Consultoria afirma que o uso individual de assistentes de IA por equipes de Revenue Operations amplia a produtividade, mas gera riscos de segurança
A popularização dos assistentes de inteligência artificial (IA) está mudando a forma como equipes de Revenue Operations (RevOps) trabalham. Profissionais responsáveis por integrar áreas como vendas, marketing e atendimento passaram a utilizar ferramentas como Claude, ChatGPT e outros modelos de IA para automatizar análises, gerar relatórios, criar fluxos de trabalho e desenvolver pequenas aplicações sem depender diretamente das equipes de TI. Para a Forrester, esse movimento dá origem ao perfil que chama de “Claude Cowboy”.
Na análise publicada pela consultoria, o termo descreve profissionais que adotam plataformas de IA por iniciativa própria para resolver problemas do dia a dia, muitas vezes sem processos formais de governança ou aprovação corporativa. Embora essa autonomia acelere a execução de tarefas, ela também amplia riscos relacionados à segurança da informação, qualidade dos dados e conformidade regulatória.
Segundo a Forrester, o fenômeno representa uma evolução do chamado shadow IT. Em vez de instalar softwares sem autorização, colaboradores passam a utilizar modelos de IA para criar automações, realizar análises e até desenvolver aplicações que podem impactar processos críticos da organização.
A consultoria observa que esse comportamento tende a crescer à medida que ferramentas de IA se tornam mais acessíveis e capazes de executar tarefas antes restritas a especialistas técnicos.
De acordo com a Forrester, profissionais de RevOps estão entre os que mais rapidamente incorporam inteligência artificial ao trabalho diário. Como atuam na integração de dados comerciais, indicadores de desempenho e processos entre diferentes áreas, esses times identificam diversas oportunidades para utilizar IA na geração de insights e automação de atividades repetitivas.
Entre as aplicações mais comuns estão a criação de consultas em bancos de dados, elaboração de dashboards, análise de desempenho de vendas, construção de fluxos automatizados e desenvolvimento de pequenos scripts para conectar sistemas corporativos.
A consultoria ressalta, porém, que essa autonomia pode resultar em decisões tomadas com base em dados incorretos, modelos pouco documentados ou automações que escapam dos mecanismos tradicionais de auditoria da empresa.
Outro ponto destacado é a possibilidade de compartilhamento inadequado de informações confidenciais. Sem diretrizes claras, colaboradores podem inserir em plataformas públicas dados comerciais, informações de clientes ou conteúdos protegidos por contratos, criando riscos relacionados à privacidade e à propriedade intelectual.
Segundo a Forrester, muitas organizações ainda concentram suas políticas de IA em áreas como desenvolvimento de software ou segurança cibernética, enquanto departamentos de negócios continuam adotando ferramentas de forma descentralizada.
A consultoria defende que a resposta para esse cenário não é restringir o uso da inteligência artificial, mas criar mecanismos que permitam combinar inovação com governança. Isso inclui definir quais ferramentas podem ser utilizadas, estabelecer políticas para compartilhamento de dados, registrar automações desenvolvidas pelas equipes e promover treinamento contínuo sobre uso responsável da tecnologia.
Outro desafio apontado é a necessidade de revisão humana. Mesmo quando os modelos apresentam resultados consistentes, decisões estratégicas relacionadas a receita, clientes e indicadores de desempenho continuam exigindo validação por profissionais responsáveis pelos processos de negócio.
A Forrester também recomenda que líderes de RevOps trabalhem em conjunto com áreas de TI, segurança da informação e governança de dados para estabelecer padrões comuns de utilização da IA. Dessa forma, torna-se possível preservar a agilidade proporcionada pelos assistentes inteligentes sem comprometer requisitos de conformidade e controle.
Na avaliação da consultoria, o crescimento do perfil do “Claude Cowboy” evidencia uma transformação na adoção corporativa da inteligência artificial. Em vez de iniciativas exclusivamente lideradas pelos departamentos de tecnologia, a IA passa a ser incorporada diretamente pelas áreas de negócio, ampliando a produtividade dos profissionais.
Para a Forrester, empresas que conseguirem estruturar políticas de governança capazes de acompanhar esse movimento terão melhores condições de aproveitar os ganhos de eficiência proporcionados pela IA, reduzindo ao mesmo tempo riscos operacionais, regulatórios e de segurança da informação.
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