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A história de um CIO que decide mudar de setor

É normal nos depararmos com notícias de vaivém envolvendo CIOs em todo o mundo. Em sua grande maioria os executivos entram na dança das cadeiras sem sair do seu setor de atuação. Mas não foi bem assim que aconteceu com Pedro Paulo Cunha, diretor executivo de TI e operações da Alelo, antiga Visa Vale.

Cunha bem que tentou sair do mercado de banco depois de 21 anos de trabalho, mas não se distanciou tanto assim: foi parar em uma empresa que trabalha com cartões de débito e crédito. ?E os sócios são dos bancos Bradesco e do Brasil?, enfatiza com certa ironia.

Sua primeira reflexão, após estar diretamente ligado à presidência da empresa, é que TI e operações não conseguem andar separados. ?Essa é a fábrica da empresa e a ideia é bem essa mesmo, tudo que é execução do produto está sob minha responsabilidade.?

Em segundo está a visão da TI como parte integrante da estratégia da companhia. Para Cunha, decisão da criação de um novo produto envolve a TI e a área de operações desde o primeiro dia. ?Se você juntar isso com o fato de que somos bastante terceirizados, nossa equipe de TI é focada exclusivamente no negócio?, conta.

O executivo refere-se ao fato da Alelo não operar nada dentro de casa. De acordo com ele, 100% do faturamento hoje é dependente do processamento eletrônico. Não tem nenhuma transação, nenhum centavo que entra na empresa que não passa por um sistema eletrônico. ?Se eu parar eu cesso a renda da empresa, por isso decidimos lá trás que a empresa iria trabalhar com alto grau de terceirização, temos toda operação de TI terceirizada.?

A infraestrutura da companhia não olha desktops, telefonia nem apoio aos usuários. ?Se eu olhar meu principal business, que é o PAT [Programa de Alimentação ao Trabalhador], eu só faço a gestão do fornecedor e a gestão técnica, interfaces com as áreas de negócios que temos implementadas, para isso trabalhamos com grandes parceiros de longo prazo como a Cielo e Scorpus?, explica.

Atualmente a área de tecnologia da informação é 10% da Alelo, com 45 pessoas e ambiente tecnológico com 12 sistemas ?core?. ?Tudo bem, não consigo fugir de certas características de um banco, operamos com a mesma disponibilidade de uma instituição bancária no modelo 7×24 devido ao alto volume transacional?, compara.

Pela característica da empresa estar diversificando muito os negócios, a Alelo tem um portfólio hoje de mais de 150 projetos. Mesmo assim, a área de TI gasta uma parte muito pequena do esforço no dia a dia, 80% de sua produção é de projetos associados à criação de produtos novos.

A vida fora dos bancos

Cunha lista algumas das principais diferenças notadas após nova experiência profissional proporcionada pela mudança de setor. São elas:

– menor complexidade do ambiente de TI
– necessidade de eficiência em TI (custo, time-to-market).
– grande número de projetos
– evolução da arquitetura

?Meu desafio hoje é maior do que eu tinha no banco. São características diferentes dos desafios e ninguém sabe o que acontece amanhã?, conclui.

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