3 pontos fundamentais para o trabalho do CIO

?Nos próximos anos, 90% iniciativas de TI não serão bem sucedidas, porque a TI não vai conseguir se adaptar ao ambiente incerto de hoje. Não será um fracasso, mas TI não conseguirá entregar todo o resultado.? Com esta frase forte e até polêmica, Cassio Dreyfuss, country manager de pesquisa do Gartner no Brasil, abriu sua participação em um bate papo com jornalistas presentes no Gartner Symposium/IT Expo 2012, em São Paulo.
A postura do especialista, entretanto, não significa que ele acredite que o CIO tenha perdido importância ou que vá padecer nos próximos anos. É, no entanto, uma forma de chamar a atenção desses gestores para o que acontece no ambiente econômico atual de forma que eles consigam agir da melhor forma possível e liderar as empresas num novo momento, onde a tecnologia já não é comprada e gerenciada apenas pelo departamento de tecnologia da informação. Trata-se de um puxão para que eles saibam lidar melhor com os desafios que batem à porte do departamento de TI.
?Estamos nesse ponto de inflexão, os CIOs começam a entender que TI é comprada, implantada e usada pelas unidades de negócio e para as unidades de negócio. Falamos no ano passado que as empresas estavam investindo mais em TI via marketing. Muitos processos estão se tornando digitais. Os orçamentos estão digitais e os CIOs precisam trabalhar com eles de forma integrada?, avalia Peter Sondergaard, vice-presidente do Gartner e líder global de pesquisa da instituição, também presente no bate papo.
O especialista enxerga o CIO como uma espécie de chave para análise horizontal. O estrategista para lidar com as tecnologias que são adquiridas pelos departamentos, mas que pedem um olhar global. Além disso, Sondergaard pontua que algumas funções, como segurança da informação, a nova arquitetura da informação corporativa, entre outras, fazem com que o CIO ou qualquer outra nomenclatura que esse executivo venha a ter num futuro próximo seja essencial para a corporação.
Diante de toda essa situação, Dreyfuss propõe para os executivos de TI um trabalho em três grandes pilares: foco, conexão e liderança.
Foco ? Aqui o trabalho consiste em ficar atento e alerta, desenvolvendo a capacidade de perceber onde estão as oportunidades e as ameaças aos negócios. ?Foco é também estar atento à oferta para descobrir oportunidades de uso de novas tecnologias para alavancar objetivos de negócio. O foco responde à estratégia.?
Conexão ? Para o líder de pesquisa do Gartner no Brasil, as empresas não têm mais uma cadeia de valor, mas participam de uma, executam alguns passos dentro de uma cadeia. ?As empresas participam de uma rede de processo de negócio. Cada companhia precisa ser vista não dentro dos limites de suas operações, mas como entidade participante de uma rede de processo de negócio. Assim como a área de TI tem que começar olhar para fora, além de seus processos internos, se conectar com processos de outras empresas. O CIO como atitude precisa pensar em colaborar com CIOs de outras empresas para suportar redes de processos de negócios.?
Liderança ? Talvez seja o que tenha a explicação mais simples, mas, nem por isso, seja o de execução mais fácil. Depois de ter uma visão e criar o cenário, é hora de trazer as pessoas para trabalhar em conjunto, aglutinar e estabelecer o caminho das diretrizes.
