Gartner prevê que pelo menos 15% das nações em regiões voláteis adotarão acordos para manter serviços públicos e dados críticos protegidos
Pelo menos 15% dos países localizados em regiões geopolíticas voláteis deverão estabelecer acordos formais de embaixadas de dados até 2029, segundo previsão do Gartner. A medida busca garantir a continuidade de serviços e operações governamentais diante de conflitos, ameaças cibernéticas ou falhas graves na infraestrutura nacional.
Atualmente, apenas alguns países adotaram formalmente esse modelo. Uma embaixada de dados funciona como um enclave protegido juridicamente, no qual uma nação pode hospedar sua infraestrutura digital crítica em território estrangeiro sem abrir mão da soberania e do controle sobre as informações.
“A crescente instabilidade geopolítica, as ameaças cibernéticas e os riscos de concentração associados à localização de dados estão levando os governos a ir além dos modelos tradicionais de soberania centrados na residência de dados”, afirma Daniel Nieto, diretor analista sênior do Gartner. “Essa mudança está aumentando o foco em estratégias operacionais resilientes, como a dispersão soberana, que dissocia dados, aplicações e infraestrutura críticos da geografia física, ao mesmo tempo em que mantém a soberania por meio da jurisdição legal.”
A estratégia de dispersão soberana permite distribuir dados, sistemas e aplicações essenciais por diferentes localidades, reduzindo a dependência de uma única infraestrutura física. Nesse contexto, as embaixadas de dados surgem como uma alternativa para evitar pontos únicos de falha e preservar funções estatais mesmo em situações extremas.
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“As embaixadas de dados estão surgindo como uma abordagem prática para a dispersão soberana. Elas reduzem o risco de concentração, eliminam pontos únicos de falha e ajudam os governos a manter a continuidade de funções estatais críticas além das fronteiras nacionais, mantendo total controle legal sobre seus sistemas e dados.”
O modelo pode ser implementado por meio de acordos bilaterais. Dessa forma, um governo hospeda sistemas estratégicos em outro país, enquanto as informações permanecem submetidas à jurisdição do Estado de origem.
A proteção dos dados é assegurada por criptografia robusta de ponta a ponta. As chaves de descriptografia ficam exclusivamente sob controle do país responsável pelas informações, impedindo que o território anfitrião tenha acesso ao conteúdo armazenado.
A adoção das embaixadas de dados também pode apoiar a manutenção das atividades governamentais durante eventos de black sky, expressão usada para situações em que infraestruturas críticas e sistemas públicos são gravemente comprometidos ou deixam de funcionar.
À medida que os sistemas digitais se tornam fundamentais para a soberania dos Estados, a capacidade de recuperação passa a depender menos da proximidade física das informações e mais do controle jurídico exercido sobre elas.
“Registros governamentais críticos, incluindo registros de estado civil, títulos de propriedade, registros tributários e livros contábeis, podem ser replicados em ambientes externos seguros e funcionar como extensões sincronizadas dos principais sistemas governamentais”, afirma Nieto. “Isso ajuda a garantir que os dados permaneçam disponíveis e que os serviços possam continuar durante um evento de black sky, quando a infraestrutura nacional crítica e os sistemas governamentais são gravemente afetados ou incapacitados.”
No caso de sistemas altamente sensíveis, como os utilizados nas áreas de defesa e inteligência, são necessárias camadas adicionais de segurança. Entre as medidas citadas estão a criptografia pós-quântica e as arquiteturas de zero trust, voltadas à proteção de sistemas críticos mesmo quando a hospedagem ocorre fora das fronteiras nacionais.
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