HP cutuca Dell

Após semanas de especulação, a Dell fechou seu capital em um acordo de 24,4 bilhões de dólares. O negócio marca um movimento do fundador da companhia de computadores para salvar a empresa que perde participação em um mercado que encolhe ano a ano. O acordo contou com empréstimo do fundo Silver Lake e um aporte da ordem de 2 bilhões de dólares oriundos da Microsoft.
A HP aproveitou o turbilhão para enviar um posicionamento ao mercado cutucando a rival: ?acreditamos que os clientes da Dell estarão dispostos a buscar novas alternativas e a HP está atenta a esta oportunidade?. Em uma nota bastante curta, a companhia aposta que a concorrente ?enfrentará um grande período de transição e incertezas que não será bom para os consumidores?.
?Com uma dívida significativa, a capacidade da Dell de investir em novos produtos e serviços ficará reduzida?, prossegue o comunicado: ?Uma aquisição acionária tende a frear a inovação e o foco nos consumidores?.
Fôlego
Analistas de mercado acreditam que o movimento de fechar capital pode ser saudável à Dell no médio e longo prazo. A ideia é que isso tiraria um pouco da pressão pelos resultados cobrados trimestralmente pelo pessoal de Wall Street e, consequentemente, daria fôlego a movimentações mais ousadas e colocaria mais a estratégia nas mãos da companhia.
?Estar em Wall Street é necessário para financiamento, mas é também uma rota fácil para virar uma empresa rígida e pouco ágil?, analisa Fernando Belfort, líder de pesquisa e consultoria da Frost & Sullivan para a América Latina, para quem companhias como a Dell não se podem dar ao luxo de não terem espaço para ousar enquanto se movimentam em direção a software e serviço (movimento visto ao longo dos últimos tempos na indústria).
Ao olhar para o mercado, o analista diz que esse fato não se restringe a companhia de Michael Dell. ?Algumas empresas estão estranguladas com forças do mercado?, avalia, trazendo a discussão um segmento cada vez mais apertado pela concorrência sem fronteiras.
Ecossistema
Na visão de Belfort, não há um impacto latente do anúncio da fabricante para ser pontuado no curto prazo. ?O que podemos esperar daqui para frente são algumas mudanças e talvez a empresa vire mais ousada em suas decisões. Terá um espaço que não tinha antes?.
Ele lembra que por trás da movimentação há um grupo de investidores capitalistas, o que mantém a posição da empresa para a sustentabilidade financeira.
Sobre o aporte feito pela Microsoft, ele avalia que foi uma quantia adequada uma vez que absorve uma fatia relevante e aposta no crescimento da parceira, mas não grande demais para comprometer a relação de Steve Ballmer com o restante do ecossistema. ?Foi uma dose correta?, avalia.
Veja mais:
Editores da CRN EUA fizeram um vídeo (em inglês) no qual analisam os impactos da decisão da Dell no ecossistema de parceiros da fabricante. Assista aqui.
