Relação com mercado e canais não sofre mudanças, diz VP da HP Brasil

Por enquanto, nada muda no dia a dia de quem trabalha com os produtos do Personal Systems Group (PSG) da HP no Brasil. Entre outras, esta foi a mensagem de Claudio Raupp, vice-presidente do grupo no País, que recebeu a redação da CRN Online no escritório da fabricante de São Paulo.
Raupp reforçou os caminhos que a corporação já tem indicado como possíveis para a unidade (venda da divisão ou spin-off ? o mais provável). E fez questão de frisar que não se trata de desmembrar uma unidade da empresa por desempenho ruim, mas sim de separar operações com perfis distintos, que pedem esforços e ecossistemas diferentes. ?A primeira razão é que no próprio negócio HP – que precisa investir em integração de sistemas, serviços, software ?, a computação pessoal alavanca pouco e possui dinâmicas diferentes?, disse o VP.
Nesse sentido, Raupp passou como mensagem aos parceiros que, se confirmada, a divisão dos negócios terá como único foco o fortalecimento da operação de computação pessoal, com atenção e recursos pertinentes a esse tipo de negócio. Segundo ele, até que uma decisão seja tomada, o trabalho por aqui continua sem nenhuma alteração. ?Temos planos de lançamento de produtos, lançamento de HP Stores, contratação de pessoas, todos com seus prazos mantidos?, garantiu.
Apesar de uma queda apurada de receita em 3% em PSG, no terceiro trimestre, em relação ao ano anterior; e 17% de baixa nas vendas ao consumidor final, Raupp chama a atenção para o ganho de margem operacional do ano passado para cá, que cresceu 100 milhões de dólares, chegando a 567 milhões de dólares. ?Isso é muito acima do que a nossa indústria entrega e bastante suficiente para acompanha seguir como uma empresa independente, se for o caso?, opinou Raupp, relembrando que se trata de uma operação de 41 bilhões de dólares.
Surpresa
Quando questionado sobre o envolvimento da unidade brasileira no processo que antecedeu o anúncio feito pelo CEO Léo Apotheker, no dia 19 de agosto, Raupp disse que a equipe local ficou sabendo durante a conferência com analistas, naquela data, quando o CEO reportou também os ganhos do terceiro trimestre fiscal da HP. ?Na sexta-feira (20 de agosto), convocamos uma conference call com todos os canais first tier e principais distribuidores para explicar e sanar suas dúvidas?, conta o VP. Os materiais divulgados pela matriz para ajudar os canais a acalmarem eventuais sustos dos clientes também foram disseminados no Brasil, segundo ele.
Concorrência
Com relação ao assédio declarado dos concorrentes da HP aos seus canais, o executivo disse: ?O nosso posicionamento em relação ao canal é que no plano de curto e médio prazo não haverá impactos. E o principal é o compromisso de que o canal está no nosso DNA, não é uma relação oportunista.?
Touchpad, smartphones e WebOS
Não há, segundo a HP, impactos previstos para o Brasil também quando o assunto é o fim da produção do tablet Touchpad e dos smartphones baseados no WebOS. ?O lançamento local do tablet estava previsto para o final do ano?, lembrou Raupp, ao reforçar que o sistema operacional adquirido com a Palm, no ano passado, vai receber investimento e atenção.
Ainda tratada como uma operação independente das áreas de negócios da HP, a chamada ?WebOS? deveria ser, no futuro, absorvida pelo PSG. Antes mesmo da conclusão da pergunta seguinte, Raupp antecipou-se: ?Não tenho esta resposta?, referindo-se ao futuro da organização webOS num cenário de spin-off ou venda de PSG. Mas diz que os recursos estarão na área de R&D (pesquisa e desenvolvimento), ?para desenvolver as sinergias com as outras áreas?, resumiu Raupp.
Entrega e futuro
Evitando falar de qualquer medida futura ligada ao destino de PSG, Claudio Raupp garantiu que não faltarão produtos no mercado e que os canais poderão contar com a companhia ao lidar com seus clientes neste momento. ?Dada a liderança que temos, não há razão para duvidar de que em qualquer formato que essa operação venha a se estabelecer ela vai de forma ainda mais sólida?.
A decisão final está prevista para o final do ano-calendário 2011, mas Raupp acredita que pode ser antecipada.
