Tech Review: extrair o máximo de recursos da web móvel desafia TI

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3:19 pm - 24 de maio de 2011

Os smartphones de hoje são tão poderosos quanto um computador, com poder de processamento e armazenamento substanciais. Eles representam o avanço da indústria da computação, incorporando inovações em diversas frentes, da interface com o usuário aos aplicativos e sistemas operacionais.

E é aí que reside o problema: as intensas evoluções nos levaram a inúmeras plataformas para os celulares inteligentes. Somente para o iPhone são mais de 100 mil aplicativos, centenas de empresas fornecedoras de suporte, uma grande variedade de ambientes de desenvolvimento, poderosas tecnologias de navegação e vários middlewares focados no dispositivo móvel.

Uma coisa é implementar e-mail wireless para seus funcionários, mas outra – bem diferente – é fazê-lo em combinação com o acesso em tempo real a aplicativos corporativos como de gestão de clientes (CRM, na sigla em inglês). Adicione isso a necessidade de um dispositivo de gerenciamento e segurança, e não é de se espantar que os arquitetos de TI se sintam pressionados.

Sabemos que cada situação é única e por isso oferecemos uma lista de princípios e guias com as opções que precisam ser analisadas. Nosso foco estará em opções de web versus desenvolvimento nativo. Esse último ponto está se tornando razoável mesmo quando plataformas múltiplas precisam ser suportadas e rodar em qualquer ambiente de desenvolvimento que esteja em amadurecimento.

Um caminho que provavelmente não é uma opção: sentar e esperar que os cálculos se tornem mais fáceis. O número de plataformas e abordagens não deve diminuir e os melhores funcionários das empresas não vão querer esperar. Um dos entrevistados da pesquisa, o CTO da agência de publicidade 22squared, resume bem o porquê de precisarmos resolver tal equação: “as pessoas mal podem esperar para se sentar e pensar em novas formas de contatar seus clientes”, disse Robert Isherwood, “trabalhar é um verbo”.

Status de mercado

Dos 695 profissionais de tecnologia de negócio que responderam à pesquisa da InformationWeek Analytics sobre aplicativos móveis realizada em novembro de 2009, 42% disseram que suas empresas irão implementar esse tipo de solução de mobilidade em smartphones nos próximos 12 meses e 11% afirmaram que o farão entre os próximos 12 e 24 meses.

No entanto, apenas 21% dos entrevistados indicaram adoção corporativa completa, com 42% apontando para a implementação em departamentos específicos. Em alguns casos, a postura foi atribuída a questões de economia. “Os preços de telefones PCs/smartphones e dos serviços ainda são muito altos para permitir que todos se beneficiem dos aparelhos”, disse um diretor de TI que atua no setor público. “É difícil justificar com os orçamentos tão apertados.”

Entre os líderes, o BlackBerry continua dominando o mercado. A pesquisa revelou que 61% dos entrevistados implementando aplicativos para smartphones citaram o uso ampliado da tecnologia da Research In Motion (RIM). Um fator impressionante, no entanto, foi a velocidade com que o iPhone penetrou no mundo corporativo: 27% apontaram para o uso do aparelho da Apple. O Windows Mobile (que esperávamos que ficasse em segundo lugar na pesquisa) ficou com 24% e o Android, do Google, ficou com 6%.

O Symbian, o sistema operacional para smartphones líder no mundo, continua lutando para conseguir a atenção corporativa nos Estados Unidos, já que contabilizou 3%, com o Palm Pre um pouco acima, com 5%.

Há muito tempo, o serviço de e-mail é o mais popular entre os aplicativos para aparelhos celulares. Ao que tudo indica, isso não mudou, já que 85% dos entrevistados em fase de implantação de aplicações para smartphones citaram projetos de correio eletrônico, seguido pelos de acesso à internet, com 54%; mensagem instantânea, com 44%; funções PIM, com 33%; e CRM, com 23%.

Crescimento dos browsers

As empresas que estão confusas com tantas opções podem se conformar com um fato: estamos prestes a conhecer a verdadeira web móvel. O iPhone, com seu competente browser Safari, mostrou ao mundo que a rede mundial de computadores baseado nos conceitos de mobilidade pode ser entregue de forma muito eficaz e que um grande número de usuários pagará pelo privilégio de navegar em qualquer lugar.

E o aparelho da Apple não é o único jogador nessa mesa. Entre os outros players estão Google, Microsoft e Mozilla, que crescem e investem pesado para consolidarem-se como provedores de soluções móveis. As implicações disso são significantes e irão mudar a forma como os aplicativos se tornam móveis tanto por fornecedores independentes de software quanto por negócios. Felizmente, parece que estamos todos prontos para essa transição.

