O ?acaso? atrapalha investimentos em soluções analíticas

Conforme os discursos sobre análise de big data evoluem ? por mais que ressoem as mesmas palavras -, a questão da maturidade do mercado brasileiro para a adoção de tecnologias para tratamento de dados continua a ser uma pedra gigantesca no sapato.
Gustavo Tamaki, gerente de vendas da GreenPlum Brasil, uma companhia da EMC, adquirida especificamente para auxiliar a gigante de storage a direcionar negócios com análises dos grandes volumes de dados, afirma que o mercado brasileiro ainda está muito direcionado ao acaso. ?Ninguém quer investir primeiro, e os que investem consideram o movimento tão estratégico que não querem divulgar para que o concorrente não saiba. É um meio campo complicado?, diz Tamaki.
Para ele, os decisores que avaliam este tipo de tecnologia deveriam olhar diferente para a inteligência por trás de soluções que se propõem a entrar de cabeça nos emaranhados de dados, adotando a proposta de atender as necessidades de seus clientes. ?A análise de dados é altamente específica, pois consegue direcionar inteligência por cliente, de forma individual?, explica. ?O Brasil demora a investir em tecnologia, pois espera que outra pessoa faça, e quando faz, volta-se ao ciclo do segredo.?
Esse ?atraso? na adoção de soluções analíticas e preditivas estarrece o executivo, pois, de acordo com ele, o crescimento da massa de consumo seria o principal chamariz para o investimento. ?Fazemos negócios, temos clientes e sabemos dos resultados. Mas falta uma postura mais madura do mercado em compartilhar a experiência para fomentar novas discussões?, avalia.
O mercado de soluções para captação, armazenamento, tratamento e compreensão de grandes volumes de dados está crescendo de forma muito forte, e as tecnologias estão, dia após dia, evoluindo com uma necessidade que o setor de TI já percebeu, mas que não tem a ?visibilidade necessária? para crescer. ?A educação, quando falamos de BA e predição, é um processo importante, tanto para a compra quanto para a venda, e fazemos nossa parte?, pontua. ?Existem empresas que já fazem uso muito forte, com um desenho da solução muito extenso, completo. Agora, o ideal, é popularizar o benefício.?
O CIO terá que me desculpar, mas é um fato que a chegada dessa imensidão de tecnologias para compreensão dos dados foi causada por usuários que atingem diversas áreas de suas companhias, e a opção de adquirir uma ferramenta de BA deve estar alinhada com todos os setores convenientes com os benefícios. É um papo para o CMO também, por exemplo.
Dando uma circulada pelo seu modelo de negócios, o executivo da GreenPlum ressaltou não competir com tecnologias da Oracle, como o Exadata, e disse que a fabricante conta com parceria com o SAS, onde ?um fala de negócio e o outro ataca a tecnologia.?
Discreta evolução
Tamaki acredita que já se pode observar uma evolução positiva para a compreensão das ferramentas de análises de dados. ?Há um ano, quando começamos a falar de forma mais específica de BA e soluções preditivas, poucas pessoas entendiam a diferença dos dados estruturados dos não-estruturados. Hoje já há fóruns de discussão de Hadoop e melhores práticas para implementação, o que é positivo para a abranger e tocar decisores dentro de diversos tipos de companhias?, descreve.
Um dos pontos para a evolução dos discursos está diretamente ao aumento da inteligência dos softwares, comentou o gerente, que está cada vez mais viabilizando ?todo tipo de tendência do mercado de tecnologia.?
