5 perguntas para Emílio Vieira, CEO da BizTalking

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9:15 am - 23 de abril de 2013

Emílio Vieira já foi CIO e COO de empresas como Porto Seguro e Allianz. Em determinado momento da carreira, resolveu aplicar todo o seu perfil empreendedor em um negócio próprio, fundando a BizTalking, empresa que dirige atualmente. Separamos cinco perguntas a respeito dessa virada na carreira e pedimos, também, algumas dicas para aqueles que, um dia, almejam acumular um departamento ou mesmo migrar da TI para outra área. A seguir, os principais trechos da entrevista.

IW Brasil – Em que momento você sentiu que poderia assumir áreas além da TI?

Emílio Vieira – No meu entendimento, o processo normalmente acontece de forma contrária, você é convidado a pegar desafios novos fora da área de TI, em função de competências que você demonstra no dia a dia, na atuação da área de TI ou em outras empreitadas similares. A maior parte das competências de liderança, visão sistêmica, foco em resultado, visão de cliente, entre outras, são exercitadas todo o tempo, não são específicas, e são demandadas em todas as áreas de negócios e/ou operacionais. E, normalmente, são muito mais requeridas em momentos de crises e dificuldades. Os convites vêm de oportunidades em que uma ou mais competências ou atitudes são imprescindíveis para uma área em dificuldades e em que a retrospectiva de sucesso do executivo de TI nelas já foi comprovada previamente. Os conhecimentos técnicos ou de negócios específicos, às vezes faltantes, são facilmente adquiríveis com um pouco de força de vontade e disciplina. Ajuda ter uma autoestima favorável a desafios e uma boa técnica de autoaprendizagem.

IWB – Como foi o processo de migração ou agregação de área?

Vieira – Sempre há uma curva de aprendizado das coisas específicas da nova área. É preciso extrema humildade para escutar, anotar, aprender, estudar, perguntar. E, normalmente, você tem toda a ajuda quando trata os envolvidos com respeito, humildade e os envolve de forma legítima nos louros do sucesso futuro. Se esses cuidados são tomados, a transição e agregação da área são prazerosos, não conflituosos e de extremo aprendizado. Mas sempre com muito trabalho extra.

IWB – Que tipo de habilidade ou característica você entende como fundamental para explorar outras áreas de negócio?

Vieira – Liderança situacional, foco em resultado, visão de cliente, humildade, humildade, disciplina, disciplina, disciplina, trabalho, trabalho, trabalho, otimismo (porções diferentes, como em posologia de remédios).

IWB – Como você vê o futuro da carreira do executivo de TI?

Vieira – Há claramente oportunidades para que o executivo de TI foque a sua atuação apenas nos assuntos técnicos de TI, cada vez mais terceirizáveis, mas a perspectiva mais brilhante, entendo eu, ocorre quando o profissional de TI, além dos assuntos de TI, ganha notoriedade no entendimento da operação dos processos de negócios que envolvem o cliente final da empresa. E o ponto mais alto para esse profissional é quando ele entende tanto do negócio da empresa (mercado, cliente final, canais de distribuição, concorrentes, ameaças, operações, tecnologias habilitadoras, etc.), que recebe o convite para fazer turnaround ou gerir Unidades de Negócios com responsabilidade integral por seus resultados.

IWB – Que recomendação você faria para um executivo de TI estar mais integrado às áreas de negócio das empresas?

Vieira – Colocar-se humildemente ao lado do cliente e ver os processos sob a ótica dele, ajudando-o a resolver os problemas legítimos da operação e do negócio, sem tecnicismos, comprometendo-se com os resultados finais e não apenas sendo um fornecedor de insumos intermediários, que normalmente vêm sem garantias.

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