Na pesquisa realizada pela InformationWeek Analytics, 28% dos entrevistados disseram que planejam uma abordagem de browser móvel, a escolha mais comum depois de um cliente nativo. Esperamos que esse número continue crescendo e que a web se torne uma importante via de implementação de aplicativos móveis.

A web móvel está, finalmente, atingindo a plena forma por vários motivos. O grande possibilitador é a rápida taxa de transferência, como a que é oferecida pelas redes de terceira geração (3G). Também ajuda bastante o fato de que a maioria dos aparelhos, hoje em dia, tem a função Wi-Fi.

Com a velocidade típica da rede 3G, de 1 Mbps, e a latência entre 100 e 200 milésimos de segundo, as pequenas telas podem ser atualizadas em 5 segundos ou menos. Isso representa um avanço considerável em comparação com os dez segundos ou mais das redes 2G. É claro que 5 segundos é muito em comparação com as atualizações em sub-segundo que se consegue com aplicativos nativos, mas ainda é muito bom. Tecnologias como Ajax e Gears permitem a interação de conteúdo armazenado localmente, o que melhora, de forma significativa, a experiência do usuário mesmo quando a rede não responde imediatamente.

Além disso, as redes estão cada vez mais rápidas. Os provedores WiMAX dizem oferecer entre 2 e 4 Mbps em taxas de transferência. As redes HSPA também estão sendo atualizadas e cada vez mais próximas da plataforma 4G, como a Long Term Evolution (LTE), que começará a ser implementada no ano que vem. A latência está caindo, o que significa que os cinco segundos gastos numa atualização de tela hoje serão reduzidos pela metade dentro de um ou dois anos.

A capacidade dos aparelhos também desempenha um papel importante. Os dispositivos móveis de hoje tem maior potência de computação do que muitos desktops do início da década. As telas maiores e de alta definição também fazem uma grande diferença, assim como as sensíveis ao toque. Finalmente, um grande número de fornecedores está oferecendo browsers altamente capacitados que podem renderizar quase qualquer conteúdo de web. Os principais são: Safari, para iPhone; Android, do Google; Internet Explorer, da Microsoft; Firefox, da Mozilla; e o S60, da Nokia.

É importante destacar que alguns desses navegadores, como o IE, o Safari e o S60 vêm com as plataformas dos aparelhos, enquanto outros, como o Opera, o Firefox, o NetFront e o SkyFire são sistemas terceirizados instaláveis pelos próprios usuários. Assim como nos desktops, os desenvolvedores devem garantir que seus aplicativos funcionem corretamente com qualquer um deles; as funções podem variar, assim como as ferramentas de renderização HTML em uso.

Nativo versus web

Então, para que lado as empresas devem ir? Os aplicativos nativos – aqueles criados usando linguagens como C++ ou Java, executados localmente no aparelho – oferecem melhor resposta enquanto permitem operações offline. No entanto, as aplicações nativas vêm com um preço alto, pois são ambientes codificados que costumam ser mais complicados de depurar se comparados aos usados em desktops. Além disso, o aplicativo irá funcionar somente em uma plataforma específica, o que significa que as empresas precisam criar ou comprar versões diferentes para aparelhos BlackBerry, Google e iPhone.

Em contraste, o modelo do navegador simplifica, consideravelmente, as vendas e a distribuição do software, assim como os fornecedores de outros aplicativos precisam trabalhar com múltiplas lojas de aplicativos, como as lojas do iPhone e do Android, e então adaptar os aplicativos para cada plataforma. A distribuição mais simples de aplicativos móveis deve encorajar a inovação e o melhor desenvolvimento, o que acaba beneficiando tanto os negócios quanto os consumidores. Além do mais, as áreas de TI mais normais têm habilidade de gerenciamento de conteúdo web em casa.

Mas não são tantas as áreas que possuem as habilidades sofisticadas necessárias para desenvolver e depurar os aplicativos nativos. Um dos entrevistados da pesquisa prefere a abordagem web: “usamos servidor BES para nos dar acesso relativamente seguro à nossa rede interna”, disse Alfons Schermaier, arquiteto-sênior da PPG Industries. “A partir dali, usamos técnicas de desenvolvimento de aplicativo web padrão e uma abordagem de design que usa o máximo do estado real das telas reduzidas. Esses aplicativos podem, também, ser usados em navegadores de desktop se preciso for. Os testes são um pouco mais envolvidos com os múltiplos clientes-alvo, mas os aplicativos têm mais utilidade e, uma vez que se pega o jeito, as entregas acabam sendo mais rápidas”. Visto desta maneira, podemos dizer que velocidade é o nome do jogo para muitos grupos de TI que tornam os cálculos da questão nativo versus web bem mais fáceis.

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