mais tarde, divulgação do assunto. Mas, ainda assim, convivo o suficiente com jornalistas para saber que uma notícia não se divulga assim sem mais aquela.

É preciso ? na verdade, é absolutamente necessário ? que antes de divulgá-la se faça aquilo que no jargão jornalístico se chama “apuração”. E uma apuração bem feita, além de confirmar detalhes e ouvir mais de uma fonte, consiste essencialmente em verificar a veracidade da notícia.

Então por que, embora fosse tão simples fazê-lo, tanta gente boa, tantos órgãos respeitáveis, tantos (presumivelmente) competentes profissionais do jornalismo se furtaram a fazê-lo?

Afinal, bastava uma consulta à Internet, uma pesquisa de propriedade de domínio, um telefonema…

Não fizeram.

Quanto aos usuários do IE, estes parecem insistir em confirmar os resultados do estudo, mesmo sabendo que não há qualquer estudo a ser confirmado. Pois insistem na estupidez de validá-lo ameaçando processar os autores da empulhação.

O que resultou em um delicioso artigo intitulado “Is Internet Explorer For The Dumb? A New Study Suggests Exactly That” (O Internet Explorer é feito para estúpidos? Um novo estudo sugere exatamente isto). Foi editado, segundo creio, pelo próprio Gill depois de ser ameaçado (e ameaças não apenas de ser processado) por uma irada horda de usuários do IE que insistem em demonstrar o quanto são, efetivamente, estúpidos.

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