SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

Empresas de IA e SpaceX podem protagonizar grandes aberturas de capital, mas especialistas citam riscos de imagem, regulação e comunicação

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4:12 pm - 05 de junho de 2026
Imagem: Shutterstock

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital que podem figurar entre as maiores já realizadas nos Estados Unidos, segundo reportagem da Reuters publicada nesta quarta-feira, 3 de junho. O processo, no entanto, deve exigir cuidado especial de empresas e executivos em um ambiente regulado, no qual comunicação pública, apresentação a investidores e informações financeiras passam a ser examinadas com maior rigor.

De acordo com a Reuters, SpaceX e Anthropic se preparam para estreias no mercado público, enquanto a OpenAI é apontada como possível candidata a seguir caminho semelhante. A reportagem afirma que essas companhias devem enfrentar um processo delicado por combinarem negócios de grande expectativa, foguetes, inteligência artificial e software, com questionamentos de investidores sobre crescimento, rentabilidade, governança e riscos operacionais.

O período anterior a um IPO costuma envolver reuniões, apresentações e conversas com potenciais investidores. Nesse intervalo, executivos precisam oferecer informações suficientes para sustentar a tese de crescimento da empresa, sem descumprir regras de comunicação impostas pela Securities and Exchange Commission, a SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. A Reuters lembra que erros nessa fase já afetaram ofertas públicas anteriores.

Um dos exemplos citados é o IPO do Google, em 2004. Antes da abertura de capital, os fundadores Sergey Brin e Larry Page concederam entrevista à revista Playboy durante o chamado período de silêncio. Como resultado, a empresa teve de incluir o conteúdo da entrevista no documento de registro da oferta, conhecido como S-1. A Reuters também menciona a Salesforce, que precisou adiar sua abertura de capital em 2004 após uma infração relacionada ao mesmo período regulatório.

Imagem dos executivos no centro do processo

A Reuters informa que o roadshow, etapa em que executivos apresentam a companhia a investidores, é um dos momentos de maior exposição. Segundo a reportagem, a SpaceX deve começar reuniões com potenciais investidores já nesta semana e terá de tratar de temas como as perdas associadas à xAI, unidade de IA ligada a Elon Musk, e a estratégia conduzida por seu CEO. A empresa não respondeu ao pedido de comentário da Reuters sobre a participação de Musk no roadshow.

Especialistas ouvidos pela Reuters afirmam que a postura dos líderes pode influenciar a percepção do mercado. Elizabeth Blankespoor, professora da escola de negócios da Universidade de Washington, disse à agência que investidores observam como os executivos se apresentam e se comunicam. Timothy Loughran, professor de finanças da Universidade de Notre Dame, avaliou que o estilo público de Musk, especialmente nas redes sociais, pode criar riscos adicionais durante o processo formal de IPO.

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A reportagem também cita o IPO do Facebook, hoje Meta, em 2012. Na época, Mark Zuckerberg compareceu a reuniões com investidores usando moletom com capuz e tênis, o que levou parte do mercado a questionar a maturidade do então CEO, segundo a Reuters. As ações caíram cerca de 20% nos primeiros dias de negociação, embora a empresa tenha se tornado posteriormente uma das companhias mais valiosas do mundo.

Além da imagem pública, os documentos regulatórios também representam risco. A Reuters lembra o caso do Groupon, criticado em seu IPO de 2011 por criar uma métrica financeira que excluía despesas relevantes de marketing. A empresa precisou revisar seu S-1. Outro exemplo citado é a WeWork, que revelou grandes perdas e potenciais conflitos envolvendo seu então CEO, Adam Neumann, antes de retirar sua oferta pública em 2019.

A Reuters também menciona a BATS, operadora de bolsa eletrônica que tentou abrir capital em 2012 em sua própria plataforma. Uma falha tecnológica derrubou suas ações de US$ 16 para até um centavo em segundos, levando a companhia a desfazer a operação, medida considerada incomum pela agência.

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Redação

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