Accenture é a mais nova candidada a heroína do Web Services

A idéia é realmente simples: criar um conjunto de ferramentas padronizado e modular e também as melhores práticas para construir soluções de Web Services, e então, torná-las disponíveis em uma plataforma hospedada, de modo que os desenvolvedores de todas as partes do mundo possam colaborar em projetos, em tempo real, utilizando nada além de um navegador de internet. Efetivamente, a Accenture está se transformando em um ASP de Web Services, ou, como a companhia prefere dizer, um DASP – development application service provider ou provedor de serviços de aplicativos de desenvolvimento.
Embora a versão inicial da plataforma, com lançamento previsto para setembro, esteja sendo projetada para trabalhar com soluções Microsoft .Net, a companhia promete uma versão que será compatível com J2EE, prevista para o começo do próximo ano.
Para qualquer pessoa que esteja familiarizada com a lista de parceiros da Accenture, a decisão de optar pela plataforma .Net, primeiramente, se mostrou muito surpreendente. Afinal, a companhia está desenvolvendo a estrutura em cooperação com a Avanade, uma joint venture formada com a Microsoft em abril de 2000, com a finalidade de construir e implementar soluções da companhia de Bill Gates destinadas a clientes corporativos. Mas o fato de que a companhia também está planejando desenvolver uma plataforma compatível com J2EE revela exatamente o quanto a Accenture está levando a sério essa oportunidade que agora surge.
“Até o momento, a Microsoft tem realizado a maior parte do esforço e feito os maiores investimentos”, declara Michael Condon, parceiro da Accenture, que, recentemente, esteve na redação da CMP Media, a fim de falar sobre a nova oportunidade. “Mas os clientes nunca são homogêneos. A beleza dos Web Services está em que todos esses fabricantes percebem isso”.
Além dos méritos técnicos da plataforma e do impacto comercial da iniciativa de ajudar as organizações de TI a construírem soluções, de modo mais eficiente, o verdadeiro benefício é o novo nível de credibilidade que uma companhia como a Accenture pode trazer à própria tecnologia emergente. Ao fazer um investimento grande como esse em soluções de Web Services, a maior empresa de consultoria independente do mundo está, na verdade, concedendo o equivalente a um Good Housekeeping Seal of Approval (Selo de Aprovação de Operações). Esse tipo de apoio pode abrir um longo caminho para uma tecnologia que ainda precisa evoluir do status de apenas ser muito comentada para sua confirmação como uma verdadeira alternativa confiável para as empresas da atualidade.
Embora a maior parte dos analistas acredite que a maioria das corporações não irá adotar os Web Services até 2003 e 2004, o fato é que uma série de adeptos iniciais já começou a fazer suas implementações. A Accenture, por um lado, tem sua própria lista de adeptos iniciais, incluindo clientes como a Telenor, a gigante norueguesa do setor de telecomunicações, assim como uma importante fabricante de PCs e uma empresa de fornecimento de pacotes de produtos de informática, ambas não identificadas.
Todavia, os provedores de soluções inteligentes entendem que é preciso caminhar antes de poder correr. É por isso que a Condon espera que a maioria das corporações, inicialmente, adotem os Web Services para operações desenvolvidas dentro da firewall, como a vinculação de seus próprios processos de negócios e o desenvolvimento de aplicativos internos, em vez de procurar realizar comunicações entre as empresas, que, por sua própria natureza, exigem um maior nível de segurança. A segunda geração de soluções externas à firewall – que inclui gerenciamento de cadeia de fornecimento, desenvolvimento de portais e outras iniciativas interessantes – fazem parte de uma etapa que está mais à frente, à medida que infra-estruturas mais sólidas e estáveis de Web Services se tornam uma realidade.
