Startup quer transformar a contratação e administração de links em um serviço centralizado e prepara uso de IA para automatizar processos
A contratação e a gestão de serviços de telecom ainda são processos fragmentados para muitas empresas. Contratos com diferentes operadoras, monitoramento de desempenho, abertura de chamados e controle financeiro costumam ficar distribuídos entre diversos fornecedores e sistemas. Foi nessa complexidade que nasceu a Bid Broker.
Fundada por Raphael Theodoro e Samuel Marcelino Brazil, a startup desenvolveu uma plataforma que reúne cotação, contratação, gestão e monitoramento de links de telecom em um único ambiente. A proposta, segundo os executivos, é transformar um mercado tradicionalmente operacional em um serviço contínuo, semelhante ao modelo de software como serviço (SaaS).
“Percebemos que nosso cliente precisava muito mais do que economia. Ele precisava de visibilidade sobre toda a operação”, afirma Samuel Brazil, CEO da Bid Broker.
A empresa atua em um mercado que segue aquecido. Entre janeiro e abril deste ano, o setor de telecom recebeu R$ 11,5 bilhões em investimentos estrangeiros diretos no Brasil, segundo dados do Banco Central analisados pelo Ministério das Comunicações. Globalmente, a PwC estima que a indústria poderá adicionar US$ 200 bilhões em receitas até 2028, impulsionada por inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e expansão da conectividade.
Antes de fundarem a Bid Broker, Theodoro e Brazil passaram mais de uma década trabalhando no setor de telecom.
Como consultores, identificaram um padrão recorrente entre grandes empresas: muitas permaneciam em contratos pouco competitivos porque trocar de fornecedor significava aumentar a complexidade operacional.
A percepção ficou clara durante o primeiro grande projeto da dupla. Após apresentar alternativas capazes de reduzir significativamente os custos com conectividade, o cliente só aceitou seguir com a mudança quando os consultores assumiram também a gestão da operação junto às operadoras.
“Na época, ele nos contou que cerca de 30% do tempo da equipe era gasto resolvendo questões relacionadas aos links. Reduzir custos, sozinho, não resolvia o problema”, lembra Brazil.
Foi esse episódio que levou os empreendedores a ampliar o escopo do negócio. O projeto deixou de ser apenas uma consultoria para contratação de links e passou a incorporar implantação, relacionamento com operadoras, monitoramento e gestão da infraestrutura.
“Fomos agregando serviços e percebemos que estávamos nos tornando praticamente um outsourcing de telecom”, afirma Raphael Theodoro, CRO da empresa.
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A primeira operação começou em novembro de 2020, tendo a Smart Fit como cliente inicial.
Na época, boa parte dos processos ainda era executada manualmente, mas os fundadores decidiram investir rapidamente em um produto digital.
O primeiro MVP foi lançado em 2022 e permitia que empresas cotassem e contratassem links de internet de diferentes operadoras em um ambiente único. O marketplace também abriu espaço para provedores regionais, ampliando as opções disponíveis para clientes com operações fora dos grandes centros urbanos.
“Encontramos fornecedores em regiões onde normalmente só existiam grandes operadoras. Isso também nos ajudou a entender melhor o perfil do cliente que atendíamos”, afirma Brazil.
Apesar de diferenciar a startup no mercado, a primeira versão da plataforma ainda exigia diversas atividades manuais da equipe.
A evolução veio em setembro de 2025, com o lançamento do NOC Intelligence, plataforma que passou a concentrar toda a jornada de telecom corporativa, incluindo contratação, monitoramento, indicadores de desempenho, gestão dos acordos de nível de serviço (SLAs) e pagamento centralizado.
“Nós percebemos que o cliente precisava de visibilidade. Hoje ele consegue acompanhar, por exemplo, se os SLAs estão sendo cumpridos, além de concentrar toda a gestão financeira em um único ambiente”, explica o executivo.
Segundo a empresa, a plataforma já realizou mais de 30 mil cotações, gerou economia superior a R$ 20 milhões para clientes e administra cerca de 500 links corporativos.
A expectativa é ampliar esse número para 2,5 mil links gerenciados até setembro e encerrar 2026 com faturamento de R$ 2,5 milhões.
A próxima etapa da estratégia passa pela inteligência artificial.
A empresa pretende automatizar fluxos operacionais para que boa parte das atividades hoje realizadas manualmente seja executada pela plataforma, deixando para o cliente apenas as decisões finais de aprovação.
“Hoje já entregamos toda a jornada. Agora queremos automatizar os fluxos para que o cliente praticamente só precise autorizar aquilo que deseja fazer”, afirma Brazil.
Para os fundadores, entretanto, o principal desafio do setor continua sendo cultural.
“O cliente corporativo muitas vezes se acostumou com problemas recorrentes de telecom. Existe uma percepção de que essa dor faz parte da operação. Nossa proposta é justamente mostrar que esse cenário pode ser diferente”, conclui o CEO.
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