Delegações europeias e sul-americana marcam presença no Web Summit Rio

Países buscam maior troca de experiências e negócios entre empresas brasileiras e estrangeiras

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12:26 pm - 04 de maio de 2023
Delegações estrangeiras Web Summit Rio Fotos: Divulgação

Criado em 2009, em Dublin, o Web Summit já teve passagens por Lisboa e Qatar antes de aterrissar no Rio de Janeiro essa semana. Em quatro dias, a capital carioca recebeu mais de 20 mil pessoas e, apesar da grande massa ser brasileira, a presença de outros idiomas nos corredores foi bastante comum.

Isso tornou-se ainda mais comum no Pavilhão 4, onde stands de delegações internacionais buscavam mostrar ao mercado brasileiro suas fortalezas – tanto para ter uma presença maior de startups de fora do país aqui, quanto para conquistar profissionais brasileiros para trabalhar fora.

Conversamos com algumas delegações e te contamos o que elas buscam no Web Summit Rio:

Ucrânia

A Ucrânia está sendo representada por nove startups no evento, que englobam desde soluções para detectar anomalias em plantas de manufatura até um sistema repente de mosquitos que protege as pessoas.

De acordo com Diana Rakus, head do grupo de especialistas em atração de investimentos em TI e líder do projeto de educação em TI no Ministério da Transformação Digital da Ucrânia, esse é terceiro ano que a delegação marca presença no Web Summit e não poderiam estar de fora da edição Brasileira.

Diana Rakus, head do grupo de especialistas em atração de investimentos em TI e líder do projeto de educação em TI no Ministério da Transformação Digital da Ucrânia

Diana Rakus, líder do projeto de educação em TI no Ministério da Transformação Digital da Ucrânia

“Isso é particularmente significativo agora, já que a atenção do mundo está voltada para a Ucrânia devido à guerra em curso. No entanto, por trás dessa luta, há um setor de tecnologia em expansão que mostra extrema solidez. Não é apenas uma parte crucial de nossa luta agora, mas também a base para a recuperação econômica e um futuro de sucesso da Ucrânia.”

Apesar dos desafios trazidos pela guerra com a Rússia, a Ucrânia deu passos impressionantes para se tornar um dos estados mais convenientes para pessoas e empresas em termos de digitalização.

Antes da invasão, diz Diana, o setor de TI da Ucrânia crescia de 25 a 30% ao ano. No início de 2022, o setor estava no auge e demonstrou a taxa de crescimento mais rápida de sua história. Embora o crescimento tenha desacelerado devido à guerra, ainda continuou em 10% no ano passado e trouxe mais de US$ 7 bilhões do exterior, um aumento de quase 6% em comparação com 2021.

Segundo a especialista, a delegação da Ucrânia tem a missão de explorar o promissor mercado de tecnologia LATAM no Web Summit Rio. Apesar de serem países muito diferentes, o Brasil e a Ucrânia compartilham semelhanças em seus esforços bem-sucedidos de transformação digital e prósperas indústrias de tecnologia.

Finlândia

A Finlândia decidiu que o Brasil é um dos países de foco na mobilidade de talentos. Para isso, marca presença no Web Summit com foco na promoção de oportunidades para aqueles que buscam uma oportunidade no país nórdico.

“Nós somos um país pequeno e nossas empresas precisam ter pessoas internacionais trabalhando para conectar a Finlândia ao mundo. Portanto, gostaríamos de construir mais conexões entre a Finlândia e o Brasil nos negócios Nós também sabemos que a Finlândia não é tão conhecida no Brasil”, resume Laura Lindeman, diretora sênior e head da unidade Work in Finland da Business Finland.

A seleção do Brasil foi feita após uma investigação. O primeiro pilar é ser um país relevante economicamente, além disso há muitos jovens que estão interessados em ir ao exterior. “Nós acreditamos que os valores finlandeses seriam atraentes para os brasileiros e poderíamos dar a oportunidade de explorá-los e trazer esses valores de volta ao Brasil, caso voltassem.

Laura Lindeman, diretora sênior e head da unidade Work in Finland da Business Finland

Laura Lindeman, diretora sênior e head da unidade Work in Finland da Business Finland

Alessandra Leone, gerente de talentos Brasil da Business Finland, complementa ao dizer que a Finlândia é um dos países mais verdes da Europa e valoriza muito a sustentabilidade, que é um tema que está crescendo no Brasil. Por isso, essa pode ser uma oportunidade para os profissionais que buscam apoiar as empresas a crescerem de forma sustentável.

