AMD cresce 37% e aposta na linha Trinity para avançar 70% em 4 anos

Ronaldo Miranda tem o que comemorar. Quando assumiu a gerência geral da AMD Brasil e a vice-presidência da fabricante para a América Latina, o executivo tinha como meta ampliar a participação da marca no mercado de processadores dominado pela Intel.
Pouco mais de um ano depois, o executivo detalhou que a empresa teve aumento de 37% nos resultados entre 2010 e 2011, mais do que dobrando o market share nas vendas de equipamento de varejo.
?A AMD tomou a decisão de traçar um caminho distinto do feito nos últimos 42 anos. Não é segredo para ninguém que sempre fomos seguidores de nosso principal concorrente. Mas tomamos a decisão de pensar um mundo de forma totalmente diferente?, afirmou o executivo.
Miranda explica que a transição da indústria de semicondutores é lenta, porque demanda não somente mudança de estratégia, mas um desenho de produtos e sua própria fabricação. ?O que vemos com as APUs é um pedacinho da historia que queremos mostrar ao mundo?, complementou.
Para tomar fôlego e ganhar mercado, a companhia mudou seu foco no último ano para computadores móveis (basicamente tablets e netbooks) de até 1,299 mil reais. A ideia era focar em uma área que pouco brilhava os olhos da Intel. ?Lançamos no ano passado uma plataforma com performance adequada e preço competitivo, lembrando que 70% do mercado de PCs no varejo estão com valores abaixo dessa faixa?, contextualizou.
Sem dar bases de crescimento, a companhia informou de que abril de 2001 ao mesmo período de 2012, a marca dobrou a participação no mercado total de varejo, passando de 11% para 22% de participação em unidades vendidas.
Quando o tema é apenas mobilidade (notebooks e netbooks) a proporção passou de 9% para 29%. Agora, se o assunto é a faixa de mercado foco, de itens com valor até 1,299 mil reais, a participação saltou de 8% para 38%, com um pico de 47% e março.
?Sentimos uma expansão da retomada de negócios com todos os principais clientes do mercado [OEMs locais, multinacionais, parceiros do canal, varejo]?, explicou o executivo, adicionando ter havido a retomada do relacionamento com governo e entidades públicas. Estratégias de marketing, como presença na Campus Party e patrocínio da Seleção Brasileira de Games fortaleceram o posicionamento da marca no mercado.
Com a perspectiva de crescer 70% em quatro anos, a companhia planeja expandir sua atuação para o mercado de equipamentos mainstream. Esse movimento, na visão de Miranda, será impulsionado especialmente pelo lançamento da segunda geração de processadores Série A, conhecidos como Trinity. A expectativa é que as principais fabricantes já forneçam produtos com essa tecnologia a partir do segundo semestre, com preços de até 2 mil reais.
Parceiros
Para conseguir o crescimento desejado, a companhia pretende ampliar sua linha de parceiros. No ano passado, apenas para se ter uma ideia, a companhia tinha 13 varejistas espalhados pelo País. Atualmente, cobre 46.
Não havia qualquer canal de distribuição oficial no Nordeste, espaço preenchido recentemente pela Nagen. Além disso, houve um avanço na Améica Latina, com destaque para a América Central que antes eram completamente descoberta.
A proposta é ampliar o total de participantes do programa de canais para os sete mil cadastrados no Brasil, atualmente, para cerca de dez mil até o fim do ano. A ideia é atingir aqueles integradores que não somente montam equipamentos e se valem da tecnologia AMD, mas que também revendem produtos de outras fabricantes que tenham a tecnologia embutida. Atualmente, este último perfil de parceiro está fora da ótica da multiacional. ?A ideia é que essas empresas recebem benefícios por fornecerem minha plataforma, recebendo merchandising, milhagem em programa de parceiros, entre outros?, comentou.
O Brasil será um dos países, ao lado da Alemanha, a receber esse projeto piloto a partir de julho deste ano. Estados Unidos e China já viram esse movimento no início de 2012
?Hoje, parceiros representam 40% do meu negócio. A ideia é que eu incremente, nominalmente, de 15 a 20% do faturamento global, mas a proporção será mantida?, explicou o executivo. Ainda segundo Miranda, a tendência é a criação de um processo de segmentação dos parceiros para poder direcionar políticas de incentivo a cada um deles. As macrodivisões serão Vars (abocanhando corporativo, pequenas e médias empresa e governo), revendas e pequenos varejistas.
