Estudo da Kyndryl mostra que 64% das organizações já incorporaram a tecnologia, enquanto apenas 30% consideram seus profissionais preparados
A inteligência artificial já faz parte de processos centrais ou de toda a operação de 64% das organizações brasileiras, mas a capacitação dos profissionais ainda representa uma barreira para ampliar os resultados da tecnologia. Apenas 30% das empresas afirmam contar com equipes plenamente preparadas para utilizar a IA com sucesso.
Os dados fazem parte do People Readiness Report, estudo da Kyndryl realizado com 1.100 líderes seniores de negócios e tecnologia em oito países, incluindo o Brasil. Entre as organizações brasileiras consultadas, 28% incorporaram a IA a processos centrais, enquanto 36% já adotaram a tecnologia de forma ampla em toda a companhia.
O levantamento indica que a maturidade da força de trabalho não avançou na mesma velocidade da implementação tecnológica. Embora a IA já gere valor para os negócios, parte das empresas ainda encontra dificuldades para ampliar seus resultados por causa de lacunas em capacitação, governança e transformação organizacional.
O cenário coincide com o crescimento dos aportes no setor. De acordo com o Gartner, os investimentos globais em IA devem atingir US$ 2,52 trilhões em 2026, um avanço de 44% em relação ao ano anterior.
“A IA deixou de ser um projeto de tecnologia e passou a ser uma agenda de competitividade. O dado crítico é que o investimento já está entrando no centro da operação, mas a capacidade humana, a governança e a mudança organizacional ainda precisam avançar no mesmo ritmo”, afirma Wagner Jesus, diretor-geral da Kyndryl Brasil. “Para os líderes de negócios, a pergunta não é apenas onde aplicar IA. É como redesenhar processos, preparar pessoas e operar a tecnologia com confiança para transformar automação em resultado”.
Leia também: Com IA em todo conteúdo, marketing deve controlar posicionamento e acervo, diz diretor da Numen
No Brasil, 78% das organizações afirmam ter definido e comunicado claramente sua estratégia de inteligência artificial. Para 36%, a tecnologia já ocupa uma posição central na forma como competem, percentual superior aos 24% registrados na média global.
A adoção em maior escala, no entanto, ainda não se traduz necessariamente no cumprimento das metas estabelecidas. Em âmbito global, apenas 32% das companhias alcançaram pelo menos um de seus dois principais objetivos com IA, enquanto somente 11% atingiram ambos.
O relatório identifica ainda um grupo denominado “Pacesetters”, que corresponde a 9% da amostra global. Essas empresas tratam a adoção da inteligência artificial como uma transformação integrada de tecnologia, pessoas e governança.
Na comparação com as demais organizações, as “Pacesetters” apresentam 1,5 vez mais probabilidade de registrar crescimento de receita relacionado à IA. O grupo também tem 1,6 vez mais chance de relatar avanços na inovação de produtos e serviços.
Com a expansão da IA nas operações, a criação de mecanismos de governança e o fortalecimento da confiança no uso da tecnologia passaram a ocupar uma posição estratégica. No Brasil, 60% das organizações apontam restrições regulatórias e de soberania entre os principais obstáculos para executar seus projetos.
O estudo destaca a proteção de dados, a supervisão humana e a definição de responsabilidades como elementos centrais para o avanço dessas iniciativas.
“A governança precisa ser desenhada desde o início, e não tratada como uma camada posterior ao projeto”, afirma Wagner Jesus, diretor-geral da Kyndryl Brasil.
O relatório aponta três frentes prioritárias para que as organizações brasileiras ampliem o valor obtido com a inteligência artificial. A primeira envolve a revisão das funções profissionais: 42% das empresas já reformularam cargos para incorporar a tecnologia, enquanto 27% criaram novas posições voltadas à sua gestão.
Além disso, 94% afirmam que as funções existentes já passaram por mudanças para exigir algum nível de colaboração com sistemas de IA.
A segunda frente está relacionada à escassez de competências. Para 59% dos líderes, tornou-se mais difícil encontrar talentos com as habilidades necessárias para avançar na adoção da tecnologia. Ao mesmo tempo, 35% das organizações já implementaram programas de treinamento voltados à colaboração com sistemas inteligentes.
O terceiro eixo envolve governança e supervisão. Em 44% das empresas, a responsabilidade humana continua presente, mas migra da execução direta para o acompanhamento das decisões à medida que a IA assume novas tarefas.
Para os próximos três anos, a expectativa é que a inteligência artificial lidere a geração de valor na análise de dados, apontada por 67% das organizações. As pessoas, por sua vez, deverão permanecer essenciais para decisões complexas, citadas por 43%, e para o relacionamento com stakeholders, mencionado por 39%.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
Redação
9 minutos atrás
Bruna Rocha
50 minutos atrás
Redação
4 horas atrás
Pamela Sousa
5 horas atrás