Processos e cultura são fundamentais em inovação, afirma CIO da Cisco

Há dois anos e meio na companhia, Rebecca Jacoby, CIO da Cisco, afirma que, quando aceitou trabalhar na fabricante, encontrou um departamento que passava por uma crise de identidade. ?Vivíamos um dilema entre ser uma organização inovadora ou de excelência operacional. Quando assumi de fato falei: temos que ser os dois. Tudo o que fazemos tem que ser pautado por essas duas vertentes?, aponta a executiva em entrevista concedida à InformationWeek Brasil durante o Cisco Live 2011, principal evento da companhia que reuniu mais de 15 mil pessoas em Las Vegas (EUA).
Rebecca explica que não se pode focar inovação e esquecer do operacional e, dentro da inovação, destaca a necessidade de arquitetar bem a estratégia, para que haja mudanças modulares. ?Não se pode inovar por inovar, tem que ter um propósito e tentamos fazer isso a partir da criação de uma estratégia de arquitetura e fazendo com que seja, em todos os níveis, mais modular. A segunda coisa que destacaria é que a inovação está em tudo e você pode inovar de diversas maneiras. Pode ser em processo, na forma que trabalhamos em conjunto?, ensina.
Tudo precisa ter como objetivo final, pontua, a CIO, ganho de escala, estrutura de custo e disponibilidade de tecnologias para os usuários. Rebecca frisa que tudo o que for pensado tem que ser colocado no contexto da organização, além de ser constituído dentro de uma boa arquitetura. O pensamento da executiva vai muito em linha do que é discutido no livro ?Where good ideas come from?, de Steve Johnson. O autor afirma por diversos momentos que, para saber se sua ideia é boa ou não, se terá efeito positivo ou impacto de fato, é preciso colocá-la no contexto do ambiente que você vivencia, no caso de Rebecca, a realidade da Cisco.
Questionada se o departamento seguia algum framework ou política específica, a executiva disse que não existe algo tão rígido neste sentido. Lembrou que existem diversos elementos de inovação na área de tecnologia da informação, além de uma ligação muito forte com os departamentos de engenharia e serviços, que trabalham desenvolvendo coisas para os clientes Cisco. ?O responsável por data center (DC) em meu time, por exemplo, está sempre em contato com o time de produto de DC. Outra área que temos uma aproximação ainda maior é segurança. Em colaboração e segurança, especificamente, nos unimos à engenharia para mostrar aos clientes o que fazemos internamente.?
De postura firme e obstinada por manter o departamento em dia com os objetivos globais da companhia, Rebecca aconselha aos CIOs que querem manter ou criar uma cultura inovadora na TI olhar minuciosamente os processos e a cultura da companhia. As coisas mudam e, com isso, muitas vezes, é preciso resenhar processos ou mudar a forma de pensar. A executiva exemplifica com o surgimento e popularização da virtualização, que, antes estava mais voltada aos ambientes de desenvolvimento, e, atualmente, auxilia em toda a estrutura de uma empresa. ?Temos que entregar uma estratégia de TI e de arquitetura, mas, ao mesmo tempo, permitir esse movimento de pessoas. Como as pessoas se comunicam, gerenciam as coisas. Se você tem uma cultura de inovação, isso é mais fácil. Terá uns três vetores de inovação em sua cultura para seguir. Mas é preciso uma estratégia da organização como um todo.?
Dentro desses desafios voltados à cultura de inovação, a CIO destaca como característica essencial para um líder de TI da atualidade a habilidade comunicacional. ?No meu trabalho, estou em contato com todas as unidades de negócios e a todo tempo trato de processo de negócios. Precisamos entender o pessoal da engenharia, de vendas, de finanças, de comunicação e todos os funcionários de forma geral. Hoje, com as mudanças do mercado, muitas organizações de TI assumem outras funções, você tem, por exemplo, CIO fazendo finanças e o contrário?, encerra.
*O jornalista viajou à Las Vegas a convite da Cisco
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