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A montanha-russa que foi a vida financeira do SoftBank nas últimas duas semanas

Masayoshi Son, fundador do SoftBank e controlador do Vision Fund, fundo de US$ 100 bilhões dedicado ao ecossistema de startups e o fundo de US$ 5 bilhões focado na América Latina, é conhecido por sua postura agressiva quando se fala em investimentos. 

Essa postura foi notada tanto nos investimentos realizados na Uber como na grande soma de dinheiro investida em negócios como a startup de coworkings WeWork e a plataforma que hoteis Oyo, fundada na Índia. Mas Son, pelo menos por enquanto, terá que ser mais cauteloso com os investidos para fazer sua companhia voltar às graças do mercado. 

Assim como com alguns dos negócios investidos, o moral do SoftBank na bolsa já foi mais alto. Por conta dos problemas enfrentados pelas principais startups do portfólio do Vision Fund e a queda de papéis do próprio SoftBank fizeram com que acionistas como Elliot Management a “segurar a mão” nos hábitos de investimentos e gestão de dinheiro que a empresa adotou no passado. 

E assim foi. No dia 13 de março, a empresa anunciou que faria a recompra de US$ 4,6 bilhões em ações na esperança de, com mais papéis sob seu controle, estabilizar a oscilação do valor de mercado da companhia.  

Porém, a expansão global do novo coronavírus (Covid-19) neutralizou esses esforços, a ponto do valor acionário do conglomerado cair 32% nos cinco dias após o anúncio de recompra. Ou seja: a empresa teria que realizar outras ações. 

Divisão de ações

Por conta da queda de valor da empresa, a expectativa do mercado é de que Son precise colocar à disposição do mercado seus ativos mais preciosos: a participação acionária que ele possui tanto no Alibaba como nas telecoms japonesas e a empresa de chips ARM.  

Papéis que, por conta do lucro e estabilidade dos negócios, garantiram a Son empréstimos para levantar seu novo fundo de investimentos e também bancar a rodada de investimentos que impulsionou o valor de mercado da Oyo para US$ 10 bilhões. 

Porém, caso as ações do SoftBank continuem caindo, é grande a probabilidade que os bancos japoneses (que já emprestaram somas bem altas para o executivo) insistam para que ele aumenta a quantidade desses papéis na garantia. 

Para decidir as ações a serem seguidas para recuperar o status financeiro da empresa, os principais executivos passaram o final de semana do dia 20 de março (feriado nacional do Japão) em ligações para chegarem a um parecer. No fim a decisão foi por recomprar o equivalente a US$ 41 bilhões em ações, mas por uma via diferente da mesma na qual seria feita a recompra de US$ 4,6 bilhões. 

A expectativa de que as ações mais valiosas de Son sejam colocadas dentro dessa carteira fez com que o preço das ações saltasse 39%, aumentando em US$ 20 bilhões o valor de mercado da empresa.  

Em paralelo, o SoftBank pisou no freio na injeção de dinheiro para startups, como foi possível ver na última semana, com a desistência de adquirir US$ 3 bilhões em participação da WeWork.

No resumo: foram semanas duras, mas que pelo visto geraram uma mudança de comportamento. Se será permanente, aí é outra história. 

*Com informações do Financial Times 

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