A HP, seu suporte e o preço da tinta

Author Photo
11:20 am - 06 de fevereiro de 2011

Concluindo

Os trechos especialmente absurdos foram grifados por mim em negrito. O suporte da HP insiste em informar que “Windows 7 ainda não é compatível com o equipamento” invertendo a ordem natural das coisas, ou seja, agindo como se a MS, ao lançar um novo sistema operacional, tivesse a obrigação de desenvolver drivers para todas as impressoras e multifuncionais da HP e não que a HP, para atender às necessidades de seus clientes, tivesse a obrigação de atualizar seus drivers quando novas versões de sistemas operacionais surgem no mercado. E, quando confrontado com a realidade, ou seja, que o driver oferecido pela empresa em seu sítio simplesmente não funciona, afirma que ele é desnecessário pois bastaria conectar a impressora e liga-la para que Windows instalasse por si mesmo um tal “driver PNP” que na verdade não existe.

A coisa, resumidamente, (não) funciona assim:

Consta, no sítio da HP, que existe um driver Windows 7 x64 para a multifuncional M1005.

É mentira.

Segundo o suporte, aquilo é um driver “apenas para uma instalação plug and play que é uma instalação básica do equipamento” e, pelo que eu entendi, faria funcionar a impressora mas não o escâner pois, “para utilizar o scanner o sr precisa do software completo, não existe driver apenas para digitalização“.

O que também é mentira.

A máquina é nova, a cópia do SO é legal e recentemente instalada, as instruções da página do sítio da HP que fornece o suposto driver foram estritamente obedecidas e ainda assim não foi possível fazer com que sequer a impressora funcionasse. Informado disto, o suporte afirma que “para fazer a instalação plug and play o sr não precisa fazer download de nada, basta conectar o cabo USB ao computador e à impressora“.

Ainda mentira.

Isto foi feito e Windows refuga a instalação. Ao pôr o suporte da HP a par de tudo disto, fui informado que o pobre otár… digo, usuário que adquiriu uma M1005 de boa fé pensando que a HP ainda era uma empresa de confiança e não mais consegue usar o equipamento no qual investiu uma boa grana pode “utilizar o equipamento num sistema anterior ao Windows 7 ou pode aguardar até que um driver compatível esteja disponível“. Como se fosse preciso um suporte para informar isso…

Em suma: o suporte da HP mente e se omite.

Quer dizer: a boa e velha HP, que um dia foi um ícone no mercado de informática, a julgar pelo suporte que oferece, tornou-se uma empresa mentirosa e omissa.

E isso, no mínimo.

Por que no mínimo?

Porque, analisando o que tem ocorrido com as impressoras HP nos últimos anos, começa-se a imaginar coisas.

Vejamos. Que algo parecido ao que foi acima relatado ocorra com uma velha impressora jato de tinta fabricada há uma década como a Photosmart 1115, se entende. Mas o que pensar do fato de que o mesmo ocorre com uma laser multifuncional fabricada há menos de três anos e meio?

Afinal, para uma empresa como um dia foi a HP, desenvolver um driver para que uma multifuncional que ela mesma fabricou há pouco mais de três anos funcione sob Windows 7 não há de ser tão difícil. E seria o mínimo a esperar de uma empresa séria que preza a confiança nela depositada por seus clientes.

Então por que não o fez, apesar constar no sítio da empresa que o driver existe e do suporte partir para aquela conversa fiada de “instalação básica apenas da impressora”?

Bem, a resposta efetiva só pode ser dada pela HP. No que me diz respeito, posso apenas imaginar, sem jamais afirmar que este seja efetivamente o caso. E o que eu sou levado a imaginar não é nada bom para a imagem da HP. Pois a imaginação me leva a cogitar se tudo isto não faria parte de uma política de obsolescência controlada da empresa para obrigar os usuários a renovar seus equipamentos ainda que eles estejam funcionando perfeitamente como minha Photosmart e a M1005 de meu irmão.

Esta atitude, definitivamente, não se coaduna com a HP que conheci há uma década. Mas encaixa bem na que me ofereceu o suporte acima transcrito. E confirma minha impressão de que a HP que vejo hoje nem se parece com aquela empresa sólida, séria e correta em que aprendi a confiar e cujos produtos comprava há alguns anos. E note que o verbo está no pretérito por boas razões.

Quer um exemplo?

Você já reparou como os volumes de tinta contidos nos cartuchos das impressoras jato de tinta da HP vêm se tornando cada vez menores?

Como eu afirmei lá em cima, no cartucho de tinta de minha velha Photosmart 1115 cabem 42 ml. Pois bem, não estou aqui para fazer propaganda de ninguém, mas na página do Kalunga que consultei a maioria dos modelos de cartuchos HP têm capacidades situadas em torno dos 11ml a 12 ml e há diversos com capacidade bem menor que estas.

Se não ocorreram alterações nestes últimos dias, você mesmo pode clicar no atalho acima e verificar que na mesma página o Cartucho HP 60 color CC643WB está anunciado por R$ 44,90 (há quem o venda por R$ 60). Você pode não acreditar, mas (veja a Figura 3) este cartucho de tinta colorida contém apenas 3 ml (vou escrever por extenso, para que não passe por erro de digitação: três; isso mesmo, um ? dois ? três) mililitros de tinta. Que, ainda segundo a Figura 3, pode ser paga na base de um mililitro por mês.

[photoframe folder=wp-content/blogs.dir/4/files/suporte-hp-1062722066 filename=

O preço (sem juros, que bom!) por mililitro da tinta colorida HP contida neste cartucho é, portanto, R$ 14,97.

É fato que a fabricação de tinta de impressora é um processo delicado e caro. Já visitei uma destas fábricas e sei que exige “sala limpa”, elevadíssimo grau de automação e grande quantidade de equipamento. Mas, ao fim e ao cabo, tinta de impressora é só corante dissolvido em água. Nada mais que isso.

Quando se quer dar exemplo de um líquido muito, muito caro, usa-se como paradigma o “perfume francês”. Eu não sei qual o melhor perfume francês da atualidade, mas sei que o Chanel No. 5 é um dos mais conceituados, se não o mais conceituado (e, pelo menos nas listas de perfumes de marcas francesas conhecidas que eu consultei, era de fato o mais caro).

Sob este nome, nas boas casas do ramo, encontra-se tanto a colônia, ou “eau de toilette“, mais barata, quanto o extrato, ou “eau de perfum“. E este último, sendo mais concentrado, é bem mais caro. Pois bem, uma pesquisa que acabei de fazer no BuscaPé (e que você pode repetir) revelou que posso comprar um frasco de 100 ml (cem mililitros) da “eau de perfum” Chanel No. 5 por R$ 359,10. Portanto, naquela loja em particular, o preço do mililitro do extrato de Chanel No. 5 é R$ 3,59. Já nas lojas de aeroporto, onde o preço é menor por ser livre de impostos, o vidro de 100 ml de extrato Chanel No 5 é vendido a US$ 120, ou R$ 200,40 ao câmbio oficial do dia, o que faz com que o mililitro custe R$ 2,00.

Quer dizer: o preço da tinta colorida do cartucho HP CC643WB é de QUATRO A SETE VEZES MAIOR que o da “eau de perfum” Chanel No. 5.

Dá o que pensar, pois não?

B.Piropo

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.