Um dos desafios nessa busca por profissionais é o idioma. Laura explica que como ninguém fala finlandês ou sueco, o inglês é quase como a terceira língua no país. Por outro lado, Alessandra afirma que os brasileiros têm uma reputação muito boa em todo o mundo, pois tentam se engajar nas equipes.

“A comunicação é uma coisa positiva e acho que os residentes podem aprender muito com as equipes internacionais em relação à consistência e à qualidade do trabalho. Em termos de tecnologia, que é um trabalho muito globalizado, é muito importante ter essa experiência internacional”, diz Alessandra.

A Finlândia também está olhando para as startups que queiram operar no país. De acordo com Laura, há um visto específico para startups. Para aplicar para o documento, é necessário ter uma declaração de elegibilidade ou solicitações para a declaração. Após a avaliação, em caso de positiva, poderá ser solicitada a autorização de residência no escritório de migração. Em seguida, o visto para startups é concedido.

Acompanhe: toda a cobertura do IT Forum no Web Summit Rio

Suíça

Por meio da swisstech, iniciativa de disseminação da inovação suíça apoiada pela Swissnex e outras instituições no Brasil, o país apresentou uma delegação com sete startups no Web Summit Rio.

Com foco em elevar o perfil do país como um dos líderes globais em inovação para negócios, aumentar a visibilidade de empresas de ponta e destacar, no exterior, sua excelência em pesquisa, a Suíça trouxe startups que trabalham desde soluções de saúde até blockchain e segurança digital.

Malin Borg, cônsul e CEO da Swissnex no Brasil, explica que algumas das empresas já têm presença no Brasil e outras buscam entender o mercado nacional e a iniciativa busca o olhar dessas não só para os Estados Unidos, mas para potenciais mercados, como o brasileiro.

Malin Borg, cônsul e CEO da Swissnex no Brasil

Malin Borg, cônsul e CEO da Swissnex no Brasil

“O Brasil é um mercado muito importante, com mais celulares do que pessoas, por exemplo. Eu diria que é um mercado mais early adopter e mais aberto do que a Suíça”, pondera a executiva.

O mercado de saúde é um dos citados por Malin como uma grande oportunidade. De acordo com ela, ambos os países têm inovações relevantes na área e os brasileiros podem se beneficiar de aprovações menos burocráticas da Suíça, enquanto a própria instituição dá suporte para os suíços se prepararem para as aprovações daqui.

“Nós somos uma ‘plataforma’ proativa e reativa. Ou seja, buscamos startups e somos buscados por eles. Então, olhamos para as startups que funcionariam no Brasil, fazemos um campo de validação para que encontrem potenciais parceiros e universidades. Depois desse passo, às vezes vemos que não faz sentido virem para o Brasil e, caso faça, fazemos mais uma procura a parceiros”, finaliza Malin.

Uruguai

20 empresas que ainda não estão no mercado brasileiro marcaram presença no Web Summit Rio por meio do Uruguay XXI, uma agência responsável pela promoção de exportações e investimentos para o país.

De acordo com Irene Tayler, executiva de mercados uruguaios da Câmara Uruguaia de Tecnologia, explica que as startups vieram para entende melhor o mercado brasileiro, potenciais negócios e mostrar suas soluções.

Irene Tayler, executiva de mercados uruguaios da Câmara Uruguaia de Tecnologia

Irene Tayler, executiva de mercados uruguaios da Câmara Uruguaia de Tecnologia

“Estamos muito contentes de ter um evento tão grande tão perto do Uruguai. Não poderíamos deixar de vir ao brasil. Algumas empresas vieram para mostrar seus serviços e produtos para o mercado brasileiro e conhecer quem está trabalhando aqui e como trabalham. Nenhuma dessas empresas já estão no mercado brasileiro. Algumas delas estão acostumadas a trabalhar com os Estados Unidos e Canadá, mas estão começando a olhar para o Brasil”, resume ela.

A executiva afirma estar impressionada com a primeira edição do evento e ansiosa para as próximas edições – e acredita que as empresas uruguaias continuarão a vir ao Brasil nas ocasiões.

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