Nubank aposta no letramento técnico de líderes para ganhar eficiência e reduzir custos

Nubank apresentou case de transformação promovido após a adoção do Pix durante o AWS re:Invent 2023

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9:07 am - 04 de dezembro de 2023
Cat Swetel, diretora sênior de Engenharia do Nubank, durante o AWS re:Invent 2023 (Imagem: Reprodução/AWS)

Promover o conhecimento técnico sobre seus produtos e infraestrutura entre líderes e adaptar seus sistemas para mitigar os períodos de instabilidade causados pela alta demanda do Pix. Essas foram algumas das estratégias do Nubank, quarta maior instituição financeira no Brasil, para enfrentar o impacto do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos em sua arquitetura.

O case de transformação foi compartilhado por Cat Swetel, diretora sênior de Engenharia do Nubank, durante o AWS re:Invent 2023, evento da gigante de serviços de nuvem da Amazon que aconteceu em Las Vegas. O painel de Cat, apresentado durante a keynote de Dr. Werner Vogels, CTO da AWS, na última quinta-feira (30), também marcou a primeira participação de uma empresa latinoamericana no palco principal do re:Invent.

O desafio do Nubank começou em 2020, quando o Banco Central abordou instituições financeiras do país para começar o desenvolvimento do sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix. O Nubank passou os cinco meses seguintes desenvolvendo a arquitetura para a operação do Pix em sua plataforma, buscando alcançar o requerimento de latência de 10 segundos exigido pelo Banco Central.

“Quando chegou ao mercado, o Pix foi um tremendo sucesso. Ultrapassou em muito o uso que o Nubank projetava. Em um ano, as transações por mês do Pix já eram maiores que o total combinado de transações de crédito e débito”, contou a diretora de engenharia do banco.

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O sucesso do Pix, no entanto, trouxe alguns problemas para a TI da instituição. A “escala massiva” do sistema de pagamentos começou a aumentar o tempo de carregamento do aplicativo do Nubank, gerando períodos de instabilidade que afetam clientes. “Todo nosso ambiente técnico estava sob um nível sem precedentes de estresse”, completou Cat.

Ao mesmo tempo que isso acontecia, a fintech passava pela transição de startup para uma empresa de maior porte – o que vinha com uma nova pressão para reduzir custos. A companhia decidiu, então, que era o momento de reavaliar algumas práticas da TI, deixando de lado a estratégia de simplesmente jogar “mais máquinas e mais memória” nos problemas para tentar resolvê-los.

“Nossa hipótese era que se estabilizássemos nossos sistemas, nosso custo também se estabilizaria”, explicou a executiva. Junto com a AWS, provedora de serviços de nuvem adotada pelo Nubank desde sua fundação, o time de Pix da fintech encabeçou um esforço multidisciplinar para testar essa hipótese.

Três mudanças foram promovidas nesse esforço. Duas delas foram técnicas: adoção do Z Garbage Collector (ZGC) para mitigar as instabilidades geradas por longas pausas de GC; e a revisão da estratégia de cache da base de dados da companhia usando discos NVMe.

A companhia, no entanto, também promoveu uma mudança cultural para buscar a eficiência de custos como um dos pilares de sua operação. “Para tomar decisões importantes e estarem cientes do contexto de trade-off, as lideranças do Nubank precisavam ter uma compreensão técnica básica de seus produtos e infraestrutura”, disse Cat. “Isso começou com a liderança do time de Pix, mas logo se tornou padrão na companhia”.

Hoje, todas as equipes do Nubank contam com um “campeão de custos AWS” para ajudar a companhia a tomar decisões que equilibram custo e estabilidade. Com essas doutrinas, a companhia conseguiu estabilizar seus custos e performance e enfrentou os desafios técnicos trazidos pelo Pix.

O tempo necessário para enfrentar incidentes de alta gravidade foi reduzido “em uma ordem de magnitude”, de acordo com a executiva. O SLA de latência da instituição também foi reduzido em 92%. “Esse impacto transformativo economizou US$ 8 bilhões em taxas dos nossos 90 milhões de clientes em 2022”, celebrou. “O crescimento do Nubank é alimentado pelo baixo custo operacional de nossa plataforma e pela nossa eficiência, que nos permite cobrar menos e investir mais em clientes.”

*O repórter viajou à Las Vegas a convite da AWS

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Rafael Romer

Rafael Romer é repórter do IT Forum. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Tem mais de 12 anos de experiência na cobertura dos segmentos de TI, tecnologia e games, com passagens pelo Olhar Digital, Canaltech, Omelete Company, Trip Editora e IG.

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