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Accenture cria protótipo de blockchain para sistemas corporativos

Uma das características mais interessantes do blockchain, tecnologia por trás da criptomoeda bitcoin, é que ele não pode ser alterado. Caso alguém tente efetuar uma mudança em um bloco, sua cadeia de algoritmos é quebrada, deixando um rastro de adulteração em sua matemática. Se os participantes da cadeia concordarem com a mudança, no entanto, uma bifurcação pode ser adicionada, mas todos os blocos subsequentes devem ser reconstruídos, o que pode ser arriscado, caro e, em alguns casos, praticamente impossível.

A Accenture, no entanto, desafiou esse cenário e conseguiu editar o blockchain em caráter de exceção para resolver erros humanos, criando um protótipo para sistemas corporativos. A tecnologia foi patenteada pela empresa, que informa que ela acomoda exigências legais e regulatórias, assim como trata potenciais falhas ou outras complicações, porém preservando as principais características criptográficas.

Paulo Roberto Ossamu, diretor-executivo de estratégia de tecnologia da Accenture, reconhece que essa alteração pode ser controversa para os defensores do blockchain, já que fundamentalmente ele é imutável e o fato de não se poder mudar registros é seu atrativo. “Contudo, a mudança que fizemos não fere suas características principais e o fato de poder ser alterado para corrigir falhas humanas, mantendo a integridade do negócio, pode acelerar a adoção da tecnologia no mundo corporativo”, explica.

A Accenture reforça que a invenção é projetada para blockchains privados, ou seja, para o mercado corporativo, também conhecidos como “permissionados”, os quais são gerenciados por administradores designados sob regras de governança estabelecidas. O protótipo não é projetado para sistemas “não permissionados”, como o sistema de criptomoeda que suporta o bitcoin – que é aberto e descentralizado.

De acordo com a empresa, a solução faz com que seja possível lidar com situações de forma previsível quando as coisas dão errado, e atender novas exigências legais e regulatórios em constante transformação, como o “direito de ser esquecido”, e outras regras de privacidade e retenção de dados. “Um formato editável de blockchain vai tornar a tecnologia mais prática e útil para sistemas corporativos e acelerar a sua adoção. Ela combina a confiança que vem da imutabilidade com o pragmatismo necessário em um mundo imperfeito”, afirma a companhia.

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